Karl Marx e O Capital

Nos primeiros tempos em Bruxelas, Marx e Engels aderiram à Liga Comunista e produziram o famoso “Manifesto Comunista”. Nele os feitos ímpares da burguesia são reconhecidos, mas com uma análise crítica que se diferenciava da feita pela economia clássica. A obra que propunha a derrubada da sociedade burguesa a partir da luta radical, lista também uma série de reformas necessárias ao capitalismo. O “Manifesto Comunista” foi lançado em 1848, no ano das revoluções na Europa. Logo após o lançamento, Marx abandonou Bruxelas e a Liga Comunista, indo assumir o cargo de editor de um jornal na Renânia. Começou a escrever artigos que surpreendentemente condenavam as revoluções que pipocaram na Europa, alegando que para conseguir algo que valesse a pena a classe trabalhadora deveria se aliar à burguesia democrática.

Após a reação das classes dominantes às revoluções, que levou ao endurecimento dos regimes europeus, Marx parte para Londres. Sua família já contava com três crianças, o que tornava sua situação econômica ainda mais precária. Logo chegaria um quarto filho e para ter o mínimo para sobreviver Marx recorria à caridade de Engels. No período na Inglaterra, ele aprofundou seus estudos e, tendo o sistema produtivo e a economia inglesa como parâmetro, concluiu em 1859 sua primeira grande obra econômica: “Contribuição à Crítica da Economia Política”. No mesmo ano em que Darwin publica “Origem das Espécies” e suas ideias sobre a evolução, Marx expõe sua incrível percepção de que a vida social se funda na vida econômica. Segundo Marx, “o modo de produção da vida material determina o caráter geral dos processos sociais, políticos e intelectuais da vida. Não é a consciência dos homens que determina sua existência; é, ao contrário, sua existência social que determina sua consciência”.

Mas os estudos da economia britânica, a mais avançada do mundo naqueles tempos, feitos por Marx teriam uma destinação ainda mais importante. Em 1867, ela publica o primeiro volume de “O Capital”, sua melhor e mais difícil obra. As influências da dialética hegeliana e do materialismo de Feuerbach lhe ajudaram na inovadora visão econômica e política que revelava que o sistema capitalista fornecia liberalmente as provas contra si mesmo. Marx mostrava que o capitalismo era mais uma fase num inevitável progresso histórico que tinha se iniciado e desenvolvido com uma sucessão de lutas de classes, dos escravos contra os homens livres, dos plebeus contra os patrícios romanos, dos servos contra os senhores feudais, enfim, de oprimidos contra opressores.

Várias das críticas que Marx fez ao capitalismo continuam pertinentes. O que ele pode ter falhado é ao não perceber que as contradições inerentes ao capitalismo não o destruiriam, pelo contrário, elas seriam importantes para a sua evolução já que naquele momento, em pleno século 19, ele ainda estava nascendo e não morrendo.

Marx faleceu aos 64 anos em 1883. Engels profeticamente em sua despedida do grande amigo e herói afirmou que o nome e a obra de Marx perdurariam ao longo das eras. Algumas décadas após sua morte, cerca de um terço do planeta era governado por versões dos pensamentos marxistas.