O jovem Karl Marx e a dialética

Karl Marx
© istockphoto.com / Marisa Allegra Williams
Karl Marx retratado em um selo
da extinta União Soviética

Numa região alemã famosa pelos vinhedos e próxima à fronteira com Luxemburgo, nasceu Karl Marx, em 5 de maio de 1818. Filho de um bem-sucedido advogado e vinicultor, que havia se convertido do judaísmo para o cristianismo, Marx teve uma infância confortável em um ambiente burguês.

Aos 18 anos, ele ingressou na Universidade de Bonn no curso de Direito, mas no ano seguinte se transferiu para a Universidade de Berlim já completamente encantado pela filosofia. Na mesma universidade em que Hegel havia lecionado até alguns anos antes, Marx se interessou pela dinâmica e pela abrangência do pensamento hegeliano. É dele que tirará um dos fundamentos de sua forma de pensar: a dialética. No sistema dialético de Hegel, uma idéia original, chamada de “tese”, gera sua própria contradição, chamada de “antítese”. Essas duas contradições então se resolvem ao evoluírem para uma “síntese”. E a síntese se tornará uma nova tese, que gerará sua antítese, e assim por diante.    

Outra importante influência sobre o jovem Marx foi o pensamento do filósofo alemão Ludwig Feuerbach. Ex-aluno de Hegel, Feuerbach interpretou a estrutura do pensamento idealista hegeliano sob o ponto de vista humanista e materialista. O materialismo das idéias de Feuerbach teve um profundo impacto sobre Marx. A partir da dialética hegeliana e do materialismo de Feuerbach, Marx começou a desenvolver sua própria filosofia. Ao deixar a Universidade e com a cabeça fervilhando de ideias, Marx pretendia conseguir um cargo em alguma instituição de ensino alemã, mas a onda reacionária que se instalou naquele momento afastou das instituições estatais todos os hegelianos de esquerda. Marx começou então a trabalhar como jornalista na Gazeta Renana.

Suas frases de grande efeito o ajudaram a alcançar o cargo de editor e seu idealismo e dedicação o fizeram muito querido por sua equipe de jovens colaboradores. Mas as posições políticas de Marx levaram ao fechamento do jornal pelas autoridades locais. Ele decidiu então casar e se exilar.

Marx se casou com sua namorada de infância. A moça mais bonita da cidade chamava-se Jenny Von Westphalen e era herdeira de uma aristocrática família com importantes ligações políticas. Entediada com a vida de princesinha provinciana ela se casou com o pobretão Marx para fugir daquela vida, ainda que ao custo de um futuro bem precário economicamente.

Marx e Jenny foram morar em Paris. Lá, ele se debruçou sobre as obras de economia de Adam Smith e David Ricardo, principais pensadores do capitalismo e do liberalismo. Enquanto mergulhava em estudos econômicos, trabalhou como editor em uma revista na qual conheceu Friedrich Engels, que se tornou seu parceiro intelectual e político para o resto da vida. As boas finanças de Engels sustentariam Marx e sua família por longos anos. A revista tornou-se a porta-voz dos pensamentos radicais da dupla. Àquela altura ambos já flertavam com as ideias comunistas. Após o fechamento da revista pelo governo francês, Marx foi expulso da França e com a família, que já contava com dois filhos, mudou-se para Bruxelas. Engels o seguiu. Iniciava-se a fase em que ele produziria algumas das mais brilhantes obras sobre economia e política já feitas.