Kant e seu sono dogmático
Immanuel Kant viveu toda a sua vida na cidade báltica de Königsberg (atual Kaliningrado, na Rússia), na antiga Prússia Oriental. De lá quase nunca saiu, salvo em raríssimas viagens que não o afastaram muito de sua cidade natal. Ele nasceu em 22 de abril de 1724, numa época em que a Prússia Oriental enfrentava as devastações trazidas por guerras e pela peste. Sua infância foi cercada de pobreza e religiosidade.
 © istockphoto.com / Alex Potemkin Catedral em Kaliningrado (antiga Königsberg) onde Kant está sepultado
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Kant foi educado dos oito aos 16 anos num ambiente fortemente religioso, no qual sua inteligência excepcional logo se destacou. Aos 18 anos ingressou na Universidade local para estudar teologia. Mas seu interesse pela religião logo se esgotou e transferiu-se para a matemática e a física. Em 1746, seu pai morreu e ele e seus irmãos ficaram na miséria. Kant foi obrigado a deixar a universidade e se manteve nos nove anos seguintes dando aulas particulares para as famílias ricas locais. O dinheiro extra que conseguia remetia para suas irmãs menos afortunadas. Apesar do suporte financeiro que deu às irmãs durante toda a sua vida, Kant manteve-se totalmente afastado de seus familiares.
Kant só foi conseguir se formar na Universidade de Königsberg quando tinha 31 anos de idade. Com isso, pôde trabalhar como professor-auxiliar naquela instituição. Nos 15 anos seguintes dedicou-se com afinco no ensino de matemática e física e publicou tratados sobre os mais variados assuntos científicos, da natureza dos ventos à antropologia. Apesar do interesse pelas ciências, o que mais chamava a atenção de Kant, desde que percebeu as implicações filosóficas da obra de
Newton, era a filosofia. Outra influência importante sobre Kant foram os textos de Leibniz, que o levou a ver a humanidade como participante da finalidade última do universo.
Nessa época, ele passou a se interessar também pelos pensamentos de Rousseau, que conseguiam sensibilizar as emoções reprimidas de Kant, e pelas ideias do filósofo escocês Hume, que desenvolvia um radical empirismo. E foi justamente quando lia a obra “Investigação sobre o Entendimento Humano”, de Hume, que Kant despertou de seu sono dogmático. Naquele momento, uma inspiração lhe mostrou que poderia construir um sistema filosófico novo que se opusesse ao ceticismo destrutivo de Hume. Já como professor catedrático de lógica e metafísica da Universidade de Königsberg ele iniciou uma jornada mental que construiria sua filosofia.