Caporael não criou a sua teoria a partir do nada. A historiadora pesquisou a estação de crescimento do centeio, o grão em que o esporão parece crescer mais facilmente. Ela descobriu que houve um verão úmido em Salém, Massachusetts, antes do inverno de 1692 (o esporão se espalha mais facilmente em climas úmidos).
A historiadora também pesquisou onde as famílias das garotas que sofreram os ataques, considerados feitiçaria pelos aldeões, pegavam os grãos. As duas primeiras garotas afetadas, Elizabeth Parris e Abigail Williams, eram primas e viviam na mesma casa, então as duas teriam comido os mesmos grãos. Além disso, 2/3 do salário de quem cuidava das garotas (o reverendo Parris) era pago em produtos, como grãos, em vez de em dinheiro [fonte: Caporael (em inglês)]. Os Parris poderiam ter conseguido de fontes diversas os grãos que comeram.
A teoria do envenenamento por esporão do centeio parece explicar as aflições sofridas pelas garotas, mas a idéia foi contestada desde que foi apresentada em 1976. Alguns historiadores acreditam que seria possível que Elizabeth Parris, a primeira a garota a adoecer, tenha sofrido de alguma forma de envenenamento por esporão. No entanto, acredita-se que as outras garotas tenham aproveitado a oportunidade de afastar o tédio da vida colonial com uma farsa. Se isso for verdade, é difícil imaginar as reações delas quando os adultos tomaram as rédeas e começaram a enforcar seus vizinhos.
![]() Darren McCollester/Newsmakers Este epitáfio marca o túmulo do juiz John Hathorne, que presidiu os julgamentos de bruxas em 1692 |
Hoffer, que já escreveu muitos textos sobre os julgamentos de bruxas em Salém, é um dos que acreditam que as garotas que acusaram os vizinhos de praticar bruxaria estavam pregando uma peça nas pessoas.
Independentemente da causa, quer tenha sido envenenamento por esporão do centeio, uma brincadeira de criança, uma vingança por injustiças do passado, uma tentativa de se apoderar de terras ou histeria coletiva, os julgamentos de bruxas em Salém representaram um período tenebroso da história norte-americana.
Se não fosse pelas confissões confusas que a escrava Tituba fez quando foi interrogada, pelo diagnóstico de feitiçaria feito pelos médicos, ou pelo barril de pólvora que Salém era na época, se qualquer uma dessas coisas não tivesse acontecido, talvez os julgamentos não tivessem ocorrido. Mas tudo se uniu e criou um ambiente cheio de suspeita e de impulsividade imprudente.
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