Políticos são os Judas preferidos dos brasileiros

No Brasil, a substituição da figura do Judas, traidor de Jesus, pela de autoridades e políticos é uma prática desde os tempos coloniais. O historiador Oliveira Lima relata no livro “D. João VI no Brasil” que a brincadeira chegou a ser proibida no país, após no sábado de Aleluia de 1821 a população ter retratado o Judas como as principais figuras da administração portuguesa no Brasil.

Antes dos políticos se tornarem um dos Judas prediletos da população brasileira, as comunidades costumavam eleger figuras locais, como a pessoa mais fofoqueira ou àquela que durante o ano fez mais maldades para a molecada, para ser o alvo da malhação no sábado de Aleluia. Essa prática ainda prevalece em muitas pequenas cidades interioranas, como em Nossa Senhora dos Remédios, no Piauí. Só que lá, desde os anos 90, ocorre uma inusitada associação entre o Judas e personagens das principais novelas da televisão. Já em João Pessoa, na Paraíba, o Judas é recheado de guloseimas e após ser “malhado” vira uma festa para as crianças.

Mas, desde os tempos coloniais, o brasileiro tem incluído as autoridades e os principais problemas públicos entre os Judas da vez. Na tradicional malhação da rua dos Lavapés, que existe desde a década de 20, vários Judas são preparados para dar conta de todos os desafetos da comunidade. Entre eles estão sempre os moradores mais ranzinzas e os políticos mais rejeitados. Em 2007, foram oito os Judas malhados na rua dos Lavapés. Seis representavam políticos, do prefeito da cidade aos presidentes do Brasil e dos Estados Unidos. Um representava um personagem corrupto de uma popular novela da televisão e, o oitavo, referia-se a um dos moradores do bairro.