Um estudo do governo dos EUA, divulgado em setembro de 2006, afirma que a guerra no Iraque havia se tornado uma causa unificadora para os "muçulmanos jihadistas". O termo "jihad" se tornou familiar em boa parte do mundo ao longo dos últimos 10 anos, e para muitas pessoas - especialmente não muçulmanos - é tomado como sinônimo de "guerra santa", uma tentativa de expandir a religião muçulmana e punir violentamente os infiéis. No entanto, grande número de muçulmanos discordam dessa definição. O Alcorão, como a maioria dos livros sagrados, está aberto a interpretações. Estudaremos aqui alguns conteúdos do Alcorão e as opiniões dos especialistas muçulmanos, para aprender sobre algumas das interpretações mais amplamente aceitas quanto ao apelo divino à jihad.
A palavra jihad vem do termo árabe jahada, que significa "lutar, se esforçar ou se empenhar". Jihad é um conceito central para a religião muçulmana e, em seu contexto islâmico, tem dois significados primários: a luta pela melhoria pessoal sob as normas doutrinárias do islamismo e a luta pela melhora da humanidade, por meio da difusão da influência do islamismo e do profeta muçulmano Maomé.
A idéia de jihad como esforço para que a pessoa se torne um muçulmano melhor é considerada por muitos como "a maior jihad". Essa jihad é uma luta interna, e não externa. O profeta Maomé teria dito que:
- A melhor jihad é a da pessoa que se esforça por controlar seus impulsos em nome de Alá, o Poderoso e Majestoso.
Essa jihad espiritual, introspectiva, faz com que muçulmanos se esforcem por perdoar pecados, controlar sua ira e, de modo geral, melhorar sua adesão às normas do profeta Maomé. Alguns estudiosos acreditam que os muçulmanos devam empreender essa jihad interna, espiritual, antes que assumam a responsabilidade de conduzir uma jihad física, externa.
Embora existam especialistas em islamismo que consideram que essa é uma interpretação moderna, cujo objetivo é rebater a visão ocidental da jihad como ameaçadora e agressiva, outros acreditam que ela está tão bem representada nos ensinamentos de Maomé quanto a jihad externa, combativa.
Esta segunda interpretação de jihad - como uma disputa externa, física, para expandir a área controlada pelo Islã - está bem representada no Alcorão. Uma das passagens citadas com mais freqüência em apoio a uma jihad física afirma:
- "E quando os meses sagrados tiverem passado, mate aqueles que somam outros deuses a Deus onde quer que os encontre; e os aprisione, assedie, e aguarde com emboscadas de toda espécie: mas caso eles prefiram se converter... então permita que sigam em seu caminho pois Deus é Piedoso, Misericordioso. Se um daqueles que unem outros deuses a Deus solicitar-lhe asilo, conceda-lhe asilo, para que ele possa ouvir a Palavra de Deus, e permita que ele atinja um lugar seguro. Isso, por serem eles pessoas desprovidas de conhecimento".
Sura ix.5,6
Nessa jihad externa, os muçulmanos são instruídos a usar meios combativos, caso necessário, para difundir a paz e a justiça da religião islâmica a áreas que não estejam sob a influência do profeta Maomé. No trecho citado, está disposto que aqueles que não aceitem o domínio muçulmano sejam sentenciados à morte. Muitos estudiosos apontam que, embora os meios adotados sejam agressivos, a jihad física almeja em última análise à paz. O Alcorão presume um estado de desordem, opressão e injustiça em todas as terras que não vivam sob domínio muçulmano. Alguns também lêem o texto de maneira que indica que o objetivo não é necessariamente converter o mundo ao islamismo, mas em lugar disso libertar o mundo de governantes opressivos (não islâmicos), de modo que todas as pessoas estejam livres para escolher o Islã assim que reconhecerem seu valor.
Ambas as formas de jihad encontram base em interpretações do livro sagrado do islamismo. Vale a pena apontar que quase todos os textos religiosos antigos contêm passagens que, para a maioria dos seguidores da religião, não se aplicam à vida moderna ou não devem ser interpretados literalmente. "Islã" vem da palavra árabe "salam", que significa paz. A maioria dos seguidores do islamismo não acredita que a violência seja maneira aceitável de conduzir a jihad, a menos que praticada em autodefesa.
Embora a maioria dos muçulmanos aceite alguma forma de comando à jihad como parte de seu sistema de crenças, eles também rejeitam completamente a associação entre jihad e terrorismo moderno. Para esses muçulmanos, as ordens específicas de Maomé, no Alcorão, proibindo ataques a mulheres, crianças, pessoas fracas, enfermas, doentes ou deficientes, servem como prova de que as táticas terroristas não são endossadas pelo Alcorão e não têm lugar no islamismo.
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