Tão logo o livro de Cornwell, que identifica Sickert como o Estripador, foi publicado, alguns dos dedicados estudiosos dos crimes começaram a apontar erros na teoria e nos métodos utilizados pela escritora. Um dos críticos, curador das obras de Sickert, que integram o acervo da Royal Academy de Londres, definiu-a como “monstruosamente estúpida”, por ter destruído um quadro do pintor em nome de suas pesquisas [fonte: The Guardian (em inglês)].
![]() George C. Beresford/Beresford/Getty Images Artista (e possível Jack, o Estripador) Walter Sickert, por volta de 1912 |
Recebemos nosso mtDNA apenas de nossa linhagem materna, o que o torna menos preciso em identificar nossas células do que a combinação única de DNA encontrada em nossos núcleos celulares [fonte: ORNL (em inglês)]. Embora a amostra de mtDNA de Cornwell elimine 99% da população, ainda assim, deixa outros 50 mil habitantes de Londres, além de Sickert, como possíveis positivos para o teste de mtDNA.
Os estudiosos do crime que criticam a conclusão de Cornwell apontam que, caso Sickert fosse o homem que enviou as cartas que apresentam resultados positivos de DNA, isso não provaria que ele era o assassino. O pintor era conhecido como prolífico autor de cartas aos editores de jornais locais. Também era muito interessado nos crimes do estripador. Assim, seria talvez menos absurdo presumir que Sickert tenha escrito a carta como uma espécie de peça bizarra do que supor que ele seja o estripador porque escreveu as cartas.
O uso dos quadros como provas também é questionado por outros estudiosos. Como sabe qualquer pessoa interessada em arte, pinturas estão abertas à interpretação pelos observadores, mas os estudiosos dos crimes não estão interessados em juízos artísticos. Embora os quadros de Sickert pareçam mostrar mulheres mortas, elas poderiam também estar adormecidas ou repousando. O trabalho do pintor mais freqüentemente apontado como prova de sua culpa nos crimes é “The Camden Town Murder”. Mas, como aponta Wolf Vanderlinden, um estudioso dos casos, Sickert também deu à pintura o título alternativo “como vamos pagar o aluguel?”. Sob esse título, a idéia de ameaça da pintura é substituída por desespero e incerteza. Assassino e vítima se tornam simplesmente um casal que enfrenta dificuldades financeiras [fonte: Vanderlinden (em inglês)].
É possível que Sickert tenha usado as mulheres assassinadas como tema de seus quadros. Também é possível que o artista o tenha feito com humor negro ou por simples interesse pelo caso do estripador. A alegação de Cornwell de que Sickert só pintava coisas que via na vida real é derrubada por provas de que Sickert ocasionalmente pintava usando fotografias como modelo - especialmente depois de velho. E quando o artista produziu seus quadros mais "confessionais", por volta de 1905, um livro contendo fotos das vítimas de assassinatos em Whitechapel havia sido publicado seis anos antes [fonte: Vanderlinden (em inglês)].
Em última análise, existem poucas provas para identificar de forma definitiva Sickert ou qualquer outra pessoa como Jack, o Estripador. Embora Patricia Cornwell acredite que encerrou o caso, a caçada ao criminoso, iniciada há mais de um século continua para os estudiosos que propõem outras teorias.
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