Em 2002, a romancista Patricia Cornwell publicou um livro de não ficção no qual revelava que Jack, o Estripador, era na verdade Walter Sickert. O pintor impressionista (em inglês) britânico era um homem inteligente (e supostamente egoísta) e tinha 28 anos na época dos assassinatos de Whitechapel. Sickert era um artista de sucesso, conhecido por pintar e desenhar mulheres nuas e brutalizadas. Cornwell não só acredita que Sickert fosse o assassino como postula que ele trocou Londres pelo campo inglês e pela França (em inglês) como cenário de seus homicídios. As excursões dele às regiões rurais próximas de Londres (em inglês), acredita Cornwell, também teriam incluído o assassinato de crianças [fonte: CNN (em inglês)].
![]() Cortesia Amazon "Retrato de um assassino: Jack, o Estripador - Caso encerrado", de Patricia Cornwell |
Cornwell descobriu o apoio mais tangível à sua teoria em uma moderna ferramenta de investigação: os testes de DNA. Ela visitou a Scotland Yard e examinou centenas de documentos e cartas supostamente escritos por Jack, o Estripador. Cornwell e outros especialistas estão cientes de que a maioria (se não todas) essas cartas não são obra do assassino. Na verdade, pessoas que alegavam ser Jack, o Estripador ainda se apresentavam à Scotland Yard na década de 60, (Sickert morreu em 1942). Alguns dos primeiros falsificadores de cartas - dois dos quais mulheres - foram detidos na época dos homicídios [fonte: Ryder (em inglês)].
Quando Cornwell recebeu os resultados dos testes de DNA, ela encontrou um possível positivo. A escritora comparou as cartas do Estripador a amostras extraídas da correspondência conhecida de Sickert e descobriu um indicador de DNA mitocôndrico (mtDNA) que eliminava 99% da humanidade mas não Sickert [fonte: SPT (em inglês)]. O DNA mitocôndrico não se degrada com tanta facilidade quanto o DNA nuclear. Isso é significativo, se considerarmos que as cartas do Estripador usadas na comparação haviam sido escritas um século antes.
Patricia Cornwell não é a o único escritor a apontar para Sickert como o estripador. Pelo menos dois outros pesquisadores, o primeiro dos quais em 1970, haviam chegado a conclusões idênticas. A exemplo de Cornwell, eles vêem os quadros de Sickert como provas de sua culpa. Acreditam que as pinturas contenham pistas - que Sickert teria incluído propositadamente - para sua identidade como Jack, o Estripador. Alguns dos estudiosos dos crimes, entre os quais Cornwell, acreditam que Sickert tenha efetivamente usado as prostitutas assassinadas como modelos para suas pinturas. O artista foi treinado pelo pintor norte-americano James Whistler a só pintar usando modelos vivos. Assim, se Sickert seguia a metodologia de Whistler, seria possível inferir que ele viu os corpos das mulheres que pintava. Mas não há prova definitiva de que ele as tenha encontrado pessoalmente - ou que as tenha matado.
Diz-se que Sickert teria admitido que seus quadros exibiam pistas relacionadas aos assassinatos do estripador, mas, de acordo com um homem que alega ser seu filho ilegítimo, Sickert afirmou ter colocado as pistas nos quadros para apontar para outra teoria sobre os assassinatos - a de que eles tinham a finalidade de acobertar a participação de um membro da família real britânica.
Existe também a teoria de que um dos mais prováveis suspeitos dos crimes do estripador fosse um dos estudiosos do caso. Essa reviravolta irônica sublinha os obstáculos envolvidos na investigação dos assassinatos de Whitechapel - o caso pode nunca ser resolvido. Além disso, existem algumas lacunas na teoria de Cornwell que impedem que seja aceita como solução definitiva do caso. Você descobrirá quais são na próxima página.