Como funcionam as investigações da cena do crime

Autor: 
Julia Layton

Imagem cortesia do FBI

Em shows de TV como o seriado "CSI", os telespectadores assistem peritos encontrando e coletando provas na cena do crime, fazendo o sangue aparecer como se fosse uma mágica e colhendo informações de todas as pessoas nas proximidades. Muitos de nós acreditam entender bem o processo e há rumores de que os bandidos estão enganando os mocinhos usando as dicas que aprendem nestes programas.

Mas será que Hollywood está mostrando o processo corretamente? Será que os peritos de cena do crime encaminham as suas amostras de DNA ao laboratório? Será que interrogam suspeitos e capturam maus elementos ou o seu trabalho se restringe somente a coletar evidências físicas? Neste artigo, examinaremos o que realmente acontece quando o perito "processa" a cena do crime e você terá uma visão geral da investigação, descrita pelo investigador-geral do Colorado Bureau of Investigation (Escritório de Investigação do Colorado, nos EUA).

Agradecimentos!
Especial agradecimento ao Sr. Joe Clayton, perito-chefe e agente laboratorial do Colorado Bureau of Investigation, pela sua generosa ajuda neste artigo.

Noções básicas sobre investigações da cena do crime

Quem vai à cena do crime?

Os policiais geralmente são os primeiros a chegar na cena do crime. Eles prendem o criminoso, caso ainda esteja lá, e chamam uma ambulância se for necessário. Eles são responsáveis pela segurança do local para que nenhuma prova seja destruída.

A unidade de perícia documenta a cena do crime em detalhes e recolhe qualquer prova física.

O promotor público está sempre presente para ajudar a determinar se os peritos necessitam de algum mandado de busca e apreensão, a fim de providenciar este documento com um juiz.

O médico legista (no caso de homicídio) pode estar presente ou não para determinar a causa preliminar da morte.

Os especialistas (entomologistas, cientistas forenses, psicólogos forenses) podem ser chamados se as provas requererem análises de especialistas.

Os detetives interrogam as testemunhas e consultam os integrantes da perícia. Eles investigam o crime seguindo os indícios fornecidos pelas testemunhas e pelas evidências físicas.


A investigação da cena do crime é o ponto de encontro entre a ciência, a lógica e a lei. "Processar" a cena do crime leva muito tempo e é tedioso, pois envolve informações sobre as condições do local e a coleta de todas as evidências físicas que podem de alguma forma esclarecer o que aconteceu e apontar quem o fez. Não há cena de crime típica, não há provas típicas nem abordagem investigativa típica.

Em uma cena de crime, o perito pode coletar sangue seco de uma vidraça, sem deixar seu braço esbarrar no vidro, para o caso de lá ainda existirem impressões digitais; retirar um fio de cabelo da jaqueta da vítima usando uma pinça, para que o tecido não se mexa e o pó branco caia (que pode ser cocaína ou não) das dobras da manga; usar uma marreta para quebrar a parede que parece ser o ponto de origem de um odor terrível.

Durante todo o processo, a prova física é somente parte da equação. O objetivo final é a condenação do criminoso. Então, enquanto o perito raspa o sangue seco sem estragar nenhuma impressão digital, remove fios de cabelo sem mexer em uma só prova e quebra uma parede da sala, ele está levando em consideração todas as etapas necessárias para preservar as provas na forma original, de como o laboratório pode fazer com que estas provas sejam usadas para reconstruir o crime ou identificar o criminoso aos aspectos legais envolvidos, para que as provas sejam admissíveis pela justiça.

A investigação de uma cena de crime começa quando o centro de investigação recebe um chamado da polícia ou dos detetives do local do crime. O sistema funciona mais ou menos assim:

  • o perito investigador (CSI em inglês) chega ao local do crime e se certifica se este foi preservado. Ele faz um reconhecimento inicial da cena do crime, para verificar se alguém mexeu em alguma coisa antes da sua chegada; elabora teorias iniciais com base no exame visual; faz anotações de possíveis provas e não toca em nada;
  • o perito documenta cuidadosamente a cena, tirando fotografias e desenhando esboços em um segundo reconhecimento. Às vezes, a fase da documentação inclui também uma gravação em vídeo. Ele documenta o local como um todo, assim como qualquer coisa que seja identificada como uma evidência e ainda não toca em nada;
  • agora é hora de tocar os objetos, mas com muito cuidado. O perito sistematicamente abre caminho, recolhendo todas as provas possíveis, etiquetando-as, registrando-as e embalando-as para que permaneçam intactas até chegarem ao laboratório. Dependendo da distribuição de tarefas determinadas pelo centro de investigação, o perito poderá ou não analisar as evidências no laboratório;
  • laboratório criminal processa todas as provas que o perito recolheu no local do crime. Quando os resultados ficam prontos, eles são enviados para o detetive responsável pelo caso.

Cada centro de investigação faz a divisão entre o trabalho de campo e o trabalho no laboratório de formas diferentes. O que ocorre no local do crime é chamado de investigação da cena do crime (ou análise da cena do crime) e o que ocorre no laboratório é chamado de ciência forense. Nem todos os peritos em cena do crime são cientistas forenses. Alguns fazem somente trabalho de campo (recolhem as provas e as entregam ao laboratório forense). Nesse caso, ele deve entender sobre ciência forense para reconhecer o valor específico dos vários tipos de provas. Em muitos casos, porém, os trabalhos são semelhantes.

Joe Clayton é o perito-chefe em cenas de crime do Colorado Bureau of Investigation (CBI). Ele tem 14 anos de experiência e é também especialista em certas áreas da ciência forense. Como Clayton explica, o seu papel na análise laboratorial varia de acordo com o tipo de prova que ele recolhe no local do crime.

    Dependendo que exames científicos são necessários ou solicitados, posso participar do "trabalho de bancada" quando a prova é analisada no laboratório. Tenho especialização em identificação de amostras de sangue (respingos de sangue), determinação de trajetória, sorologia (sangue e fluidos corporais) e fotografia. Também conheço muitas outras áreas (armas de fogo, impressões digitais, documentos duvidosos) que podem me auxiliar. Como perito-chefe de cenas de crime do CBI, o meu papel no local do crime pode envolver uma ou mais das minhas disciplinas específicas. Embora eu jamais efetue um teste de funcionalidade de uma arma de fogo aqui no laboratório, o meu papel na cena do crime será recolher a arma e entender sua relevância como prova potencial.

A investigação na cena do crime é uma tarefa vasta. Vamos começar pelo reconhecimento de cena.