A criação da Companhia das Índias Orientais

Quando a Companhia Inglesa das Índias Orientais (EIC) foi formada em 1600, já havia outras Companhias das Índias Orientais operando em nome da França (em inglês), da Holanda (em inglês), da Espanha (em inglês) e de Portugal (em inglês). Graças à rota naval que o explorador Vasco da Gama (em inglês) descobriu, riquezas do Oriente entraram na Europa (em inglês). Com outras nações importando fortunas em mercadorias e utensílios, a Rainha Elizabeth (em inglês) decidiu que a Inglaterra deveria lucrar também. Dessa forma, concedeu a carta patente à Companhia das Índias Orientais.

Queen Elizabeth I
Hulton Archive/Getty Images
A rainha Elizabeth I concedeu a carta patente à Companhia das Índias Orientais

A rainha Elizabeth (em inglês) não fez uso somente de decretos reais e fundos do tesouro para ajudar mercadores e exploradores a expandir mercado em nome da Inglaterra no oriente. A carta patente que ela emitiu criou a primeira sociedade anônima oficial. Uma sociedade anônima é composta de investidores que recebem ações na companhia. Em troca do investimento inicial, os acionistas recebem dividendos ou porcentagens dos lucros da companhia de acordo com o número de ações detidas pelo investidor.

Ações e dividendos não eram conceitos novos na Inglaterra. Vinte anos antes da carta patente da EIC, a Rainha Elizabeth já era a maior acionista do navio de Francis Drake (em inglês), o Golden Hind. Embora não se saiba quanto ela ganhou com as viagens de Drake ao Novo Mundo, o próprio capitão teve 5.000% de lucro sobre seu investimento inicial [fonte: Hartmann].

Uma sociedade anônima como a criada pela Rainha Elizabeth na Companhia das Índias Orientais não representou um grande salto financeiro, mas foi a primeira do gênero. Depois do estabelecimento da EIC, seus concorrentes holandeses, franceses, entre outros, seguiram o exemplo. Mas a concessão da carta patente à EIC não foi a única contribuição que a Rainha Elizabeth deixou de legado para o protótipo das corporações modernas.

Sob o poder de sua autoridade real, Elizabeth também limitou os passivos dos investidores da EIC, inclusive os dela. Isso tornou a EIC a primeira Companhia de Responsabilidade Limitada do mundo (também conhecida como LLC nos Estados Unidos e como Ltd. no Reino Unido). Sendo uma LLC, os investidores da corporação ficam protegidos de perder mais dinheiro do que foi inicialmente aplicado no empreendimento. Se a companhia falir, os investidores apenas perdem a quantia investida na LLC. As dívidas não liquidadas da companhia não são divididas entre seus investidores [fonte: Receita Federal (em inglês)].

A Rainha Elizabeth cobria qualquer perda ou dívida contraída pela Companhia das Índias Orientais com o tesouro real. As LLCs modernas estão sujeitas a procedimentos de falência, no qual credores são obrigados a dar todo seu dinheiro se a companhia falir.

Embora tenha levado diversas décadas para se tornar realmente lucrativa, a Companhia das Índias Orientais passou a dominar o mundo tanto em termos de negócios como de governo assim que superou esse estágio. Como em uma simbiose, conforme o poder da companhia aumentava, assim também acontecia com a Inglaterra (em inglês). Dessa forma, não é de surpreender que, durante sua existência, a companhia esteve diretamente envolvida em grandes mudanças geopolíticas: a EIC literalmente mudou o curso da história. Duas nações, a Índia (em inglês) e os Estados Unidos (em inglês), rebelaram-se contra o sistema da Companhia das Índias Orientais, levando à criação de suas atuais estruturas políticas.

Veja na próxima página como a companhia, inadvertidamente, criou os Estados Unidos.