Crescer e multiplicar apesar dos conflitos
Para o Instituto Socioambiental (ISA), os 225 povos indígenas contemporâneos no Brasil somam cerca de 600 mil pessoas, o correspondente aproximado a 0,2% da população total do país. Em estimativas feitas pelo IBGE, contam-se 730 mil índios. As diferenças entre os números do ISA e do IBGE devem-se, principalmente, à metodologia usada na contagem dos índios. A identificação de etnias nos institutos é diferente em alguns aspectos antropológicos. A última contagem dos povos indígenas revelou que
esta população tem crescido, em média, 3,5% ao ano, muito mais do que a média de 1,6% estimada para o período de 1996 a 2000 para a população brasileira em geral.
Além de crescer e se multiplicar, os índios estão se organizando politicamente para reivindicar seus direitos e estruturar melhor suas sociedades. O antropólogo Bruce Albert, pesquisador do ISA, revela que há atualmente, mais de 180 línguas e dialetos dos povos indígenas no Brasil.
Segundo o censo escolar realizado pelo Ministério da Educação e Cultura em 2006,
o número de escolas indígenas cresceu 40% de 2002 até aquele ano. Essa pesquisa revelou que há
2.423 escolas reconhecidas como indígenas pelo Conselho Nacional de Educação.
Existem mais de
173 mil alunos em escolas indígenas, cursando desde a educação infantil até o ensino médio. Em 2002, esse número era 35,2% menor, o que indica um crescimento de aproximadamente 8% ao ano – expansão mais expressiva do que qualquer outro segmento da população escolar do país no período.
Em Roraima, existem 217 escolas indígenas estaduais e 15 municipais espalhadas por terras indígenas pelo estado. A Universidade Federal de Roraima (UFRR), com apoio da Funai, oferece o curso de Licenciatura Intercultural com formação específica para professores indígenas. O curso tem 220 alunos. Todos os anos é feito um vestibular que oferece 60 vagas para quatro anos de formação.
Iniciativas de escolas indígenas espalham-se por todo o país. A língua é a principal base de preservação da identidade e cultura desses povos. Mas, a demarcação e reconhecimento de seu território também. A maioria dos processos caminha e os índios têm suas terras legalizadas, mas há casos onde há fortes conflitos.
O fortalecimento da identidade indígena também transformou a forma como os índios se organizam. Existem hoje, só na Amazônia,
71 associações indígenas que lutam pelos seus direitos.
| As 10 línguas indígenas mais faladas do Brasil |
| Língua |
Número de estudantes |
| 1. Tikuna |
18.591 |
| 2. Guarani Kaiowá |
11.102 |
| 3. Guajajara (Tenetehára) |
9.261 |
| 4. Makuxí |
7.511 |
| 5. Nhengatú (Língua Geral Amazônica) |
5.990 |
| 6. Terena |
5.011 |
| 7. Akwén Xavante |
4.689 |
| 8. Kaingang do Paraná |
4.641 |
| 9. Mundurukú |
3.455 |
| 10. Wapixána |
3.170 |
| Fonte: Censo Escolar do MEC 2005 |