Sem contato
Índios isolados são todos os grupos indígenas ou indivíduos que vivem sem contato com o resto da população brasileira. Habitam o interior das florestas, principalmente a
Amazônia, sem estabelecer contato com as comunidades não-indígenas que os cercam.
Legalmente, o
Estatuto do Índio (Lei 6.001/73) define
índios como "todo indivíduo de origem e ascendência pré-colombiana, que se identifica e é identificada como pertencente a um grupo étnico cujas características culturais o distinguem da sociedade nacional". Nos termos do art. 4º, os índios são considerados como: isolados -
quando vivem em grupos desconhecidos ou de que se possuem poucos e vagos informes através de contatos eventuais com elementos da comunidade nacional.
A
Fundação Nacional do Índio (Funai) tem, desde 1987, um departamento específico para os índios isolados, que se chama
Coordenação Geral de Índios Isolados (CGII). De acordo com os levantamentos deste departamento, existiam em 2007 no Brasil
69 grupos de índios nesta condição.
Não se sabe ao certo o número exato de indivíduos, etnia ou mesmo a língua que falam. Desde a década de 1980 é
reconhecido o direito desses índios ao isolamento. Portanto, como explica Elias Bigio, coordenador geral dos CGII, o contato só é estabelecido em caso de extrema necessidade, como quando esses índios estão ameaçados pelas atividades das comunidades não-indígenas que os cercam, como madeireiros ou garimpeiros.
Diferentes experiências de contato O tipo de contato que os índios mantêm com os não-índios é um forte aspecto definidor de sua identidade, além da língua, etnia e ambiente em que vivem. Os contatos podem variar de pacíficos a violentos, antigos ou recentes, diretos com a população regional (fazendeiros, posseiros, madeireiros, garimpeiros, pescadores, garimpeiros etc.) ou mediado por alguma instituição, governamental ou não-governamental, laica ou religiosa.
Os primeiros contatos de muitos povos indígenas com os não-índios foi violento e conturbado, como aconteceu com os Rikbatsa , do Mato Grosso. Na década de 1950, até início de 60, eles sofreram oposição armada de seringalistas da região, além de madeireiros, mineradores e fazendeiros. Estes enfrentamentos levaram à dizimação de 75% da sua população.
Com outros povos, o contato foi amistoso. Os índios Kadiweu , do Mato Grosso do Sul, têm na memória, com orgulho, a sua participação na Guerra do Paraguai, no Exército brasileiro, ao lado dos não-índios.
Muitas vezes, a relação inicial entre índios e não-índios, marcada pelo enfrentamento hostil, pode dar lugar a relações razoavelmente pacíficas e até mesmo desejáveis. Atualmente, muitos povos indígenas fazem parcerias com organizações de apoio da sociedade civil brasileira. Os vários povos do Parque Indígena do Xingu, por exemplo, contam com projetos na área de saúde, liderados pela
Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp) - antiga Escola Paulista de Medicina, e de educação, alternativas econômicas, fiscalização e vigilância, promovidos pelo
Instituto Socioambiental (ISA).
A posição que cada etnia ocupa na sociedade brasileira é bastante variável. Existem povos que trabalham no mercado regional e são assalariados, como os Guarani-Kaiowá, envolvidos no corte de cana-de-açúcar para as destilarias de álcool do estado do Mato Grosso do Sul. Há aqueles que vivem em centros urbanos, como famílias de Sateré-Mawé na periferia de Manaus e os Pankararu, migrantes do estado de Pernambuco, que hoje habitam a favela Real Parque, em São Paulo.
Em oposição àqueles que participam intensamente de várias esferas da sociedade brasileira, estão aqueles grupos ou indivíduos indígenas que se recusam ao contato com a população não-indígena. Segundo levantamento da Funai, existem evidências de 69 grupos de índios isolados no Brasil.