Para leigos- e mesmo para muitos médicos - a morte do paciente é o ato terminal, a partir do qual nada mais de importante acontecerá, e a declaração de óbito é uma obrigação legal para fins de seguro, previdência e herança. Trata-se de desconhecimento de fato importante decorrente da boa declaração de óbito: as estatísticas de mortalidade.
Utilizar as causas de mortalidade para promover o planejamento de ações de saúde pública não é tarefa tão recente quanto se pensa. Desde o século 17, quando John Graunt publicou na Inglaterra a obra Observations on the Bills of Mortality (em português, “Observações sobre os dados de mortalidade”) a prática de catalogar e analisar as causas de morte tornou-se parte obrigatória da saúde pública.
No Brasil, os dados de mortalidade foram bem coletados em São Paulo e no Rio de Janeiro desde o final do século 19. Porém, o Sistema de Informação em Mortalidade somente seria criado em 1977 pelo Ministério da Saúde. Hoje, um órgão do Ministério, o Datasus, disponibiliza em uma plataforma muito amigável todas as informações desde 1979 até 2004 (em breve haverá dados também de 2005).