Imigração ilegal

As estimativas variam muito no que diz respeito a quantos imigrantes ilegais estão vivendo nos EUA. Alguns especialistas afirmam que são 7 milhões, ao passo que outros dizem que esse número chega a 20 milhões [ref - em inglês]. Enquanto a Polícia de Fronteira dos EUA captura muitas pessoas que tentam entrar sorrateiramente no país, outras são contrabandeadas para o EUA dentro de contêineres de carga ou em veículos que cruzam a fronteira. Alguns cubanos usam botes artesanais e tentam navegar os 150 quilômetros de água até o sul da Flórida. Outros migrantes se arriscam a passar por desidratação, intempéries, terrenos difíceis e animais selvagens ao tentar cruzar a extensa fronteira entre os EUA e o México.

Todos esses métodos são muito perigosos e todos os anos morrem pessoas que tentaram entrar nos EUA. Desde 1994, quando uma cerca foi erguida abrangendo partes da fronteira entre a Califórnia e o México, cerca de 3 mil pessoas morreram tentando cruzar o estado sulista do Arizona.

Uma placa de imigração na fronteira entre os EUA e o México
Foto cedida stock.xpert
Placas como essa podem ser encontradas próximo à fronteira entre os EUA e o México, advertindo os motoristas a tomar cuidado com imigrantes ilegais atravessando a estrada

Ao entrar nos EUA, muitos imigrantes ilegais se encontram com amigos ou com a família, sendo que parte desses amigos ou da família pode estar vivendo legalmente no país. Embora seja contra a lei contratar imigrantes ilegais, muitos empregadores o fazem porque, em geral, esses imigrantes exercerão trabalhos servis e com baixos salários que outras pessoas não querem desempenhar, como colher grãos ou ser zelador.

Apesar de os imigrantes ilegais geralmente fazerem os trabalhos que os norte-americanos não querem, algumas pessoas reclamam de que esse tipo de imigrante não paga impostos e, com freqüência, envia seus rendimentos para amigos e família nos seus países de origem, em vez de contribuir para a economia local.

Uma solução potencial proposta é um programa de "trabalhador convidado" que permitiria aos empregadores contratar um estrangeiro caso nenhum norte-americano fosse encontrado para a função. O estrangeiro poderia trabalhar em um período determinado, talvez três anos, e seria acompanhado por um sistema federal. Provavelmente o trabalhador teria de pagar alguns impostos enquanto estivesse nos EUA e ele receberia alguns incentivos para voltar para casa depois que a permissão obtida como trabalhador convidado expirasse. Os possíveis incentivos incluem oferecer benefícios de aposentadoria que só podem ser obtidos no país de origem do trabalhador.

A fronteira
As fronteiras dos Estados Unidos são policiadas pelo CBP - U.S. Customs and Border Protection (Proteção das Fronteiras e das Alfândegas dos EUA). A CBP protege principalmente contra a imigração ilegal, o contrabando de pessoas, armas e drogas, além de insetos e outras pragas que poderiam prejudicar a agricultura. A Polícia de Fronteira protege mais de 9.677 quilômetros de fronteiras e 3.225 quilômetros de águas costeiras, utilizando pontos de verificação, veículos aéreos e terrestres e um equipamento de vigilância de alta tecnologia. A Polícia de Fronteira também permite que cerca de 1,2 milhão de pessoas entre legalmente nos Estados Unidos todos os dias e é responsável pela arrecadação alfandegária.

Se a Polícia de Fronteira tem milhares de empregados e um equipamento tão sofisticado, então por que sempre ouvimos falar sobre "pessoas que cruzaram a fronteira ilegalmente"? Bem, em primeiro lugar, a polícia tem de cobrir uma grande área. Os EUA têm fronteiras muito extensas e designar uma pessoa para cobrir cada centímetro da fronteira é quase impossível. E, embora  muitas pessoas que tentam cruzar as fronteiras sejam capturadas, muitas outras conseguem entrar nos Estados Unidos ilegalmente todos os anos (500 mil, de acordo com algumas estimativas), o que aumenta muitas preocupações, incluindo o terrorismo.

Em setembro de 2006, o Congresso aprovou um orçamento para a construção de 1.129 quilômetros de cercas ao longo da fronteira do México. Desde 1994, o governo dos EUA constrói uma cerca em partes da fronteira entre a Califórnia e o México, embora ela ainda não esteja terminada. Apesar de a nova cerca ser muito ambiciosa, talvez ela nunca seja construída. Construir 1.129 quilômetros de cerca seria extremamente caro. As estimativas giram em torno de US$ 4 a 8 bilhões para uma cerca física; uma "cerca virtual", que usa uma tecnologia de vigilância sofisticada, poderia custar até US$ 37 bilhões! Além do custo, há um dano potencial à preservação da vida selvagem e as rotas migratórias dos animais, como leões da montanha, veados e coiotes, seriam interrompidas. Além disso, muitas tribos indígenas norte-americanas possuem reinvindicações de terras que a cerca proposta atravessaria. Outros opositores da cerca a chamam de "novo muro de Berlim" e dizem que, para um país que deve muito de seu sucesso às contribuições dos imigrantes, essa não é a mensagem correta para enviar [ref - em inglês].

Parte da cerca da fronteira entre os EUA e o México
Foto cedida stock.xpert
O Congresso aprovou um orçamento para estender essa cerca de forma a abranger toda a fronteira entre os EUA e o México, mas resta a pergunta: ela será construída algum dia?

Alguns grupos consideraram a cerca da fronteira tão importante que querem construí-la sozinhos. The Minutemen Civil Defense Corps, um dos muitos grupos civis que "policia" a fronteira, começou a construir uma cerca por conta própria ao longo de 16,12 quilômetros de terra no Arizona. Em novembro de 2006, eles concluíram cerca de 620 metros da cerca planejada, contando com doações do público para pagar os materiais.