Uma breve história da astrologia

A natureza de Marte é predominantemente secar e queimar, em conformidade com sua cor ígnea e por sua proximidade com o Sol, porque a esfera do Sol se assenta logo abaixo dele.

- Cláudio Ptolomeu, Tetrabiblos

 

Os sistemas astrológicos primitivos se preocupavam com os padrões climáticos, as estações e as colheitas. Como os humanos primitivos não compreendiam as causas dos fenômenos como os eclipses ou o movimento retrógrado dos planetas (site em inglês), eles criavam histórias que eram transmitidas por centenas de gerações e que tentavam explicá-las em um contexto compreensível para eles. As formas das estrelas e os próprios planetas se tornaram deuses. Ou, pelo menos, símbolos dos deuses. Toda cultura antiga tinha alguma forma de ciência/religião que se preocupava com os padrões de movimento das estrelas. Nesse ponto, a astronomia e a astrologia eram indistintas. Os antigos cientistas observavam e registravam os padrões que viam no céu (astronomia) e, em seguida, extrapolavam essas observações para se encaixar em sua cosmologia e experiências de vida (astrologia).

As culturas maia, asteca e inca da América do Sul possuíam astrologias complexas baseadas em um zodíaco de base 20, incluindo símbolos como a onça, o terremoto, o macaco, a chuva e o cachorro (Snodgrass, pág. 13). Esses sistemas não foram transmitidos ou incorporados na moderna astrologia porque as próprias civilizações se extinguiram.

Os chineses haviam desenvolvido um dos mais complexos sistemas astrológicos por volta de 1000 a.C., com alguns caracteres escritos em língua chinesa correspondendo a suas constelações. Esse sistema combinava 24 divisões do ano com um zodíaco lunar de 28 partes, assim como 12 ramificações que correspondem a um animal (Campion, pág. 13). Acredita-se que alguém nascido em um determinado ano possua certas características. Por exemplo, 2007 é o Ano do Porco. Cada ano possui um elemento associado a ele, delineando ainda mais a personalidade de alguém. O símbolo do Ano do Porco é o fogo sobre a água.

Nos séculos 16 e 17, missionários jesuítas trouxeram a astrologia ocidental à China, onde ela foi incorporada em alguma extensão ao sistema chinês tradicional. A astrologia chinesa atual é um sistema simplificado que considera somente os anos dos animais.


Foto cedida
Mapa astrológico chinês atual

O próprio zodíaco ocidental, o alicerce de boa parte da astrologia, seguiu um caminho tortuoso antes de se tornar o sistema com o qual a maioria de nós está familiarizada. Os babilônios costumavam receber o crédito pela criação do sistema básico, designando determinadas características aos planetas conhecidos por eles. Essas características se baseavam nas observações dos babilônios e suas idéias metafóricas sobre o que essas observações significavam. Porque Marte, que era chamado de Nergal, era observado como vermelho, e o sangue é vermelho, eles alinhavam Marte com a guerra. Ishtar, ou Vênus, aparecendo no começo da noite quando os apaixonados provavelmente passavam algum tempo juntos ao ar livre, passou a representar o amor e a fertilidade. Mercúrio, difícil de localizar e de movimento rápido, foi associado com a falsidade e a velocidade (Snodgrass, pág. 17).

Esse sistema geral absorveu influências de diversas culturas que habitaram o Mediterrâneo e o Oriente Médio há milhares de anos. Os nomes específicos para o moderno zodíaco ocidental vieram dos gregos. A própria palavra zodíaco vem do radical grego zoe, ou vida.

Ciência ou superstição?
Alguns astrólogos afirmam que praticam uma verdadeira ciência com resultados verificáveis. Se as forças que são medidas e estudadas pelos astrólogos existem de fato, então experimentos repetidos deveriam mostrar que os padrões das estrelas e planetas realmente afetam o curso da vida das pessoas.

Outra escola de pensamento sobre a astrologia sugere que as forças envolvidas na astrologia existem além da ciência, em um domínio quase religioso que envolve a alma de uma pessoa. Ou talvez as influências se estendam a uma outra dimensão etérea onde as leis da ciência não têm validade. Nesse caso, a crença no poder da astrologia é apenas isso: uma crença. Assim como a crença em um deus ou deuses, ela não pode ser provada nem refutada.

Talvez a crítica mais importante da viabilidade científica da astrologia seja o estudo empírico que descobriu que as predições astrológicas não são melhores do que as chances do acaso. As taxas de divórcio não se correlacionam com a compatibilidade astrológica. Os signos solares não mostram uma probabilidade maior de seguir uma carreira do que outra. Pessoas que lêem horóscopos tendem a achar que o horóscopo se aplica a elas quando os termos da leitura são invertidos (ou seja, ao invés de dizer "você é uma pessoa que sai muito, ativa", ele poderia dizer "você tende a ser calado e zeloso de sua privacidade"). Esses e outros estudos são descritos em Astronomical Society of the Pacific (Sociedade Astronômica do Pacífico): educação (site em inglês).


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