O movimento

Contra a discriminação
Para compreender a importância do movimento pelos direitos civis você precisa considerar o que exatamente são os direitos civis. Você ouve falar em certos direitos civis o tempo todo, como, por exemplo, a liberdade de expressão. Alguns outros são:

  • liberdade para não servir involuntariamente
  • liberdade de congregação
  • direito de voto
  • direito de tratamento adequado e igual em locais públicos
Quando se nega a um indivíduo qualquer um desses direitos com base no seu sexo, raça, crença religiosa ou idade, isso é considerado discriminação. O governo americano criou vários estatutos para contrapor práticas discriminatórias. Veja o que diz a seção 601 do Ato dos Direitos Civis de 1964, 78 Stat. 252, 42 U.S.C. 2000d.
"Nenhuma pessoa nos Estados Unidos deve, com base na raça, cor ou nacionalidade, ser excluída da participação, ter seus benefícios negados ou ser sujeita à discriminação em qualquer programa ou atividade que receba assistência financeira federal".
Esta lei em particular afeta muitas áreas da vida, mas para dar um exemplo concreto: ela assegura que os estudantes, independente de seu sexo, raça ou credo, que queiram freqüentar uma universidade pública (uma instituição que receba assistência financeira federal) terão a devida consideração para admissão durante o processo de matrícula.

Um turbilhão de mudanças
As décadas de 50 e 60 são consideradas as décadas do movimento pelos direitos civis. Foi  nesse período que o Dr. Martin Luther King Jr. se dedicou completamente ao movimento pelos direitos civis, bem estar humano, paz mundial e luta contra a pobreza. Ao fazer isso, ele enfrentou várias prisões e atos de violência não merecidos, incluindo bombas, um apedrejamento e um esfaqueamento.

A segunda metade da década de 60 viu uma mudança no enfoque de King, dos direitos civis para questões socioeconômicas e de paz. Embora tenha sido concebida originalmente em 1962, foi durante o final da década de 60 que a "Operação Cesta de Pão" decolou, tornando-se um programa nacional. A meta da Operação Cesta de Pão era melhorar as condições econômicas. Em 1966, King pediu a seu assistente Jesse Jackson (em inglês), que comandasse a divisão de Chicago da Operação Cesta de Pão. Jackson logo obteve sucesso quando conseguiu a cooperação de várias empresas nacionais que concordaram em empregar trabalhadores negros e vender linhas de produtos pertencentes a negros.

A filosofia de King sobre a paz e sua oposição aberta à Guerra do Vietnã estão evidentes em um discurso intitulado "Permanecendo Acordados Durante a Grande Revolução", feito em 31 de março de 1968, na Catedral Nacional, poucos dias antes da sua morte. Veja abaixo um trecho. 

"A humanidade precisa pôr um fim à guerra ou a guerra porá fim à humanidade, e o melhor modo de começar é acabar com a guerra no Vietnã. Isso já não é uma escolha, meus amigos, entre violência e não violência. Trata-se de não violência ou não violência. E a alternativa para o desarmamento, a alternativa para uma maior suspensão de testes nucleares, a alternativa para o fortalecimento das Nações Unidas e, portanto, o desarmamento do mundo inteiro, pode bem ser uma civilização mergulhada no abismo da aniquilição e nosso habitat terreno sendo transformado em um inferno que nem Dante poderia imaginar".

Para King, a parte inicial dessa década foi preenchida com atividades, todas elas culminando em dois eventos que se tornaram marcos, o Ato do Direito de Voto de 1965 (em inglês) e o Ato dos Direitos Civis de 1964.


Imagem cedida por National Archives and Records Administration
Foto de LBJ Library Yoichi Okamoto

Presidente Lyndon B. Johnson e Martin Luther King Jr. no gabinete da Casa Branca

Em 2 de junho, King estava ao lado do presidente Johnson enquanto ele assinava o Ato dos Direitos Civis de 1964. Dr. King e um grande número de ativistas e apoiadores dos direitos civis tiveram no novo Ato uma resposta ao seu pedido coletivo de justiça.

"Para fazer cumprir o direito constitucional de voto, para conferir jurisdição sobre as cortes distritais dos Estados Unidos para que proporcionem alívio obrigatório contra a discriminação em acomodações públicas, para autorizar o Procurador Geral a instituir processos judiciais, para proteger os direitos constitucionais nos estabelecimentos públicos e na educação pública, para estender a Comissão sobre Direitos Civis, para prevenir a discriminação nos programas assistidos federalmente, para estabelecer uma Comissão para Igualdade de Oportunidades de Emprego e para outros propósitos.

Seja isso sancionado pelo Senado e Congresso dos Estados Unidos da América. Que este Ato possa ser citado como o Ato dos Direitos Civis de 1964".

Mostramos abaixo alguns dos eventos que precipitaram o Ato dos Direitos Civis de 1964.

  • Junho de 1964 - três jovens que lutavam pelos direitos civis, Michael Schwerner, Andrew Goodman e James Chaney, são assassinados no Mississippi. Os três jovens estavam no Mississippi para ajudar com o registro dos eleitores negros.

  • 3 de maio de 1963 - um grupo de aproximadamente 2.500 jovens em uma manifestação pacífica é cercado por potentes jatos de água, cachorros e policiais portando cacetetes. O tumulto que se segue vira manchete nos jornais nacionais e internacionais, com fotografias impressionantes.

  • 16 de abril de 1963 - em resposta a um apelo feito pelos pastores brancos para que os protestos parassem, Dr. King responde de dentro da cadeia, onde havia sido sentenciado a 11 dias de prisão, com a "Carta da Cadeia de Birmingham".

    "Vocês deploram as manifestações que estão ocorrendo em Birmingham. Mas sua colocação, sinto dizer, não expressa uma preocupação similar com as condições que desencadearam tais manifestações. Estou certo que nenhum de vocês conseguiria descansar feliz com o tipo superficial de análise social que lida meramente com os efeitos e não se apodera das causas subjacentes. É triste que estejam ocorrendo manifestações em Birmingham, mas é ainda mais triste que a estrutura de poder branco da cidade deixe a comunidade negra sem outra alternativa".

  • 1962 - o presidente Kennedy ordena que policiais federais escoltem até o campus James Meredith, o primeiro estudante negro a se matricular na Universidade do Mississipi. Deflagra-se um tumulto e dois estudantes são mortos antes que a guarda nacional chegue para ajudar os policiais.

  • King e outros membros da Southern Christian Leadership Conference (SCLC) lançam a campanha de Birmingham. Durante uma série de encontros, Dr. King explica sua crença na resistência não violenta e propõe um chamado geral para a ação de voluntários para essa campanha. Seus métodos de resistência incluem marchas para City Hall, um boicote aos comerciantes de Birmingham e a ocupação de refeitórios locais.
Em 1960, Dr. King deixa seu cargo de pastor da Igreja Batista Dexter Avenue e se muda para Atlanta para se dedicar completamente ao movimento pelos direitos civis. Nessa época, King já trabalhava com a Southern Christian Leadership Conference (SCLC) há três anos. A SCLC foi fundada após o sucesso da Montgomery Improvement Association (MIA), acabando com a segregação no sistema de ônibus em Montgomery.

Em Dezembro de 1955, Rosa Parks, uma costureira negra de 43 anos de idade e secretária do escritório local da NAACP, recusou-se a ceder seu assento no ônibus para um homem branco. Como conseqüência, ela foi presa. Em resposta à prisão de Parks, vários líderes comunitários, incluindo Martin Luther King Jr., organizaram o Boicote ao ônibus de Montgomery. O boicote continuou, e em dezembro de 1956, pouco mais de um ano após seu início, a Suprema Corte dos Estados Unidos declarou as leis de segregação do Alabama inconstitucionais. Os ônibus de Montgomery deixaram de ser segregados. A liderança do Dr. King no boicote atraiu atenção nacional.

Influência pacífica
Antes do seu trabalho com a MIA, King estava terminando seus estudos. Ele freqüentou Morehouse College em Atlanta e depois continuou seus estudos no Crozer Theological Seminary, na Pensilvânia. Enquanto trabalhava para obter seu PhD em Teologia Sistemática na Boston University, que ele obteve em 1955, King ficou fascinado com Mohandes (Mahatma) Gandhi e sua estratégia de mudança social sem violência.

Por fim, como ocorreu com muitos outros humanitários bem sucedidos (como Nelson Mandela e Kwame Nkrumah), foi a filosofia de Gandhi que inspirou a participação de King no movimento pelos direitos civis. De fato, em 1959, após retornar de uma visita de um mês à Índia, King comparou os problemas raciais dos Estados Unidos com o sistema de castas na Índia.