Contra a discriminação
Para compreender a importância do movimento pelos direitos civis você precisa considerar o que exatamente são os direitos civis. Você ouve falar em certos direitos civis o tempo todo, como, por exemplo, a liberdade de expressão. Alguns outros são:
"Nenhuma pessoa nos Estados Unidos deve, com base na raça, cor ou nacionalidade, ser excluída da participação, ter seus benefícios negados ou ser sujeita à discriminação em qualquer programa ou atividade que receba assistência financeira federal".Esta lei em particular afeta muitas áreas da vida, mas para dar um exemplo concreto: ela assegura que os estudantes, independente de seu sexo, raça ou credo, que queiram freqüentar uma universidade pública (uma instituição que receba assistência financeira federal) terão a devida consideração para admissão durante o processo de matrícula.
Um turbilhão de mudanças
As décadas de 50 e 60 são consideradas as décadas do movimento pelos direitos civis. Foi nesse período que o Dr. Martin Luther King Jr. se dedicou completamente ao movimento pelos direitos civis, bem estar humano, paz mundial e luta contra a pobreza. Ao fazer isso, ele enfrentou várias prisões e atos de violência não merecidos, incluindo bombas, um apedrejamento e um esfaqueamento.
A segunda metade da década de 60 viu uma mudança no enfoque de King, dos direitos civis para questões socioeconômicas e de paz. Embora tenha sido concebida originalmente em 1962, foi durante o final da década de 60 que a "Operação Cesta de Pão" decolou, tornando-se um programa nacional. A meta da Operação Cesta de Pão era melhorar as condições econômicas. Em 1966, King pediu a seu assistente Jesse Jackson (em inglês), que comandasse a divisão de Chicago da Operação Cesta de Pão. Jackson logo obteve sucesso quando conseguiu a cooperação de várias empresas nacionais que concordaram em empregar trabalhadores negros e vender linhas de produtos pertencentes a negros.
A filosofia de King sobre a paz e sua oposição aberta à Guerra do Vietnã estão evidentes em um discurso intitulado "Permanecendo Acordados Durante a Grande Revolução", feito em 31 de março de 1968, na Catedral Nacional, poucos dias antes da sua morte. Veja abaixo um trecho.
"A humanidade precisa pôr um fim à guerra ou a guerra porá fim à humanidade, e o melhor modo de começar é acabar com a guerra no Vietnã. Isso já não é uma escolha, meus amigos, entre violência e não violência. Trata-se de não violência ou não violência. E a alternativa para o desarmamento, a alternativa para uma maior suspensão de testes nucleares, a alternativa para o fortalecimento das Nações Unidas e, portanto, o desarmamento do mundo inteiro, pode bem ser uma civilização mergulhada no abismo da aniquilição e nosso habitat terreno sendo transformado em um inferno que nem Dante poderia imaginar".
Para King, a parte inicial dessa década foi preenchida com atividades, todas elas culminando em dois eventos que se tornaram marcos, o Ato do Direito de Voto de 1965 (em inglês) e o Ato dos Direitos Civis de 1964.
![]() Imagem cedida por National Archives and Records Administration Foto de LBJ Library Yoichi Okamoto Presidente Lyndon B. Johnson e Martin Luther King Jr. no gabinete da Casa Branca |
Em 2 de junho, King estava ao lado do presidente Johnson enquanto ele assinava o Ato dos Direitos Civis de 1964. Dr. King e um grande número de ativistas e apoiadores dos direitos civis tiveram no novo Ato uma resposta ao seu pedido coletivo de justiça.
"Para fazer cumprir o direito constitucional de voto, para conferir jurisdição sobre as cortes distritais dos Estados Unidos para que proporcionem alívio obrigatório contra a discriminação em acomodações públicas, para autorizar o Procurador Geral a instituir processos judiciais, para proteger os direitos constitucionais nos estabelecimentos públicos e na educação pública, para estender a Comissão sobre Direitos Civis, para prevenir a discriminação nos programas assistidos federalmente, para estabelecer uma Comissão para Igualdade de Oportunidades de Emprego e para outros propósitos.
Seja isso sancionado pelo Senado e Congresso dos Estados Unidos da América. Que este Ato possa ser citado como o Ato dos Direitos Civis de 1964".
Mostramos abaixo alguns dos eventos que precipitaram o Ato dos Direitos Civis de 1964.
"Vocês deploram as manifestações que estão ocorrendo em Birmingham. Mas sua colocação, sinto dizer, não expressa uma preocupação similar com as condições que desencadearam tais manifestações. Estou certo que nenhum de vocês conseguiria descansar feliz com o tipo superficial de análise social que lida meramente com os efeitos e não se apodera das causas subjacentes. É triste que estejam ocorrendo manifestações em Birmingham, mas é ainda mais triste que a estrutura de poder branco da cidade deixe a comunidade negra sem outra alternativa".
Em Dezembro de 1955, Rosa Parks, uma costureira negra de 43 anos de idade e secretária do escritório local da NAACP, recusou-se a ceder seu assento no ônibus para um homem branco. Como conseqüência, ela foi presa. Em resposta à prisão de Parks, vários líderes comunitários, incluindo Martin Luther King Jr., organizaram o Boicote ao ônibus de Montgomery. O boicote continuou, e em dezembro de 1956, pouco mais de um ano após seu início, a Suprema Corte dos Estados Unidos declarou as leis de segregação do Alabama inconstitucionais. Os ônibus de Montgomery deixaram de ser segregados. A liderança do Dr. King no boicote atraiu atenção nacional.
Por fim, como ocorreu com muitos outros humanitários bem sucedidos (como Nelson Mandela e Kwame Nkrumah), foi a filosofia de Gandhi que inspirou a participação de King no movimento pelos direitos civis. De fato, em 1959, após retornar de uma visita de um mês à Índia, King comparou os problemas raciais dos Estados Unidos com o sistema de castas na Índia. |