Homens: conversando e aprendendo

Autor: 
Tracy V. Wilson

Na escola, as crianças normalmente discutem quem é melhor e mais esperto: meninos ou meninas. Muitos versinhos infantis falam sobre a superioridade de um sexo sobre o outro. Existe até um livro para garotas que diz: "Garotos são idiotas. Jogue pedras neles".

A discussão sobre qual sexo é melhor não termina no pátio da escola. Professores, médicos, psicólogos e outros continuam a pesquisar as semelhanças e diferenças entre como homens e mulheres aprendem, se comunicam e se comportam. Normalmente, os estudos apontam em que os sexos se diferenciam, em vez de se concentrar em o que cada um é melhor do que o outro. Dois pontos comuns de disputa são como as pessoas se comunicam e como aprendem.

Um estudante do sexo masculino
Imagem cedida por Stock.xchng
Alguns pesquisadores acreditam que homens estão ficando para trás das mulheres nas escolas, mas a polêmica a respeito é grande 

Os homens estão mesmo ficando para trás das mulheres na escola?
Se você acredita em manchetes, garotos estão com problemas na escola. Alguns pesquisadores dizem que as salas de aula são estruturadas para recompensar as garotas, que tendem a ser mais quietas e mais capazes de ficar paradas por longos períodos. Outros acusam o aumento de situações como o Distúrbio de Déficit de Atenção (DDA), que é mais freqüente em garotos. Especialistas sugeriram até escolas separadas para garotos. Mas, segundo um artigo do Washington Post (em inglês) de 2006, tudo não passa de um grande mito.

Pesquisadores também estão observando quantos garotos vão para a escola e terminam os estudos. Atualmente, nos Estados Unidos, apenas 44% dos graduados são garotos, e esse número pode cair para 42% até o final da década [Fonte: Clayton]. Ou seja, mulheres ultrapassam homens em muitas escolas, e mais mulheres concluem cursos de quatro anos. Essa tendência nas admissões fez com que algumas escolas tentassem convocar mais homens para manter um equilíbrio entre os sexos nas salas de aula.

No entanto, pesquisas mostram que essa tendência não está relacionada ao menor número de homens indo para a faculdade. Aproximadamente 60% dos homens se inscrevem e iniciam cursos de dois a quatro anos depois de terminarem o ensino superior. Esse número está em constante crescimento desde 1980. No mesmo período, o número de homens que receberam um título de bacharel estabilizou-se em aproximadamente 25% [Source: Stepp].

Por outro lado, o número de mulheres indo para a faculdade tem aumentado. Em 1980, mais ou menos metade das mulheres ia para a faculdade nos Estados Unidos. Agora, aproximadamente 70% das mulheres vão e 29% tem um título de bacharel [Fonte: Stepp]. Ou seja, não é que menos homens estejam indo para a faculdade - as mulheres é que estão indo mais.

Homens detestam parar o carro para pedir informações?
 Segundo uma pesquisa da Scripps Howard News Service, metade dos homens prefere não parar para pedir informações. Isso pode ter a ver com a maneira como homens e mulheres dirigem. Mulheres tendem a basear-se em pontos de referência e a memorizar o caminho e lugares familiares. Homens tendem a usar padrões de estradas e paisagens pelos quais passam para encontrar o caminho [Fonte: Economist (em inglês)].

Homens e mulheres se comunicam de forma diferente?
Segundo livros de auto-ajuda e alguns analistas de casais, homens e mulheres se comunicam de forma tão diferente que poderiam ser de planetas distintos. Essa teoria diz que mulheres possuem vocabulário muito mais vasto e que o usam com mais fluência. Por outro lado, homens não gostam de conversar a respeito de sentimentos nem de dar o tipo de conforto que as mulheres gostam de receber em uma crise. Em vez de oferecer apoio para os sentimentos de outra pessoa, homens são supostamente desinteressados e preferem camuflar os problemas.

Existe muita informação contraditória sobre se alguma dessas coisas é verdadeira. Alguns artigos dizem que mulheres são mais fluentes que homens. Uma estatística comum é que mulheres falam 7 mil palavras por dia, ao passo que homens falam apenas 2 mil. Esses artigos, porém, não citam fontes para esses números [Fonte: Boston Globe (em inglês)]. Outra pesquisa (em inglês) sugere que mulheres usam a linguagem para construir relacionamentos, ao passo que os homens preferem participar de atividades. Isso poderia explicar a idéia de que mulheres são normalmente mais falantes. Finalmente, um estudo (em inglês) mostra que homens não necessariamente respondem com falta de interesse aos problemas alheios, mas são mais condenados caso o façam.

Pesquisas sugerem que existem algumas diferenças em como homens e mulheres processam e usam a linguagem. Porém, alguns relatórios (em inglês) afirmam que resultados de testes analisados mostraram mais pontos em comum que divergências. Portanto, embora possa haver alguma disparidade em como homens e mulheres se expressam, parece ser muito pequena para fazer alguma diferença.

Alguns estereótipos masculinos são relacionados ou resultantes de seus cérebros e corpos, ou até mesmo de seu DNA. A seguir, daremos uma olhada na neurologia e psicologia masculina.