Revitalizando a Grande Muralha

Até pouco tempo atrás, o governo chinês era relutante em desencorajar ou limitar o acesso de turistas à Grande Muralha por medo de que isso pudesse reduzir a renda da região. Porém, como se tornou cada vez mais evidente que a muralha estava em perigo, o governo, sob pressão de organizações como "Amigos Internacionais da Grande Muralha" e a "Sociedade da Grande Muralha da China" (em inglês), impôs leis e regulamentos para impedir danos e reparar adequadamente a estrutura. O Fundo dos Monumentos Mundiais incluiu a Grande Muralha em sua lista dos 100 Locais Mais Ameaçados do Mundo.

man walks along the Great Wall of China
Tom Stoddart/Getty Images
Organizações assumiram a responsabilidade de preservar a muralha, mas ela ainda não está fora de risco. Vai levar tempo até que todos reconheçam a importância desse monumento.

Em 2003, o Departamento Administrativo de Relíquias Culturais de Beijing decretou regulamentos para proteger a porção da muralha que fica em Beijing e que recebe entre cinco e seis milhões de turistas a cada ano [fonte: People's Daily Online]. O regulamento garante à organização a autoridade de proibir a construção - em um raio de 500 metros da muralha - de qualquer edifício que possa causar prejuízo estético ou vandalismo físico. Atividades aparentemente inocentes que têm efeitos negativos sobre a muralha foram proibidas. Entre essas atividades estão armar tendas, colher lenha, pastorear animais e montar postos para cobrar entrada de turistas.

Pouco depois de os regulamentos de Beijing terem sido decretados, o governo chinês estabeleceu a primeira lei nacional com o objetivo de proteger a Grande Muralha. O governo proibiu oficialmente atividades como a remoção de tijolos ou pedras da muralha, a promoção de raves ou festas no topo dela, gravação de palavras na muralha ou construção de casas muito próximas a ela. Raves, carros e inscrições na muralha se tornaram problemas tão grandes nos últimos anos que, em 2006, o governo instituiu multas de até US$ 62.500 para instituições e US$ 6.250 para infratores individuais. Além de decretar leis criadas para proteger a Grande Muralha de danos adicionais, o governo chinês também destinou fundos para garantir a preservação e a restauração do monumento em caráter contínuo. Defensores da causa encorajam os indivíduos a contribuir para com esses esforços de diversas maneiras, como plantando árvores, removendo lixo e assegurando-se de nunca retirar nada da muralha.

Graças a esses esforços, estabeleceu-se uma consciência sobre a importância da Grande Muralha como um monumento histórico de valor e beleza intrínsecos para a China e o mundo, o que efetivamente está ajudando a reverter séculos de negligência e de abuso. Infelizmente, em muitas das áreas menos metropolitanas ocupadas pela muralha, os habitantes não compreendem o valor cultural da estrutura. De fato, eles continuam a usar seus tijolos para construções de forma rotineira. Vários homens na Mongólia (em inglês) Interior foram até acusados de remover uma pilha de terra de uma parte especialmente antiga da muralha para usar como aterramento. De forma simples, muitas pessoas que estão apenas tentando sobreviver não se preocupam tanto com um monumento quanto se preocupam em cuidar de suas famílias.

Embora possa continuar sendo uma batalha difícil por muito tempo, a preservação da Grande Muralha foi adotada como uma questão da maior importância cultural e histórica, especialmente porque o monumento serve como um portal para a história documentada e cheia de detalhes das China.