A decadência da Grande Muralha

A Grande Muralha não é apenas um dos mais famosos monumentos que existem, mas também é o único monumento histórico marcado em mapas do mundo por cartógrafos. Compreensivelmente, a Grande Muralha é um ímã para o turismo: mais de 10 milhões de pessoas a visitam a cada ano [fonte: BBC News]. Embora o seu status como uma legítima atração turística resulte em receitas valiosas, o turismo e outros fatores cobraram um preço muito alto sobre a integridade estrutural e a estética da muralha.

Em primeiro lugar, é importante observar que já faz um bom tempo que a Grande Muralha não está exatamente em seu melhor estado. Depois da invasão Manchu por volta de 1700, ela foi abandonada como prioridade militar. Afinal, por que os Manchu iriam gastar tempo e energia em algo que havia falhado em mantê-los de fora? Como resultado, ela foi dominada pela vegetação e começou a se deteriorar em conseqüência de terremotos e de exposição à neve, ao vento e à chuva. Várias batalhas, desde desavenças com os hunos (em inglês) até os grandes ataques do Japão nos anos 30 e 40 também aceleraram o declínio dessa grande estrutura.

graffiti on the Great Wall of China
FREDERIC J. BROWN/AFP/Getty Images
Este arco na Grande Muralha da China está manchado com pixações, apesar de um aviso proibindo o vandalismo na muralha

Mesmo as atividades cotidianas dos habitantes locais contribuíram de forma substancial para a corrosão da Grande Muralha da China. O pastoreio e a coleta de lenha aceleraram o processo de deterioração após anos de abuso - os passos do gado e as ferramentas humanas desgastaram ainda mais a estrutura. Além disso, Mao Tse-tung tem alguma responsabilidade pelos danos: nos anos 50, ele incentivou o povo chinês a usar tijolos e outros componentes da muralha para construir casas. Equipes de construção de estradas chegaram até mesmo a abrir buracos em partes da muralha para construir rodovias.

Ironicamente, a indústria do turismo é um dos fatores que mais contribuem para a extinção desse monumento. Durante anos, os turistas têm levado pedaços e tijolos da muralha como suvenires, e ainda gravam seus nomes e apelidos na estrutura. Além disso, vários comerciantes se estabeleceram com lojas, teleféricos, estacionamentos, lanchonetes fast food e outros estabelecimentos a uma distância de poucos metros do monumento. Propagandas, sinais e serviços públicos aparecem em áreas de intenso tráfego ao longo da muralha e, além disso, o lixo e as pixações a desfiguram, bem como suas áreas adjacentes.

Turistas e moradores bem-intencionados assumiram para si a tarefa de restaurar partes da muralha, mas de maneira ilegítima e não confiávei. Como resultado de todos esses fatores, impressionantes 50% da Grande Muralha desapareceram por completo, com um remanescente de 30% em ruínas e meros 20% classificados como estando em condições "razoáveis" [fonte: Mooney].

A seguir, vamos aprender sobre algumas das iniciativas para restaurar a Grande Muralha.

Uma maravilha moderna

Em 2007, a Grande Muralha foi reconhecida e imortalizada como uma das sete maravilhas do mundo moderno. O concurso mundial foi implementado pela New7Wonders Foundation, uma organização dedicada a aumentar a consciência sobre as estruturas naturais e as construídas pelo homem no mundo. Mais de 100 milhões de votos ao redor do mundo foram recebidos por telefone e pela Internet. Os resultados do concurso não foram aprovados ou publicados pelas agências da herança chinesa, apesar do provável impacto dos resultados sobe o turismo. Outros candidatos para a ilustre nova lista foram o Coliseu (Roma), o Taj Mahal (Índia), a Estátua do Cristo Redentor (Brasil), a pirâmide de Chichen Itzá (México), Machu Picchu (Peru) e Petra (Jordânia). Acredita-se que as sete maravilhas originais foram determinadas por um autor grego da antiguidade.