Heidegger e o nazismo

No começo dos anos 30 o mundo mergulhava numa profunda depressão econômica devido aos efeitos do “crash” da Bolsa de Valores de Nova York em 1929. A difícil recuperação da Alemanha, que estava destroçada após o fim da Primeira Guerra Mundial, evaporou. Assim, uma nação mergulhada em angústia colocou no poder, em abril de 1933, o Partido Nacional-Socialista, sob o comando de Adolf Hitler.

No mês seguinte, Heidegger foi designado para ser o reitor da Universidade de Freiburg. Mas para assumir a reitoria, ele precisava ingressar no partido nazista. Isso não foi um problema. Logo, Heidegger colocou em prática as insanas determinações dos nazistas, como o expurgo dos professores judeus ou a negação da ciência “judaica”. Numa dessas atitudes, rompeu sua relação com Husserl, que era judeu, e sutilmente retirou a dedicatória ao ex-mestre das edições de “Ser e Tempo”.

Há sinais de que a entrada de Heidegger para o partido de Hitler foi mais do que carreirismo. Ele parecia simpatizar com algumas ideias nazistas. Segundo Heidegger, ele vira no nazismo a possibilidade de uma rememoração e renovação interna do povo e um caminho que iria permitir aos alemães descobrirem sua vocação histórica no mundo ocidental. Hannah Arendt escreveu para Heidegger indignada e incapaz de acreditar no que ouvira falar sobre seu mentor filosófico.

Talvez, por viver encastelado em seu aconchegante chalé alpino, Heidegger não tivesse plena consciência das consequências de sua adesão aos nazistas. Após um ano implementando as diretrizes do Ministério da Educação de Hitler como reitor da universidade, Heidegger repentinamente pediu demissão. Nos meses seguintes, revistas nazistas fizeram várias referências insultantes ao filósofo. Após essa experiência, ele se afastou pouco a pouco da política.

Nas décadas seguintes sua obra filosófica, que em nenhum momento traz alguma ideia nazista, foi bastante promovida nos Estados Unidos por Hannah Arendt, que tinha uma crescente reputação como filósofa política. Elas também se difundiram na Europa e influenciaram Jean-Paul Sartre, o mais popular filósofo do existencialismo. Em 26 de maio de 1976, Heidegger morreu aos 86 anos de idade.