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Hegel e a fenomenologia do espírito
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Hegel e a fenomenologia do espírito
Após três anos na Suíça, Hegel mudou-se para Frankfurt (Alemanha), onde seu amigo o poeta Hölderlin conseguiu-lhe um emprego de professor. Nessa época, Hegel estava lendo as obras de Spinoza, filósofo que a partir de poucos axiomas e definições básicas, elaborou, utilizando uma série de teoremas, um sistema infinito de extrema limpidez e racionalismo. Provavelmente influenciado pelo pensamento spinozista, Hegel teve uma visão: a percepção da unidade divina do cosmo, onde toda divisão finita era vista como ilusória, tudo era interdependente e a realidade última era o Todo.
Em 1801, o ainda amigo Schelling encorajou Hegel a juntar-se a ele no corpo docente da Universidade de Iena, uma das mais atraentes da Alemanha. Lá começou como “privatdozent”, um cargo cuja remuneração dependia da quantidade de alunos. Suas aulas confusas não atraíam tantos alunos e ele começou a enfrentar problemas financeiros. Foi necessária a intervenção de Goethe para que Hegel fosse nomeado “professor extraordinário” e conseguisse ter um salário decente. Nessa época, ele pôde avançar na elaboração de sua principal obra filosófica: “A fenomenologia do espírito”.
Só que além de finalizar seu trabalho mais perfeito e complexo, Hegel também acabou por engravidar sua senhoria. E após salvar os manuscritos de “A fenomenologia do espírito” da guerra entre as tropas de Napoleão e as alemãs, Hegel conseguiu publicar a obra em 1807. Nela ele revelava seu sistema filosófico, que incluía absolutamente tudo. E esse sistema se apóia no original método desenvolvido por Hegel: a dialética. A dialética começa com uma “tese”. A “tese” provoca o surgimento de seu oposto: a “antítese”. Mas assim como a “tese” a “antítese” também é inadequada. Então, os dois opostos se juntam para formar uma “síntese”. Essa síntese conserva o que há de racional tanto na tese como na antítese e pode virar uma nova tese, que gerará sua antítese e que juntas formarão uma nova síntese. E assim por diante, ascendendo a domínios cada vez mais racionais, até atingir o Conhecimento Absoluto, que, segundo Hegel, é o espírito conhecendo-se como espírito.
No ano seguinte a publicação, Hegel torna-se diretor do Gymnasium em Nuremberg. Nessa ocasião algo inacreditável aconteceu. Ele se apaixonou e foi correspondido. Marie Von Tucher, de 18 anos, pertencia a uma respeitável família local. Ela se casou com ele e aparentemente tiveram uma feliz vida conjugal e dois filhos.
No período em Nuremberg, Hegel escreveu “A ciência da lógica”, obra que na verdade trata da metafísica e do processo dialético, a partir de um enfoque histórico da filosofia. O livro o tornou famoso e em 1816 foi lecionar na Universidade de Heidelberg. Lá escreveu a “Enciclopédia das ciências filosóficas”, com o objetivo de que seus alunos a estudassem antes de frequentarem as aulas. Nela, ele elabora seu sistema que é uma espécie de monismo espiritual construído a partir de uma série de estruturas piramidais. No topo dessa estrutura há uma supertríade formada pela tese que é a “Ideia Absoluta”, sua antítese que é a “Natureza” e a síntese que é o “Espírito Absoluto” ou “Realidade Absoluta”. O método dialético atua ao longo de todo o processo. A verdade só pode ser conhecida após ter se diferenciado – gerado sua antítese – e superado esse fato.
Nos anos seguintes, como se a dialética aplicasse-se a ele próprio, Hegel, que saudou o espírito revolucionário no final do século 18, tornou-se praticamente o filósofo oficial do Império Prussiano, que àquela altura exercia seu poder sobre a Alemanha. Em 1830, ele foi nomeado reitor da Universidade de Berlim e no ano seguinte condecorado pelo rei Frederico Guilherme III. Em 1831, uma epidemia de cólera chegou a Berlim e em 14 de novembro Hegel, acometido pela doença, morreu.
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Editores do HowStuffWorks. "HowStuffWorks - Biografia de Hegel". Publicado em 12 de maio de 2009 (atualizado em 12 de maio de 2009) http://pessoas.hsw.uol.com.br/hegel2.htm (26 de novembro de 2009)