A juventude de Hegel
Georg Wilhelm Friedrich Hegel nasceu em 27 de agosto de 1770, em Stuttgart, na Alemanha. A época do seu nascimento é uma das mais fecundas intelectualmente e agitada politicamente na Europa. O continente vivenciava a atmosfera da véspera da Revolução Francesa, Immanuel Kant desenvolvia sua impactante filosofia metafísica, o Romantismo produzia suas primeiras obras e a Revolução Industrial começava a mudar as relações econômicas e sociais.
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Nesse ambiente, ele cresceria e produziria uma das mais complexas, herméticas e impactantes obras da filosofia. Tão difícil de ser compreendida, que o filósofo alemão Arthur Schopenhauer, uma das mentes mais brilhantes da época, comentou: “o cúmulo da audácia em oferecer um puro despropósito, em juntar labirintos de palavras sem sentido e extravagantes, antes vistas apenas em hospícios, foi finalmente alcançado em Hegel, tornando-se o instrumento da mais desavergonhada mistificação geral jamais ocorrida, com resultados que parecerão fabulosos à posteridade e permanecerão como um monumento à estupidez alemã”.
A infância de Hegel foi marcada por doenças e tragédias. Aos seis anos de idade a varíola quase o matou e deixou marcas em toda a sua pele. Quando tinha onze anos, uma grave febre acomete toda a sua família e acaba matando sua mãe. Na adolescência foi a malária que o deixou acamado pro vários meses. O jovem Hegel cresceu lendo muito e de tudo. De literatura a periódicos, todos os assuntos lhe interessavam, o que fez dele uma das pessoas mais eruditas de seu tempo. Erudição que iria transparecer em suas obras filosóficas numa montanha de citações e referências, algumas às vezes com erros desprezíveis que sinalizaram que ele utilizava sua memória enciclopédica para inseri-las sem recorrer às fontes.
Órfão de mãe e com um pai que foi ao que parece um tanto distante, Hegel desenvolveu uma grande afeição por sua irmã Christiane, três anos mais nova do que ele. Mas esse forte vínculo entre os dois teria consequências trágicas no futuro.
Quando tinha 18 anos, Hegel foi estudar Teologia na Universidade de Tübingen. Ao chegar lá, começou a se interessar profundamente pela filosofia e tornou-se um revolucionário romântico. Quando começou a
Revolução Francesa, para saudá-la ele plantou uma “Árvore da Liberdade” na praça do mercado junto com seu então colega de universidade Friedrich Schelling, que viria a ser no futuro um dos filósofos que mais combateria as ideias hegelianas.
A publicação de “A Crítica da Razão Pura”, de Kant, impressionou tanto a Hegel que ele a considerou o maior evento em toda a história da filosofia alemã. Ao mesmo tempo em que se aprofundava no pensamento kantiano, Hegel fez incursões na cultura grega antiga. Com uma erudição assombrosa para sua idade, Hegel concluiu a universidade em 1793, mas não manifestou nenhuma intenção de entrar na Igreja. Sua vontade era obter um posto acadêmico, mas o que conseguiu foi ser professor particular em Berna, na Suíça, onde solitariamente entrou em profunda comunhão com a natureza. Ele começava a se preparar para produzir uma das mais importantes obras da história da filosofia: “A fenomenologia do espírito”.