Começa a era do détente

Existem muitas explicações para a Guerra Fria nunca ter se tornado um conflito aberto. As memórias dos horrores da 2ª Guerra Mundial certamente tiveram seu papel. A maioria dos líderes mundiais experimentou a guerra diretamente e compreendeu sua natureza intransigente e destrutiva. As duas superpotências produziam cada vez mais armas de destruição, incluindo a "superbomba" (bomba de hidrogênio) em 1952, mas se tornavam mais temerosas a respeito de uma guerra aberta, pois sabiam que as armas nucleares e os mísseis intercontinentais poderiam produzir níveis terríveis de destruição mútua.

Em 1963, o teste nuclear em solo foi proibido. Em 1968, os Estados Unidos, a União Soviética, a Grã-Bretanha e 59 outras nações concordaram com um tratado de não-proliferação para prevenir o avanço das armas nucleares. Um ano depois, começaram as primeiras conversas sobre limitação de armas (SALT I). O período seguinte, chamado détente, produziu acordos extras sobre redução de armamentos.

Em 1975, o Tratado de Helsinque foi assinado por 33 países europeus, assim como pelos Estados Unidos e Canadá. O acordo comprometeu os signatários a aceitarem as fronteiras existentes da Europa, designadas nos anos 40, e a promoverem os direitos humanos. Em 1977, um acordo adicional foi realizado no Protocolo Adicional da Convenção de Genebra, e definiu uma proteção mais eficaz para os civis em relação aos efeitos da guerra. Nos anos 80, uma nova rodada de negociações (START) foi iniciada pelo presidente americano Ronald Reagan e levou a acordos mais abrangentes de limitação de armas em 1987.

Algumas das contribuições significativas para o longo período de paz foram a estabilização e a restauração da economia internacional. Um pouco da rivalidade e da violência dos anos de guerra foi abastecida por crises industriais e financeiras, pelo fechamento de mercados e por políticas econômicas de esgotamento de recursos vizinhos. Dos anos 40 aos 70, o mundo desenvolvido experimentou um boom econômico de escala sem precedentes. As novas áreas emancipadas da Ásia, do Oriente Médio e da África estimularam o boom demandando produtos industrializados e fornecendo em troca alimento e matéria-prima. O bloco soviético também experimentou altos níveis de desenvolvimento industrial planejado.

O boom foi resultante de cooperação internacional. Em 1947, um Acordo Geral de Comércio e Tarifas foi assinado e liberou o comércio mundial da camisa de força protecionista dos anos 30. O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional mantiveram a moeda mundial e os sistemas de comércio mais abertos e flexíveis enquanto as cooperações industriais modernas desenvolviam operações globais crescentes e mais sofisticadas. Na Europa, grandes novos blocos de comércio estimularam altos níveis de emprego e comercialização. Esses blocos incluíam a Comunidade Econômica Européia (precursora da União Européia), fundada em 1957, e a COMECON (Conselho para Assistência Econômica Mútua), estabelecida em 1949. O gerenciamento econômico, baseado em uma teoria macroeconômica, substituiu as tradições da economia liberal de livre mercado.

Entre os beneficiários mais surpreendentes do boom estavam a Alemanha, a Itália e o Japão. Os três ex-parceiros do eixo se tornaram grandes economias internacionais, totalmente integradas ao ocidente e compartilhando acesso aos recursos internacionais em termos iguais. Depois de 1945, não houve mais conversas sobre "espaço" territorial como resposta às dificuldades econômicas. O Japão e a Alemanha inseriram em suas constituições uma proibição sobre a utilização de suas forças armadas em qualquer atividade militar fora de suas fronteiras. Quando o boom econômico diminuiu na Alemanha (nos anos 80) e no Japão (nos anos 90), não houve um sério retrocesso político.

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