![]() Construído em 1961, o Muro de Berlim que dividia a ex-capital da Alemanha foi uma manifestação concreta da divisão ideológica entre o ocidente capitalista e o oriente comunista |
A Guerra Fria marcou a completa mudança de equilíbrio de poder internacional e aconteceu em virtude da ascensão das forças militar e econômica soviéticas e americanas durante a 2ª Guerra Mundial. O confronto entre as duas forças não era totalmente novo, já que nos anos 20 e 30, a União Soviética foi temida por muitos ocidentais como a vanguarda de uma nova ordem social. Porém, nos anos 50, a União Soviética era tida como uma ameaça muito maior, não somente um desafio às idéias ocidentais sobre liberdade pessoal, mas o centro de um teia comunista mundial que ameaçou a ordem estabelecida em todo o mundo. O governo americano desenvolveu uma estratégia de "detenção" feita para limitar o alcance do comunismo.
A estratégia foi apoiada por aliados americanos da OTAN, mas criticada por um crescente movimento jovem hostil que via isso como uma nova forma de imperialismo e como um aumento da ameaça de uma guerra nuclear. O primeiro grande teste de contenção aconteceu em 1959, em Cuba, quando Fidel Castro liderou uma revolta inspirada pelo comunismo. O novo regime revolucionário foi apoiado pela União Soviética. Quando ficou claro, em 1962, que Castro recebia mísseis da União Soviética, Washington expediu um ultimato à União Soviética para que os retirasse da ilha e ordenou que fosse feito um bloqueio naval a Cuba.
O confronto foi um dos episódios mais dramáticos do período pós-guerra. No último momento, Nikita Khrushchev, líder da União Soviética, ordenou que as embarcações atracadas em Cuba retornassem. O presidente dos EUA, John F. Kennedy, foi poupado de tomar uma decisão que envolvia uma ação militar. Um ano depois, Kennedy foi assassinado; em 1964, Khrushchev foi removido de seu gabinete por seus colegas de partido.
A Crise dos Mísseis de Cuba foi o mais próximo que a Guerra Fria chegou de um conflito direto entre duas superpotências. A partir desse episódio, o conflito foi resolvido por procuração: um lado ou o outro apoiava os Estados de terceiros; engajava-se em espionagem e operações secretas; e armava e financiava movimentos guerrilheiros e insurgências. Em 1964, os Estados Unidos, liderados pelo presidente Lyndon Johnson, tomaram a decisão de enviar tropas e aeronaves à guerra civil no Vietnã e, durante 10 anos, os EUA lutaram para conter o avanço do comunismo no sudeste da Ásia. O norte do Vietnã foi apoiado pela União Soviética. Em 1975, seguindo os prolongados protestos antiguerra nos Estados Unidos e na Europa, as últimas forças americanas foram retiradas.
Quatro anos depois, a União Soviética enviou tropas para lutar no Afeganistão em apoio ao regime comunista, uma intervenção que durou 10 anos e custou a vida de milhares de soldados soviéticos. Os Estados Unidos forneceram ajuda e armas para o movimento guerrilheiro anticomunista. Em 1989, a União Soviética retirou seus soldados. As guerras do Vietnã e do Afeganistão foram os períodos mais longos de luta ativa para ambos os países desde a 2ª Guerra Mundial. Ambas envolveram muitas baixas, custos consideráveis e derrotas eventuais. A Guerra Fria por procuração se mostrou profundamente prejudicial para as duas superpotências.
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