Guerra Fria: outubro de 1951-1991
Muitos acontecimentos importantes ocorreram durante os anos que seguiram a grande guerra. Em 21 de junho de 2000, o presidente americano Bill Clinton concedeu 20 medalhas de honra, a maior parte póstuma, aos soldados nipo-americanos do 442º Regimento de Combate da 2ª Guerra Mundial.
Essa cerimônia formal de entrega de medalhas representou mais do que um reconhecimento tardio da coragem desses soldados. Foi uma maneira de reconhecer que o mal havia sido praticado contra a comunidade nipo-americana durante os anos de crise da 2ª Guerra Mundial. Os ecos da 2ª Guerra Mundial ainda podem ser ouvidos mais de 60 anos após o seu final.
As décadas posteriores à guerra estão repletas dos maiores acontecimentos da história, mas elas não viram uma repetição dos dois conflitos que transformaram a Europa e a Ásia de 1914 a 1945. A ausência de uma grande guerra entre os países que lutaram na última guerra pode ter sido talvez a herança mais duradoura da 2ª Guerra Mundial.
Embora o conflito coreano tenha gerado uma nova preocupação em relação a uma 3ª Guerra Mundial, tal situação foi controlada. A China, a União Soviética e os Estados Unidos reconheceram que havia muito em jogo e, em 1953, foi feito um acordo de cessar-fogo. A Coréia do Sul acabou se tornando uma das economias emergentes da margem do Pacífico, enquanto a Coréia do Norte permaneceu como uma ditadura comunista, impenetrável ao eventual colapso do comunismo mundial.
A ausência de uma grande guerra não significou ausência de crises. Muitas delas se desenvolveram como conseqüência direta da 2ª Guerra Mundial e de seus resultados. Na Ásia, o colapso da ordem colonial trazido pela agressão japonesa contribuiu para o rápido fim dos impérios antigos de toda a região.
A revolta nacionalista nas Índias Orientais Holandesas começou em 1945 com a declaração de independência. Após uma violenta guerra anticolonialista, os holandeses foram expulsos e, em 1949, uma Indonésia independente foi estabelecida. Na Malásia, a insurgência comunista resultou em uma prolongada campanha anticolonialista que o governo britânico combateu com um misto de brutalidade e concessão. Quando a área ganhou a independência, em 1957, o comunismo estava derrotado.
Na Indochina francesa, aconteceu o contrário. As forças coloniais francesas e a população francesa local responderam à insurgência comunista com violência generalizada. Em 1954, as forças francesas sofreram uma derrota humilhante em Dien Bien Phu e abandonaram a região. A Indochina foi dividida entre os estados de Laos, Camboja e Vietnã, com o último dividido. O Vietnã do Norte se tornou um Estado comunista liderado pelo nacionalista veterano Ho Chi Minh, e o Vietnã do Sul se tornou uma ditadura pró-ocidental apoiada pelos norte-americanos.
Como no caso da Coréia, o Norte logo começou a pressionar o Sul e, em 1957, lançou uma guerra de guerrilha em escala total. Em 1960, os simpatizantes do comunismo no Sul formaram a Frente de Liberação Nacional e também provocaram uma guerra civil. O resultado foi mais de uma década de violência ao longo das linhas de batalha da Guerra Fria global. Somente em 1975, Laos, Camboja e o Vietnã do Sul finalmente se tornaram Estados comunistas, pondo um fim à longa crise do pós-guerra.
Vá para a próxima página para saber sobre como foi a criação do Estado de Israel.