As missões

Best Buy

Foto cedida por Improv Everywhere
Crédito da foto: agentes Nicholson e Todd

Ninguém nesta foto trabalha na Best Buy
Em abril de 2006, o Improv Everywhere invadiu uma loja Best Buy em Manhattan. Oito agentes se vestiram como empregados da Best Buy, com camisetas azuis e calças cáqui, posicionando-se aleatoriamente pela loja. Além das tradicionais câmeras escondidas do grupo, o agente Todd encontrou uma fonte de apoio de vídeo genial: eles usaram os produtos de demonstração da própria Best Buy. "Tudo que precisaríamos fazer era trazer fitas virgens e cartões de memória para inserir nas câmeras deles". Além do código de roupas bem específico (até o cinto e os sapatos pretos usados pelos empregados da Best Buy), as instruções de e-mail para a missão incluíam: "não compre, mas também não trabalhe. Se um cliente aparecer e fizer a você alguma pergunta, seja educado e ajude se você souber a resposta. Se alguém perguntar se você trabalha ali, diga não".


Foto cedida por Improv Everywhere
Crédito da foto: agentes Sklaren, Demblowski e Brady

Os agentes uniformizados eram bem mais numerosos que os verdadeiros funcionários da Best Buy. Em dado momento, um agente ouviu por acaso uma comunicação por walkie-talkie de um segurança dizendo "Caso Thomas Crown! Caso Thomas Crown!" Quando empregados, seguranças e até policiais perguntaram o que estava acontecendo, a resposta dos agentes era sempre algo na linha de "Ah, estou só esperando o meu namorado. Ele está na seção de TV".

Os agentes não procuravam os clientes, mas como era totalmente verossímil que eles trabalhavam ali, os clientes freqüentemente se aproximavam deles. Os agentes faziam o melhor (e geralmente erravam) para apontá-los para a direção certa, embora a oportunidade de improvisar às vezes fosse demais para resistir. Uma agente se lembrou desta discussão:

    cliente: você sabe onde eu posso encontrar uma porta USB ?
    agente: O que é isso?
    cliente: é uma coisa de computador.
    agente: o que USB simboliza?
    cliente: não sei.
Naquele momento, um empregado verdadeiro correu para a dupla gritando "ela não trabalha aqui"!
    Funcionário da Best Buy (para a agente): você não pode ajudá-la!
    Agente: Ah, acredite, eu não estava tentando.
Os 80 sósias de funcionários ficaram na loja por mais de uma hora. O gerente estava "pirando", como muitos agentes disseram; alguns foram postos para fora antes que a missão acabasse oficialmente. A maioria conseguiu ficar na loja até que o agente Todd desse o sinal para partir. Missão cumprida.                  

Melhor frase
    "Todo mundo nesta loja está vestindo camiseta azul e ninguém sabe de nada!"

        - Cliente resmungando consigo mesma

Sinfonia de celulares


Foto cedida por Improv Everywhere
Crédito da foto: agentes Nicholson e Rainswept

O maestro
Em fevereiro de 2006, com uma performance brilhantemente coreografada, o Improv Everywhere criou uma sinfonia de toques celulares em uma livraria chamada The Strand. A loja é um lugar enorme com cerca de 120 guarda-volumes na seção de entrada, onde muitas pessoas acabam deixando seus celulares enquanto compram. É freqüente que um ou dois aparelhos comecem a tocar e grande parte das pessoas que estão na loja sequer levanta os olhos do que estão folheando. O Improv Everywhere decidiu descobrir o que aconteceria se dezenas de telefones começassem a tocar simultaneamente nos guarda-volumes. Mas não só isso: os telefones seriam coordenados por toque para desligar em momentos diferentes, como nos movimentos de uma sinfonia. A missão foi assim:

Para criar a comoção suficiente para fazer as pessoas na loja realmente prestarem atenção, eles precisavam de muitos telefones. Apresentaram-se 120 agentes com seus celulares para a missão, portanto 60 iriam para os guarda-volumes e 60 ficariam do lado de fora para fazer as chamadas. O grupo de agentes ficou num frio de rachar (fazia 10°C negativos naquela noite) a alguns quarteirões da loja, divididos segundo a marca do telefone. Cada grupo encontrou um toque que havia sido carregado previamente em todos os telefones. Metade deles entraria. Os agentes com os telefones de dentro programaram seus aparelhos para usar o toque apropriado e deram seu número para alguém com um telefone do lado de fora. Os agentes se dirigiram para a livraria, aonde chegariam aos poucos e guardariam uma bolsa contendo um telefone. Os agentes do lado de fora se prepararam para esperar no frio durante 45 minutos.


Foto cedida por Improv Everywhere
Créditos da foto: agentes Nicholson e Rainswept

Com todos os telefones posicionados nos guarda-volumes, o agente maestro ficou do lado de fora com sua orquestra e iniciou a sinfonia. Todos os 60 agentes discaram os números correspondentes e enviaram ao sinal do maestro. Dentro da livraria, 60 celulares começaram a tocar e as pessoas olharam para o guarda-volumes, onde os funcionários tentavam descobrir, rindo, de onde vinha o barulho.


Foto cedida por Improv Everywhere
Crédito da foto: agentes Nicholson e Rainswept

Um funcionário da The Strand procura a fonte da cacofonia

E de repente parou... mas não por muito tempo. O maestro acenou para os grupos da Samsung, da Nokia, da Motorola, da Treo e da LG sucessivamente, criando uma sinfonia de diferentes "movimentos". Os funcionários e os clientes testemunharam o concerto com reações variadas: uns estavam aborrecidos, uns confusos, mas a maioria estava gostando. Havia dois funcionários no guarda-volumes no centro da ação; um deles tinha o tempo todo um sorriso enorme no rosto. Desenvolveu-se a hipótese de que um único telefone estaria fazendo todos os outros tocarem, por defeito ou de propósito; os funcionários procuraram o "telefone gatilho" em vão. Um funcionário próximo comentou "é como um filme de David Lynch isso aqui. Não faz sentido".


Lá fora, o maestro regia o último movimento:

    Para o final, fizemos com que que cada chamador de cada grupo estivesse chamando de volta e chamando de volta e chamando de volta. Isso continuou por cerca de três minutos até que, ao estilo de um verdadeiro maestro, eu baixei os braços num gesto floreado e todo mundo desligou junto numa grande "nota final". O som de dezenas de celulares se fechando em uníssono foi bem gratificante.
A sinfonia durava 20 minutos e acabou bem em tempo. O gerente estava começando marcar os números dos guarda-volumes em que havia telefones tocando quando de repente ficou tudo em silêncio. O agente Todd deu o sinal e os agentes de dentro da loja começaram a deixar o local. Missão cumprida.

Melhor frase
    "Tem um fantasma japonês aqui, caras".

        - Funcionário trabalhando no guarda-volumes

O melhor show de todos os tempos
Para uma das mais famosas e também mais controversas missões do repertório do Improv Everywhere, alguns dos principais agentes do grupo tiveram mesmo de estudar. A idéia por trás da missão do "melhor show de todos os tempos", em outubro de 2004, era dar a alguma banda desconhecida com uma cotação de horário terrível o melhor show de sua vida. Depois de procurar nos jornais de entretenimento por uma banda de fora da cidade com um horário de apresentação ruim, o agente Todd escolheu os Ghosts of Pasha, uma banda de Vermont, para tocar no Mercury Lounge às 22h30 de domingo. Em circunstâncias normais, este show seria bastante quieto. Os agentes do Improv Everywhere alteraram as circunstâncias, para usar um eufemismo.


Foto cedida por Improv Everywhere
Crédito da foto: agente Todd

Um agente vestindo a camiseta dos Ghosts of Pasha que ele fez usando o logotipo do site da banda

Primeiro, cada um dos 35 agentes baixou o disco dos Ghosts of Pasha e decorou as letras de todas as canções da banda. Em seguida, se enfeitaram com tatuagens falsas e camisetas serigrafadas dos Ghosts of Pasha. Finalmente, os 35 agentes apareceram no show que seria a terceira apresentação pública dos Ghosts of Pasha. Quando a banda começou a tocar, a platéia formada pelos 35 agentes do Improv Everywhere e outras três pessoas estava cantando as músicas junto com eles e gritando por suas favoritas. Algumas pessoas tiraram suas camisetas, dançaram e se jogaram do palco. Os membros da banda também entraram na onda, replicando a energia da multidão; fizeram a apresentação de suas vidas. Depois da última canção, um agente sem camiseta subiu no palco e abraçou o vocalista.


Foto cedida por Improv Everywhere
Crédito da foto: agente Todd

De acordo com os Ghosts of Pasha, quando o show acabou ninguém da banda disse nada por um longo tempo. As primeiras palavras a saírem da boca de alguém foram "que diabos acabou de acontecer?" Naquela noite, a viagem de volta para Vermont foi quase silenciosa. Muitos dias depois, a banda descobriu que seu melhor show até então havia sido uma performance do Improv Everywhere.