Quando aprendemos sobre os antigos kemitas na escola, conhecemos suas primeiras explorações, a Esfinge, as pirâmides e o cultivo. Os kemitas e suas conquistas são remetidos ao passado mais remoto, como se sua civilização tivesse terminado muito antes do surgimento dos gregos. Mas Kemita, ou Egito, junto com civilizações como a China e a Mesopotâmia (o Iraque, a Síria e a Turquia do mundo moderno) são as culturas que mais tempo duraram em todo o mundo. Tendo se estabelecido antes de 5000 a.C., ela ainda permanece até hoje, apesar das conquistas dos persas, dos gregos e, mais recentemente, dos britânicos.
Nós conhecemos muito dessa cultura, graças aos muitos documentos que os kemitas deixaram, e à habilidade de traduzi-los usando a Pedra de Rosetta, incluindo o que os grandes estudiosos gregos estudaram nos universidades-templos desse lugar. Os gregos nunca tentaram esconder onde aprenderam a matemática, a astronomia e a arquitetura. Então, por que não aprendemos na escola de hoje sobre as contribuições que os kemitas deram ao mundo moderno?
![]() Cris Bouroncle/AFP/Getty Images Enquanto ainda aprendemos sobre os kemitas, alguns registros recentes afirmam que a Esfinge possui 12 mil anos, ao invés de 5 mil. Sabemos que os gregos aprenderam com eles, então, por que não aprendemos isso nas escolas atualmente? |
Em outras palavras, já que os gregos eram aqueles que formaram nossa visão do mundo de usar a razão para investigá-lo, nós sentimos que não precisamos dar crédito aos kemitas por fornecerem aos gregos sua educação original. E como a visão do universo dos kemitas incluía uma mistura de ciência e religião, algumas pessoas de hoje podem achar essa mistura filosófica um tanto aritificial e primitiva. Isso é irônico, já que os kemitas criaram a noção do pensamento racional.
Uma outra explicação para a edição da contribuição kemita à história é muito mais sinistra. Enquanto a Europa e o resto do oeste prontamente creditam a Grécia como sua fundação, esse crédito não é estendido à Africa. "Durante o século 19, muitos escritores europeus, limitados pelo etnocentrismo e pelo racismo, decidiram que a África negra não poderia ter nada a ver com ascensão da Europa", segundo Gloria Dickenson (em inglês), professora de Estudos Afro-americanos da Faculdade de New Jersey.
Em uma época em que a sociedade ocidental surgia do trabalho de escravos negros africanos, os europeus brancos quase nunca se colocavam na posição de creditar a seus ancestrais escravos a fundação dessa mesma sociedade.
Apesar das provas de sua sofisticação, as contribuições kemitas para a cultura mundial ainda são tidas como menores do que as feitas pelos gregos. Em uma biografia online de Tales, a viagem do estudioso grego a Kemita para estudar é mencionada, embora marginalizada. "Tales viajou ao Egito para estudar a ciência da geometria. De alguma maneira, ele deve ter refinado os métodos egípcios porque quando voltou à Mileto, Grécia, ele supreendeu seus contemporâneos com suas habilidades matemáticas incomuns" [fonte: The Big View (em inglês)].
Como os kemitas foram todos excluídos da história, não conseguimos evitar de perguntar se houve alguma outra cultura também mantida na obscuridade. Uma outra pergunta: os kemitas, assim como os gregos, também extraíram seu conhecimento de alguma outra fonte?
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