Já é sabido que os clássicos pensadores gregos viajaram, para o que hoje conhecemos por Egito, a fim de expandir seus conhecimentos. Quando os estudiosos gregos Tales, Hipócrates, Pitágoras, Sócrates, Platão e outros foram para Kemita, eles estudaram nas universidades-templos Waset e Ipet Isut. Lá, os gregos foram conduzidos por um vasto currículo que compreendia tanto conhecimentos teóricos quanto práticos.
Tales foi o primeiro a ir para Kemita. Ele foi apresentado ao Sistema Misterioso Kemita, conhecimento que formou as bases do entendimento kemita do mundo e que havia sido desenvolvido 4.500 anos antes. Após retornar, Tales criou fama ao prever com precisão um eclipse solar e ao demonstrar como medir a distância de um navio no mar. Ele estimulou outros a irem para Kemita para estudar [fonte: Texas A&M (em inglês).
![]() Khaled Desouki/AFP/Getty Images Turistas caminham na universidade-templo em Karnak, chamada de Ipet Isut pelos kemitas e renomeada pelos conquistadores persas. Foi aqui que muitos dos estudiosos gregos aprenderam sobre ciência e espiritualidade. |
Nada disso é para afimar que os gregos não tinham idéias próprias. Pelo contrário, os gregos pareciam formar suas próprias interpretações do que aprenderam em Kemita. Além disso, eles nunca negaram o crédito dos kemitas por sua educação. "O Egito era o berço da matemática" escreveu Aristóteles [fonte: Van Sertima (em inglês)]. Mas alguém poderia dizer que os gregos também sentiram que estavam destinados a construir sobre o que aprenderam com os kemitas.
A educação kemita era para ter durado 40 anos, embora não se saiba de nenhum pensador grego que tenha completado todo o processo. Acredita-se que Pitágoras tenha sido o que chegou mais longe, tendo estudado em Kemita durante 23 anos [fonte: Person-Lynn (em inglês)]. Os gregos adaptaram o conhecimento adquirido à sua maneira de ver o mundo.
A educação de Platão deve ter expressado isso melhor: o Sistema Misterioso Kemita foi baseado em um vasto conjunto de conhecimento humano. Ele compreendia matemática, escrita, ciência física, religião e o sobrenatural, requerendo tutores que fossem padres e estudiosos. Talvez o aspecto do sistema que melhor represente essa fusão de religião e ciência é o Ma'at.
Ma'at (/mi 'yat/) era uma deusa que incorporava o conceito de ordem racional ao universo. "A idéia do universo ser racional passou dos egípcios aos gregos" segundo o historiador Richard Hooker [fonte: Hooker (em inglês)]. O nome grego para esse conceito era logos.
Em sua "República", Platão descreve uma dicotomia entre um ser superior e um inferior. O ser superior (razão) persegue o conhecimento, a razão e a disciplina. O ser inferior, o mais proeminente dos dois, é a base, o preocupado com aspectos mais brutos como o sexo, o vício e com servir a si mesmo. No fim das contas, a razão deve vencer a emoção para a vida valer a pena. E também, a ênfase da razão sobre tudo o que já havia sido criado. Nesse ponto, os conceitos de espiritualidade e razão começam a divergir.
É a sobrevivência da interpretação grega do Ma'at sobre a dos kemitas que pode explicar o motivo de as crianças em idade escolar aprenderem que os gregos inventaram as bases do mundo moderno.
Na próxima seção, algumas outras idéias sobre o motivo de os kemitas terem sido banidos da antigüidade.