![]() Foto cedida pelo FBI Resultados parciais da análise de caligrafia no caso do seqüestro de Lindbergh |
No entanto, os meios que os policiais utilizaram para conseguir essas amostras foram questionados. Hauptmann foi forçado a escrever por horas a fio até quase desmaiar de exaustão. Também disseram como ele deveria escrever e mostraram um bilhete de resgate, que deveria ser copiado da melhor maneira possível. Essas são apenas algumas das coisas inaceitáveis que aconteceram. Isso significa que a veracidade da combinação de caligrafia determinada é questionável, mas a execução de Hauptmann torna impossível refazer o teste. Atualmente, existem regras bastante rígidas sobre como um policial deve obter uma amostra solicitada.
Possuir várias amostras boas e sem falsificações faz com que a análise de caligrafia seja bem mais confiável do que a simples comparação de dois documentos. Apesar de a caligrafia de cada um ser única, ninguém escreve exatamente igual duas vezes. Existem variações naturais na escrita de uma pessoa em um mesmo documento. Se houver 10 documentos questionados e 10 amostras de um suspeito, já é possível que as palavras e as letras dos documentos questionados apareçam nas amostras, além de haver quase todas as características individuais do suspeito nos dois, se ele realmente for o autor.
O processo de análise forense de caligrafia é muito meticuloso. Um analista irá usar uma lente de aumento e algumas vezes um microscópio para fazer as comparações. Um analista procura uma série de traços individuais, como:
![]() Documento questionado |
![]() Amostra fornecida pelo "suspeito" |
À primeira vista, as duas sentenças não parecem ser diferentes o suficiente para comprovar que foram escritas por duas pessoas distintas. Se analisadas mais de perto, as duas irão parecer bem similares. Então, vamos montar uma tabela que cataloga cada forma variada de letra que aparece na versão questionada da sentença. Se encontrarmos um "a" muito parecido com aquele que já temos na tabela, podemos pulá-lo. Utilizaremos somente as formas diferentes de "a" que constam no documento, levando em conta o formato, a ligação entre as letras, os espaços e outros traços. Na análise forense, cada forma de letra seria "copiada" usando uma câmera digital, mas aqui vamos fazer isso à mão. As letras também seriam separadas entre maiúsculas e minúsculas. Mas aqui vamos simplificar o processo que determina se as sentenças são compatíveis, já que é apenas um exemplo e não uma comparação exata ou profissional.
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A seguir, vamos fazer o mesmo tipo de tabela usando a amostra:
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Por fim, vamos comparar as tabelas e ver se as formas de letra do documento questionado são compatíveis com as da amostra. Como nosso documento possui apenas uma sentença, não temos muitos casos para escolher. Sob circunstâncias normais, obteríamos uma série de combinações em potencial para cada forma de letra, e teríamos de encontrar letras na amostra que fossem compatíveis com as do documento questionado. Para simplificar, a terceira tabela irá comparar lado a lado as duas primeiras, embora os especialistas provavelmente montassem a terceira com as palavras exatas que constituíssem as combinações de letra de cada documento.
![]() Tabelas do documento questionado (esquerda) e da amostra |
Embora essa análise não seja válida no tribunal por causa de sua proporção limitada e da cópia imprecisa das letras, parece que encontramos combinações na amostra para cada letra do documento questionado. Provavelmente uma única pessoa escreveu as duas sentenças.
Mas e se quem escreveu a amostra estivesse tentando copiar a caligrafia no documento questionado? A imitação é um grande problema na análise de caligrafia. Ela ocorre quando uma pessoa tenta disfarçar sua caligrafia para impedir a determinação de uma compatibilidade ou quando tenta copiar a de alguém para que a comparação com a amostra seja imprecisa. Embora a imitação dificulte (e às vezes impossibilite) uma análise exata, existem certos traços que os analistas profissionais procuram para determinar se a amostra foi falsificada. Esses traços incluem linhas sinuosas, começos e finais de palavras mais escuros e fortes e marcas de que a ponta da caneta foi tirada várias vezes do papel. Eles mostram que a pessoa não escreveu de uma forma rápida e natural, mas sim formando as letras com cuidado e lentamente.
![]() Foto cedida por FBI - Forensic Science Communications A primeira é a assinatura verdadeira de Mickey Mantle. O FBI determinou que as duas últimas são falsificadas. Perceba as linhas sinuosas e as variações nos começos e finais das palavras. |
A imitação é apenas um dos fatores que pode impedir uma análise de caligrafia exata.