Como funciona a grafologia

Autor: 
Julia Layton

Quando alguém é suspeito de um crime e uma das provas é um bilhete manuscrito, os investigadores podem chamar um especialista em caligrafia para resolver a questão. A análise de um documento escrito é uma das bases legais para a identificação forense de um indivíduo. Em alguns casos, pode ser justamente a prova que faz com que o suspeito seja acusado e até mesmo condenado. E se for uma combinação falsa? Como os especialistas conseguem analisar a caligrafia de alguém?

No mundo das análises forenses, que incluem investigação da cena do crime, testes de DNA, análise de fibras, digitais, narcóticos e identificação de voz, a análise de caligrafia se enquadra na área de documentoscopia - que é a parte da criminalística que tem por objetivo o exame de todos os elementos que compõem um documento. Os pesquisadores de documentoscopia analisam os documentos questionados em busca de sinais de alteração e falsificação e, quando existem amostras, comparam a caligrafia ou datilografia para determinar ou desconsiderar os autores. No caso de datilografia, eles usam máquinas específicas para identificação. A análise de caligrafia é um processo cansativo e metódico, que requer um vasto conhecimento de como as pessoas formam as letras, de quais características de formação de letras são únicas e do processo psicológico por trás da escrita. É a análise de como as habilidades motoras das pessoas podem afetar suas caligrafias e deixar pistas sobre a identidade do autor. Mas a grafologia não é utilizada somente em perícias criminais. Ela pode ser útil na admissão de um funcionário ou ajudar no diagnóstico de distúrbios psíquicos.

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Foto cedida por FBI - Forensic Science Communications
O seqüestro de Weinberger, 1956:
uma análise conduzida pelo FBI determinou
uma combinação entre as duas primeiras escritas,
retiradas das anotações do seqüestro, e as duas últimas,
de Angelo LaMarca, o suspeito principal

O fundamento principal da análise de caligrafia como uma ciência é que cada pessoa no mundo tem uma maneira única de escrever. De acordo com João Bosco, autor do livro Grafologia: a ciência da escrita, "Da mesma forma que uma impressão digital jamais se repete, não existe no mundo uma grafia igual a outra. Também não se pode alterá-la de propósito, mesmo que mudem alguns detalhes". Quando crianças, aprendemos a escrever com um caderno de caligrafia um determinado estilo de escrita. O caderno de caligrafia em que baseamos nossa escrita vai depender de quando e onde crescemos. Então, a princípio, provavelmente escrevíamos de uma maneira parecida com a das crianças de mesma idade e local. Com o passar do tempo, aquelas características de escrita que aprendemos na escola, nossas características de estilo, ficam apenas subjacentes em nossa caligrafia. Desenvolvemos características individuais, que nos são peculiares e diferenciam nossa caligrafia daquela de outra pessoa. A maioria de nós não escreve da mesma maneira que escrevia na primeira ou segunda série. Enquanto duas ou mais pessoas podem ter certas características individuais semelhantes, a chance de elas terem 20 ou 30 características iguais é tão improvável que muitos analistas consideram isso impossível.

Primeiramente, os grafologistas devem ser capazes de distinguir com precisão as características de estilo e as individuais, o que requer muita prática. Eles podem ignorar as características de estilo, que são úteis apenas para determinar com um bom grau de exatidão que caderno de caligrafia a pessoa usou. As características individuais são as mais importantes para determinar a autoria dos documentos.

Portanto, uma análise de caligrafia de dois documentos, um de autor conhecido e outro de um desconhecido, não começa pela busca de semelhanças, o que qualquer um poderia fazer com um bom grau de exatidão, mas sim pela busca de diferenças. São elas que inicialmente determinam se é possível que a mesma pessoa tenha escrito os dois textos. Se existem diferenças chaves em características individuais suficientes, os documentos não foram escritos pela mesma pessoa. Essas diferenças não podem parecer resultado de uma imitação (uma tentativa de disfarçar a caligrafia de alguém ou a cópia da maneira de escrever de outra pessoa). A imitação tem características reveladoras, sobre as quais falaremos na próxima seção. No entanto, se as diferenças não impedirem uma combinação e se existirem semelhanças significativas nos traços individuais de escrita dos dois documentos, é possível que o autor seja a mesma pessoa.

Na hora de mudar de possibilidade para probabilidade é que o problema aparece.

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