Introdução

Se você já trabalhou no setor hoteleiro, foi garçom em restaurantes, trabalhou em bares, carregou bagagem, etc, provavelmente dependia das gorjetas de seus clientes para equilibrar o orçamento no final do mês. Muita gente que não trabalha neste setor não sabe que funcionários, guias, motoristas e outros que ajudam a tornar seu jantar, viagem e outros serviços mais agradáveis às vezes não recebem nem mesmo o salário mínimo do patrão. Eles dependem das gorjetas que os clientes lhes dão em sinal de agradecimento pelo serviço de boa qualidade e ajuda prestativa. Embora dar gorjetas seja um setor multibilionário, não se trata de um fenômeno globalmente uniforme. Ao visitarmos outros países, é melhor lermos sobre o costume de dar gorjetas ou acabaremos humilhando o garçom ou irritando o manobrista!

Neste artigo, falaremos sobre o costume de dar gorjetas, sua origem, o valor da gorjeta para cada serviço, além de analisarmos as pesquisas feitas sobre o que nos leva a dar mais (ou menos) gorjetas do que o comum.

Uma gorjeta, ou gratificação, é uma pequena quantia em dinheiro dada voluntariamente em sinal de agradecimento por um serviço prestado. De acordo com o dicionário Webster (em inglês), muitos consideram a palavra "gorjeta", tip em inglês, um acrônimo: T.I.P. - "para garantir presteza" ou "para garantir serviço rápido". Damos gorjetas aos que nos prestam serviços para agradecê-los pela boa qualidade do trabalho feito. Podemos dar uma gorjeta pequena, ou não darmos gorjeta nenhuma, para indicar que o serviço estava horrível.


Mas de onde se originou a idéia de dar gorjetas? Por que os empregadores não pagam aos seus empregados um salário regular e aumentam os preços para compensar a diferença? Em alguns lugares é isso que acontece, mas muitos de nós (sobretudo nos Estados Unidos) estamos tão acostumados a dar gorjeta por bons serviços prestados que acabamos deixando dinheiro aos que nos servem - às vezes constrangendo-os com nossa atitude! Em lugares onde dar gorjeta é comum, seu objetivo é incentivar a melhor prestação de serviços possível.

Há diversas teorias sobre a origem da gorjeta. George Foster, professor de antropologia na Universidade da Califórnia em Berkeley (em inglês), pesquisou a gorjeta no início da década de 70 e constatou que a palavra "gorjeta" ou "gratificação" geralmente estava associada a "dinheiro de bebida", dando a entender que o cliente, mais tarde, pagava uma bebida a quem o servira como forma de agradecer pelo bom serviço prestado. A teoria de Foster era de que o cliente, assim, tentava evitar que o atendente do bar ficasse com inveja de seu privilégio de sentar, beber e ser servido.

Outra teoria segue o uso da palavra no século XVII. A palavra era usada como verbo para significar "entregar a alguém" ou "dar". Isso coincide com as histórias de senhores feudais que atiravam moedas de ouro como "gorjetas" aos camponeses na rua para garantir que passassem em segurança.

Diz-se que o acrônimo TIP (palavra inglesa para gorjeta) que mencionamos anteriormente, "para garantir presteza," origina-se de cafeterias do século XVI, na Inglaterra. Contudo, contesta-se essa idéia porque alguns dizem que os acrônimos apenas começaram a ser usados em 1920.

Assim, parece que a história de dar gorjeta é tão obscura quanto a prática moderna. Em que outra situação as pessoas pagam a mais por um serviço que já foi pago, sem negociar a quantia antecipadamente? É assim que prospera a indústria multibilionária da gorjeta.

O que nos leva a darmos mais ou menos gorjetas?
Dar ou não gorjeta depende muito do serviço que recebemos, e também se achamos ou não que retornaremos ao mesmo estabelecimento. Às vezes, damos gorjetas apenas porque é a norma geral - por não não querermos que nossos companheiros de jantar pensem que somos mesquinhos por não "molharmos a mão" do garçom. Acredite ou não, muitas pesquisas são realizadas sobre por que damos gorjetas e o que nos leva a dar mais ou menos gorjetas por serviços semelhantes. Dar gorjetas nem sempre é sinal de um trabalho bem feito.

A razão mais relevante para darmos gorjeta parece ser mais uma questão de culpa do que de gratidão. Sabemos que o hábito, ao menos nos Estados Unidos, é comum e se não o adotarmos, corremos o risco de irritar o prestador do serviço, e depois só Deus sabe o que poderá nos acontecer na próxima vez que voltarmos aquele restaurante, aeroporto ou oficina mecânica! Além disso, a suposição de que dar gorjetas tem por objetivo incentivar bons serviços em nossa próxima visita pode estar correta ou não. E se estivermos em um restaurante ao qual sabemos que não iremos retornar? Nesse caso, qual é nossa motivação para dar gorjeta? Alguns argumentam que é uma forma de nos sentirmos melhor em relação ao fato de sermos servidos, porque sabemos que o garçom trabalha arduamente e não é bem pago.

Questões de culpa à parte, pesquisas mostram que a qualidade do serviço que nos é prestado nem sempre se reflete na gorjeta que damos. Muitos que estudaram o assunto descobriram que a qualidade excelente do serviço atrai uma gorjeta apenas um pouquinho melhor do que aquela que damos por um serviço de qualidade média. Contudo, outras atitudes do prestador de serviço fazem muito mais diferença - provavelmente sem nem mesmo percebermos! Por exemplo, o Centro de Pesquisa Hoteleira da Cornell University (em inglês) realizou vários estudos que revelaram alguns fatos interessantes sobre os hábitos de determinados profissionais capazes de aumentar a porcentagem de gorjetas. Eis alguns deles:

  • toque: os garçons perceberam um aumento nas gorjetas de 11,8% a 14,8% do valor total da conta quando tocavam de leve o ombro do cliente. Tanto os homens quanto as mulheres deram gorjetas mais generosas quando foram tocados, e ainda que os clientes mais jovens aumentassem mais o valor da gorjeta, todas as faixas etárias deram gorjetas mais generosas.


  • abaixar-se: dois estudos mostraram que garçons que se abaixavam ao lado da mesa para anotar o pedido e conversar com os clientes tiveram um aumento nas gorjetas de 14,9% para 17,5% do valor total da conta em um dos estudos, e de 12% a 15% em outro. Aparentemente, o contato visual e a maior interação cria um vínculo mais íntimo e faz com que desejemos dar mais dinheiro ao prestador do serviço.


  • distribuir doces: um estudo que envolveu o ato de dar aos clientes um doce junto com a conta mostrou um aumento nas gorjetas de 15,1% para 17, 8%. Outro estudo em que os garçons davam dois doces a cada cliente junto com a conta revelou um aumento nas gorjetas de 19% para 21,6% do valor total da conta. E um terceiro estudo revelou que o modo de o garçom entregar o doce ao cliente foi o que mais influenciou o aumento da gorjeta: esse estudo fez com que o garçom desse a cada acompanhante do cliente um doce e, depois, "espontaneamente", oferecesse mais um. Esse método aumentou a gorjeta para 23% do valor da conta.


  • ser prestativo: um estudo de carregadores de malas em hotéis revelou que o simples fato de dedicarem alguns minutos a mais para explicar aos hóspedes como operar a televisão e o termostato, abrir as cortinas para o hóspede e oferecer para encher o balde de gelo aumentou as gorjetas de US$ 2.40 para US$ 4.77.


Quer ouvir opiniões diversas sobre os prós e os contras das gorjetas? Visite os fóruns no Site Original da Gorjeta (em inglês). Você verá (e poderá participar) de muitas discussões sobre por que dar gorjetas deveria ser proibido, por que deveria ser obrigatório, por que não se deve "esperar" gorjetas e por que os patrões deveriam pagar um salário decente aos empregados.