![]() Foto cortesia AP Photo/Sakchai Lalit Gen. Sondhi Boonyaratkalin |
Em 2006, os golpes militares voltaram à moda. Em dezembro de 2006, os militares de Fiji assumiram o governo do país. Em setembro do mesmo ano, em uma ação realizada de surpresa que incomodou os líderes internacionais mas pareceu contar com o apoio do povo tailandês, um golpe de Estado (também chamado apenas de "golpe") derrubou o primeiro-ministro tailandês. Thaksin Shinawatra estava em Nova York, se preparando para um discurso na Assembléia Geral das Nações Unidas como chefe do governo tailandês, quando descobriu que havia perdido o posto. Em discurso televisionado, Shinawatra exigiu que o general Sondhi Boonyarat - líder das forças armadas tailandesas, organizador do golpe e novo primeiro-ministro por indicação própria - se rendesse. O discurso foi curto. Os militares tailandeses haviam assumido completo controle da mídia, e interromperam a fala do líder derrubado. O golpe obteve sucesso.
O que aconteceu na Tailândia foi um golpe incruento. Nem mesmo um tiro foi disparado. A maneira pela qual o episódio transcorreu é bem característica dos golpes. O líder que estava no poder, acusado há muito de corrupção e de mau governo, estava fora do país, e os comandantes das forças armadas agiram, na calada da noite. Tomaram o controle da residência oficial do primeiro-ministro e de todas as agências do governo. Quando a população tailandesa acordou, na manhã de quarta-feira, havia soldados por toda a parte, a rede de notícias a cabo CNN estava fora do ar e um novo primeiro-ministro já estava no poder.
O que faz de uma mudança forçada de liderança um golpe de Estado, em contraposição a uma revolução, é que em um golpe de Estado em geral não existe mobilização de massa. Um pequeno grupo de líderes de elite, em geral já integrados à estrutura do governo, executa o golpe. Quando existem lealdades divididas nos altos escalões do governo e das forças armadas, um golpe pode ser bastante sangrento. Na maioria dos casos, o povo é apanhado tão de surpresa quanto o líder deposto. Mas a violência não é um traço essencial dos golpes. O golpe representa uma tomada ilegal de poder - derruba um líder de maneira inconstitucional. Caso, digamos, um presidente dos Estados Unidos seja alvo de impeachment e termine deposto pelo Congresso, isso não representaria golpe, porque os procedimentos de impeachment são estabelecidos pela constituição como maneira legítima de depor um presidente.
Um golpe em geral acontece rapidamente, de maneira silenciosa, e depende muito do elemento surpresa. Depois de tomar o controle dos edifícios públicos e aprisionar (caso ele esteja no país quando do golpe) ou exilar o líder deposto, os militares declaram estar no controle, assumem o comando da mídia a fim de administrar o fluxo de informações e impõem lei marcial. O golpe pode, em seguida, tomar diferentes caminhos. Em alguns casos, o líder do golpe assume o poder temporariamente até que seja possível escolher um novo líder nacional. Ocasionalmente, esse poder temporário se prova nem tão temporário assim.
Em outros golpes, o líder do movimento simplesmente se instala como novo líder do país - não acontecem novas eleições e não há planos para uma transição de liderança. Isso muitas vezes (mas nem sempre) resulta em ditadura militar. No entanto, embora os golpes sejam usualmente militares por natureza, nada dispõe que transcorram assim. Caio Júlio César, por exemplo, que ironicamente tomou o poder em Roma por meio de um golpe militar, praticamente eliminando os poderes do Senado romano, perdeu o poder quando diversos senadores o assassinaram, em novo golpe acontecido em 44 AC.
![]() Cortesia (esquerda para a direita) Biblioteca do Congresso; governo do Chile; Whitehouse.gov Da esquerda para a direita: Napoleão Bonaparte, Augusto Pinochet e Pervez Musharraf subiram ao poder em golpes de Estado |
Ocasionalmente, um golpe conta com apoio do povo, como foi o caso naquele que levou Napoleão Bonaparte ao poder na França em 1799. Esses são freqüentemente os mais suaves e os menos violentos dos golpes, e envolvem casos nos quais os líderes no poder são considerados corruptos, ineficientes ou ambos. No Chile, Augusto Pinochet terminou tomando o poder em circunstâncias como essas - a Câmara de Deputados (algo como um Parlamento) do Chile solicitou aos militares que removessem do poder o presidente Salvador Allende, antes que o golpe de 1973 acontecesse. Ainda assim, mesmo os golpes "incruentos" muitas vezes envolvem certa violência. Quando Napoleão dissolveu o Parlamento francês, seus soldados jogaram diversos dos membros do Legislativo pela janela; e os soldados de Pinochet mataram Allende ao tirá-lo do poder.
Já o golpe que levou Pervez Musharraf ao poder no Paquistão em 1999 foi de fato incruento. Musharraf era o mais alto líder militar no governo do primeiro-ministro Narwaz Sharif. Quando irrompeu um conflito e Sharif ordenou que as forças armadas removessem Musharraf (que estava fora do país) de seu posto, os militares se recusaram a obedecer. Ao ser informado, Musharraf embarcou em um avião e voltou ao Paquistão, mas Sharif não queria permitir sua aterrissagem. Os militares, leais a Musharraf, tiraram Sharif do poder para que o avião de Musharraf pudesse pousar. O general imediatamente assumiu o controle do Paquistão, e Sharif se exilou na Arábia Saudita.
Artigos relacionados
Mais links interessantes (em inglês)







