Gênio e inteligência

Assim como a genialidade, a inteligência pode ser difícil de quantificar. Os psicólogos e neurocientistas estudam muito a inteligência. Um completo campo de estudo, chamado de psicometria, é dedicado a estudar e medir a inteligência. Mesmo dentro desse campo, os especialistas, contudo, nem sempre concordam sobre exatamente o que é ou como melhor analisá-lo. E, embora a inteligência seja fundamental para o gênio, nem todos os gênios têm um bom desempenho nos testes de inteligência ou vão bem na escola.

O teste de inteligência existe há muitos anos. Os imperadores chineses usavam o teste de aptidão para avaliar os criados civis por volta de 2200 a.C. [ref- em inglês]. Os testes que conhecemos como testes de QI começaram a ser aplicados perto do final do século XIX. Hoje, os testes de QI geralmente medem a memória da pessoa, assim como as capacidades da linguagem, espacial e matemática. Em termos teóricos, esses testes medem um conceito ou fator conhecido como g. Pense em "g" como uma unidade de medida ou uma forma de expressar a quantidade de inteligência que uma pessoa tem.

Os testes de QI também são padronizados para que a maioria das pessoas faça 90 e 110 pontos. Quando colocado em um gráfico, as pontuações do teste de QI de um grupo grande de pessoas normalmente lembra uma curva de sino, com a maioria das pessoas pontuando na média. Uma percepção comum é a de que, se alguém pontuar acima de um determinado número, com freqüência 140, será automaticamente considerado gênio. Mas, em vez da existência de organizações de QI elevado, muitos cientistas advertem que não existe um QI de nível gênio.

Curva de sino
Imagem usada sob licença de GNU Free Documentation
Uma curva de sino

Muitos educadores e pesquisadores acham que, em geral, os testes de QI padronizados realizam um bom trabalho ao prever quão bem uma criança irá na escola. Com freqüência, as escolas usam esses testes para determinar que crianças devem ser colocadas em classes de bem dotados ou de educação especial. A maioria das faculdades e universidades, além de alguns empregadores, também usa testes padronizados como parte dos processos de admissão.

Inteligência e ajuste
Um dos estereótipos que envolve as crianças bem dotadas é que elas têm problemas para se adaptar na escola. Vários estudos científicos sugerem que esse estereótipo tem uma fundamentação na realidade. Um estudo da Universidade Purdue, com 423 estudantes bem dotados, sugeriu que eles eram suscetíveis a comportamentos agressivos. Um estudo de 20 anos com crianças bem dotadas, que terminou em 1940, demonstrou que a tendência de não se adaptar continua na vida adulta. O estudo usou um teste que media a inteligência verbal e o ajuste individual. As pessoas que pontuaram acima de 140 em inteligência verbal em geral tinham pontuações de ajuste individuais menores.
Apesar de sua prevalência, esses testes não são seguros. Em geral, algumas minorias e pessoas com níveis de renda mais baixo tendem a pontuar menos do que as pessoas de outros grupos raciais e econômicos. Os críticos defendem que isso faz que os testes de QI sejam inválidos ou injustos. Outros afirmam que os testes destacam a injustiça e o preconceito na sociedade.

Além disso, alguns pesquisadores e teóricos argumentam que o conceito de "g" é muito restrito e não fornece um panorama completo da inteligência de uma pessoa. Esses pesquisadores acham que a inteligência é uma combinação de muitos fatores. Uma teoria que tenta fornecer uma abordagem mais ampla da inteligência é a teoria das inteligências múltiplas de Howard Gardner. De acordo com Gardner, há sete tipos de inteligência:

  • Lingüística
  • Lógico-matemática
  • Musical
  • Corpo-cinestésica
  • Espacial
  • Interpessoal
  • Intrapessoal
Muitos pais e educadores acham que essas categorias expressam de modo mais preciso as potencialidades das diferentes crianças. Mas os críticos alegam que as definições de Gardner são tão amplas e inclusivas que fazem que a inteligência fique sem sentido.

Outra teoria menos restritiva é a teoria triárquica da inteligência humana de Robert J. Sternbert. Segundo Sternbert, a inteligência humana inclui:

Wolfgang Amadeus Mozart, retrato póstumo feito por Krafft, 1819
Imagem de domínio público
Wolfgang Amadeus Mozart: gênio

  • inteligência criativa ou a capacidade de gerar idéias novas e interessantes
  • inteligência analítica ou a capacidade de examinar fatos e tirar conclusões
  • inteligência prática ou a capacidade de se adaptar ao ambiente de alguém
Na visão de Sternbert, a inteligência total de uma pessoa é a combinação dessas três capacidades. Os críticos afirmam que ele tem pouca evidência empírica para formular suas teorias. Eles também sustentam que a inteligência prática não é um tipo de inteligência ou que ela pode ser explicada por meio de outras teorias de inteligência.

As teorias triárquica e de inteligências múltiplas são relativamente novas e os críticos apontaram falhas em ambas. Elas podem, entretanto, ser capazes de explicar melhor o conceito de gênio do que os testes de QI tradicionais. Os gênios não são simplesmente pessoas com muito "g". Mozart, por exemplo, combinou a genialidade musical com uma compreensão inata da matemática e de padrões. A genialidade de Einstein transpôs os domínios das relações lógicas, matemáticas e espaciais. E todos os gênios têm uma aptidão muito importante em comum: eles possuem muita inteligência criativa. Sem ela, eles não seriam gênios. Eles seriam apenas extremamente inteligentes.

Quanto de criatividade é necessário para se tornar um gênio? Em seguida, vamos dar uma olhada em como a imaginação e a produtividade contribuem com a genialidade.

Estamos ficando mais inteligentes?
Durante muitos anos, os cientistas observaram uma tendência geral maior nas pontuações de QI em toda a população. Parece que cada geração é um pouco mais inteligente do que a anterior. Os pesquisadores não têm certeza se as melhorias na educação, nutrição, cuidado médico ou sociedade em geral são as responsáveis por essa tendência, que é chamada de efeito Flynn.