Introdução

Os engenheiros da Antigüidade conheciam o motor a vapor

Selo Reader’s

O conceito de propulsão a vapor é associado em geral aos enormes motores da Revolução Industrial. No entanto, quase dois mil anos antes, um inventor de Alexandria projetou um motor a vapor que funcionava. Foi um dos muitos pensadores antigos que compreendiam os princípios básicos da engenharia moderna.

Uma visita a Alexandria, no século I d.C., era uma viagem ao coração do mundo antigo. Ali, à sombra de Faros, o maravilhoso farol, havia prédios consagrados ao saber humano. A rua principal, com 30 m de largura e 5 km de extensão, levava à famosa biblioteca, que continha cerca de meio milhão de livros escritos em papiro, ou ao Museion, onde estudiosos conviviam com artistas plásticos, poetas e artesãos, trabalhando pelo progresso do conhecimento.

Invenções

Na história das invenções, Herão de Alexandria ocupa lugar de honra. São de sua autoria cerca de oitenta artefatos engenhosos. Sua esfera giratória a vapor deve ter impressionado seus contemporâneos.

A cidade fora fundada por Alexandre, o Grande, em 331 a.C. Nos séculos subseqüentes, Alexandria tornou-se um centro da ciência, filosofia e engenharia. Foi também a terra de alguns dos maiores gênios que o mundo já produziu.

Os egípcios haviam construído monumentos espetaculares a seus faraós; os babilônios desenvolveram o calendário e a matemática; mas a palavra “idéia” é grega. Alexandria foi a sede da dinastia ptolomaica - os soberanos macedônios do Egito. A cidade uniu idéias persas, egípcias, babilônicas e gregas. A ciência aplicada era tão importante quanto
a filosofia para os gregos. A roldana, o guincho e a manivela são mencionados pela primeira vez em Mecânica, obra de Aristóteles.

O motor a vapor de Herão

Herão é considerado o maior inventor de Alexandria. Sua criação mais extraordinária foi a “bola de vento”, que convertia energia térmica em movimento mecânico, e assim pode ser considerada um motor, o primeiro acionado por vapor. Nunca teve qualquer aplicação prática, mas seus princípios básicos são fundamentos da engenharia moderna.

  1. A água aquecida no caldeirão fechado começa a ferver e se transforma em vapor.
  2. Um tubo, provavelmente de cobre, leva o vapor do caldeirão para a bola de metal.
  3. O vapor se acumula dentro da bola.
  4. Jatos do vapor são forçados a sair pelos dois tubos de cobre, em formato de L, nos lados opostos da bola, que começa a girar.
  5. Os eixos se encaixam na bola com mancais, permitindo os giros. À medida que o calor aumenta, a bola gira mais e mais depressa.

Numa das invenções de Herão, o vapor produzido por um caldeirão de água sobe por um tubo até uma abertura parecida com um copo. Ali, a força do vapor mantém uma pequena esfera de metal suspensa no ar.

A busca do conhecimento

Os gregos são mais conhecidos por suas realizações nas artes e na filosofia. Acredita-se erroneamente que as proezas técnicas do Ocidente só vieram com o Império Romano. Na verdade, porém, os gregos construíram faróis, canais, túneis, motores a vapor, bombas, prensas, calculadores astronômicos, relógios e autômatos. Numa sociedade baseada no trabalho escravo, os gregos não precisavam aplicar tudo o que sabiam em termos práticos.

Dispunham de farta mão-de-obra para transportar matéria-prima e erguer edifícios. Além disso, sua inspiração era o conhecimento puro, e não o lucro. E isso explica por que o controle da energia - vital para os trens, navios e carros a motor da era industrial – tinha pouca importância para os engenheiros antigos.

Apesar disso, foi um alexandrino, trabalhando em projetos de engenharia de pequena escala, há quase dois mil anos, quem primeiro compreendeu o potencial da energia do vapor. Herão, considerado o maior engenheiro de Alexandria, viveu no século I d.C. Embora herdeiro de uma rica tradição grega, é bem possível que ele tivesse origem egípcia.

Herão gostava de oferecer espetáculos, fascinando seus concidadãos com a chamada magia científica. Sabemos disso porque ele era instado com freqüência a criar “divertimentos” mecânicos. Mas o showman fazia uma nítida distinção entre os artefatos mecânicos que “atendem demandas da vida” e aqueles que “produzem espanto e admiração”. E devotou igual energia a ambos.

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