Os engenheiros da Antigüidade conheciam o motor a vapor
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Uma visita a Alexandria, no século I d.C., era uma viagem ao coração do mundo antigo. Ali, à sombra de Faros, o maravilhoso farol, havia prédios consagrados ao saber humano. A rua principal, com 30 m de largura e 5 km de extensão, levava à famosa biblioteca, que continha cerca de meio milhão de livros escritos em papiro, ou ao Museion, onde estudiosos conviviam com artistas plásticos, poetas e artesãos, trabalhando pelo progresso do conhecimento.
Os egípcios haviam construído monumentos espetaculares a seus faraós; os babilônios desenvolveram o calendário e a matemática; mas a palavra “idéia” é grega. Alexandria foi a sede da dinastia ptolomaica - os soberanos macedônios do Egito. A cidade uniu idéias persas, egípcias, babilônicas e gregas. A ciência aplicada era tão importante quanto
a filosofia para os gregos. A roldana, o guincho e a manivela são mencionados pela primeira vez em Mecânica, obra de Aristóteles.
Herão é considerado o maior inventor de Alexandria. Sua criação mais extraordinária foi a “bola de vento”, que convertia energia térmica em movimento mecânico, e assim pode ser considerada um motor, o primeiro acionado por vapor. Nunca teve qualquer aplicação prática, mas seus princípios básicos são fundamentos da engenharia moderna.
Numa das invenções de Herão, o vapor produzido por um caldeirão de água sobe por um tubo até uma abertura parecida com um copo. Ali, a força do vapor mantém uma pequena esfera de metal suspensa no ar. |
A busca do conhecimento
Os gregos são mais conhecidos por suas realizações nas artes e na filosofia. Acredita-se erroneamente que as proezas técnicas do Ocidente só vieram com o Império Romano. Na verdade, porém, os gregos construíram faróis, canais, túneis, motores a vapor, bombas, prensas, calculadores astronômicos, relógios e autômatos. Numa sociedade baseada no trabalho escravo, os gregos não precisavam aplicar tudo o que sabiam em termos práticos.
Dispunham de farta mão-de-obra para transportar matéria-prima e erguer edifícios. Além disso, sua inspiração era o conhecimento puro, e não o lucro. E isso explica por que o controle da energia - vital para os trens, navios e carros a motor da era industrial – tinha pouca importância para os engenheiros antigos.
Apesar disso, foi um alexandrino, trabalhando em projetos de engenharia de pequena escala, há quase dois mil anos, quem primeiro compreendeu o potencial da energia do vapor. Herão, considerado o maior engenheiro de Alexandria, viveu no século I d.C. Embora herdeiro de uma rica tradição grega, é bem possível que ele tivesse origem egípcia.
Herão gostava de oferecer espetáculos, fascinando seus concidadãos com a chamada magia científica. Sabemos disso porque ele era instado com freqüência a criar “divertimentos” mecânicos. Mas o showman fazia uma nítida distinção entre os artefatos mecânicos que “atendem demandas da vida” e aqueles que “produzem espanto e admiração”. E devotou igual energia a ambos.
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