Processo decisório

A principal instância decisória do Fórum Social Mundial é o Conselho Internacional, formado por representantes de 148 movimentos sociais e ONGs de diversos países. O Brasil detém nove dessas vagas, ocupadas, entre outros, por líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e pela Central Única dos Trabalhadores (CUT). O FSM mantém ainda um escritório permanente em São Paulo e cria comitês organizadores nacionais quando cada grande encontro anual é realizado.

O poder do Conselho Internacional é relativo. As decisões devem seguir os 14 itens da Carta de Princípios firmada desde o primeiro FSM, em 2001, em Porto Alegre. Além disso, todas as atividades realizadas em um Fórum Social são chamadas de “autogestionadas”, ou seja, são realizadas autonomamente pelas entidades que desejam promovê-las. Isso, segundo o Conselho, incentiva a pluralidade de visões e evita que a pauta seja direcionada.


Crédito: Agência Carta Maior
Hugo Chávez durante Fórum Social Mundial
realizado na Venezuela em 2006

­O item nove da Carta de Princípios, por exemplo, veta a participação de “representações partidárias” no FSM. No entanto, movimentos sociais sistematicamente convidam presidentes, prefeitos e parlamentares para participar de suas atividades, não sofrendo qualquer sanção por isso. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou diversas vezes do FSM, assim como seu colega venezuelano Hugo Chávez.

Desde seu início, a realização de Fóruns Sociais também tem dependido do apoio financeiro de governos. No Brasil, aportes feitos pelo Governo Federal, a Prefeitura de Porto Alegre e o Governo do Rio Grande do Sul foram fundamentais para garantir infra-estrutura e pagar a viagem dos participantes convidados, sendo boa parte deles estrangeiros. O orçamento do FSM realizado em Porto Alegre, em 2005, foi de 8,3 milhões de dólares – custo pago também pelo montante arrecadado com a taxa de inscrição dos participantes e pelas doações de militantes e de grandes ONGs internacionais.
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