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| folclore |
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Rapunzel, Curupira, Branca de Neve, Boitatá, Saci Pererê, João e Maria. Durante séculos, essas lendas, além de inúmeras crendices e costumes, foram transmitidas oralmente e ganharam novas versões de geração para geração, de cultura para cultura, para formar um amplo repertório do saber popular ao redor do mundo. Em determinados momentos, muito do que fazia parte da tradição oral ganhou versões literárias, como as dos Irmãos Grimm para Branca de Neve, Cinderela e João e Maria, ou as de Monteiro Lobato para o Saci e a Mula-sem-cabeça. Para identificar e estudar essas manifestações das culturas populares, surgiu no século 19 uma nova terminologia e um novo campo do conhecimento: o folclore.
![]() O Curupira, um dos mitos mais antigos do folclore brasileiro |
Foi o britânico William John Thoms quem sugeriu em 1846 que uma nova palavra fosse adotada para se referir a essas tradições populares, a partir da junção dos termos em inglês folk (povo) mais lore (saber). A idéia pegou e o termo folclore passou ao mesmo tempo a designar o conjunto das manifestações da cultura popular e a ser um campo de estudos dessas manifestações.
Mas a visão que o folclore e os folcloristas têm das culturas populares é alvo de críticas de pesquisadores que se debruçam sobre o assunto. Segundo eles, o principal problema é que os estudos folclóricos registram e “imortalizam” as manifestações populares em uma forma fixa, quando essas manifestações são naturalmente dinâmicas e mutantes. Enquanto transmitidas oralmente de geração para geração através da memória popular, que não é exata e está constantemente sujeita a diversas influências, as lendas, crendices, brincadeiras, festas e costumes ganham variações, adaptações e são modificadas freqüentemente. Ao registrarem essas manifestações orais em livros e filmes, os estudos folclóricos tendem a criar um estereótipo delas e a caracterizar a cultura popular como algo imutável e conservador.
Outra corrente de estudos que discorda da abordagem do folclore, mas de forma bem menos radical, surgiu nos anos 60. O folklife entende que o folclore concentra seus esforços no estudo da tradição oral e deixa em segundo plano elementos materiais como os produtos e as habilidades dos artesãos populares, por exemplo. Mas tanto o folclore como o folklife concentram seus estudos em quatro campos: na expressão oral, que inclui as narrativas, poemas e canções populares, na cultura material, que inclui a fabricação de roupas, técnicas de trabalho, mobiliário e culinária popular, nos costumes sociais, como os ritos de passagem e as interações sociais nos grupos, e nas manifestações artísticas, como a música, a dança e o teatro.
![]() Agência Estado Celebração do Carnaval em Santos (SP) nos anos 60; o Carnaval é uma das mais universais manifestações da cultura popular |
Seja com uma visão folclórica ou não, o que está no centro das atenções, quando se fala de folclore, é a cultura popular. E uma das manifestações mais universais dessa cultura são os contos de fadas, um produto da tradição oral que se metamorfoseou ao longo dos tempos. Antes de virarem contos de fadas destinados às crianças, as historinhas de “Chapeuzinho Vermelho”, “A Bela Adormecida” e tantas outras começaram como narrativas populares para adultos, com cenas de adultério, incesto e mortes violentas. A oralidade na transmissão dessas histórias possibilitou uma série de adaptações em seus enredos, de geração para geração, até ganharem versões “definitivas” por escritores como Charles Perrault, no século 17, ou os irmãos Jacob e Wilhelm Grimm, no século 19.
Outro aspecto da cultura popular que foi folclorizado são as festas e celebrações. Uma das mais universais dessas manifestações e que ainda sobrevive é o Carnaval. Outras, porém, foram completamente transformadas, como as ligadas aos ciclos das estações e da agricultura. A celebração do solstício de inverno era comum nas culturas nórdica, romana e celta, que o celebravam com festas que duravam dias, como as Saturnálias Romanas, com seus banquetes, orgias e sacrifícios. Com a imposição do Cristianismo, essas celebrações profanas deixaram de existir ou se adaptaram aos princípios cristãos. As festas do solstício de inverno, por exemplo, foram substituídas pelo Natal. Celebrações do solstício de verão europeu se transformaram no Dia de São João, com o predomínio da tradição católica. Trazidas ao Brasil pelos portugueses e outros imigrantes europeus, elas viraram as festas juninas.
Conheça a seguir alguns dos componentes da cultura popular brasileira que são considerados como parte do folclore nacional.