Problemas do passado

Profissionais de busca e resgate no local do atentado à bomba, em Oklahoma
Foto cedida FEMA
Profissionais de busca e resgate se reúnem no local do atentado à bomba, em Oklahoma
A FEMA não é perfeita, apesar de todas as coisas boas que faz. No passado, houve problemas com relação às ações emergenciais da FEMA aos desastres e eles ficaram mais evidenciados quando o furacão Katrina ocorreu.

Os críticos afirmam que um dos maiores problemas da FEMA é a burocracia. Há muitos funcionários administrativos que se sobrepõem às agências estaduais e federais e às prioridades políticas. Parece uma ironia porque originalmente a FEMA foi formada para eliminar as redundâncias e as ineficiências dos esforços de gerenciamento de desastres do passado. A agência pode atuar com muita rapidez, pois o presidente pode dar uma declaração sobre um desastre em poucas horas. Entretanto, solicitações têm sido negadas ou devolvidas porque formulários corretos não são preenchidos de forma adequada ou falta uma assinatura. Às vezes, os responsáveis devolvem as solicitações por correio, atrasando em dias a resposta da FEMA ao desastre.

Talvez alguns dos problemas tenham se originado com as recentes mudanças na organização da FEMA relacionadas à absorção da agência pelo Departamento de Segurança Nacional. Antes dessa mudança, os responsáveis estaduais e federais respondiam, planejavam e reagiam juntos aos desastres. A FEMA foi reconhecida por sua resposta a desastres como o atentado à bomba de Oklahoma e o terremoto de Los Angeles, em 1994. O governo Bush está trabalhando para transferir a responsabilidade do gerenciamento de desastres das agências federais para as agências estaduais e locais. O governo também cortou boa parte da subvenção da FEMA. Em Louisiana, os recursos para estudos e esforços de prevenção contra enchentes na área do Lago Pontchartrain foram cortados em mais de US$40 milhões e as Divisões de Engenharia das Forças Armadas tiveram seu orçamento diminuído em US$71 milhões.

A FEMA foi criticada pelo tempo de resposta insuficiente aos desastres anteriores ao governo Bush, como o furacão Andrew, em 1992, e o furacão Hugo, em 1990. Alguns críticos crêem que a qualidade da liderança na agência continua baixa devido à desigualdade do registro de respostas. Os presidentes indicaram amigos para altos cargos na FEMA, mas muitas das pessoas indicadas tinham pouca ou nenhuma experiência no gerenciamento de desastres. O presidente George W. Bush foi acusado de ter feito isso quando nomeou Michael Brown como o responsável pela FEMA.

Na próxima seção, veremos os problemas com relação à resposta ao furacão Katrina.

Declarando um grande desastre
A FEMA não pode agir a menos que o presidente declare um grande desastre. Quando isso ocorre, o processo normalmente funciona da seguinte forma:
  1. os responsáveis locais ou estaduais declaram um estado de emergência. As equipes de emergência locais e os primeiros socorristas trabalham para lidar com o desastre da melhor forma possível;
  2. as agências estaduais respondem. Isso pode incluir as tropas da Guarda Nacional;
  3. os responsáveis avaliam o dano;
  4. o governador do estado envolvido faz uma solicitação oficial de declaração de desastre, com base na avaliação dos danos;
  5. a FEMA faz uma recomendação ao presidente, que aprova ou nega;
  6. após uma declaração presidencial de desastre, a FEMA pode começar a fornecer auxílio.

Katrina: quem é o culpado?
Após a passagem do furacão Katrina fica difícil apontar um culpado pela resposta lenta e inadequada à Costa do Golfo. Ray Nagin, prefeito de New Orleans e Kathleen Blanco, governadora da Louisiana, culparam a FEMA e o governo federal. Michael Brown, responsável pela FEMA, na época do desastre, culpou o estado "despreparado" da Louisiana. Pouco depois, Brown se demitiu. Mais tarde foi revelado que ele planejava se demitir antes do furacão Katrina, o que a senadora Susan M. Collins afirma que "em parte, pode explicar sua indiferença durante a catástrofe ".

A governadora Blanco em uma entrevista coletiva no Escritório de Gerenciamento de Emergências falando sobre o furacão Katrina
Foto cedida Jocelyn Augustino / FEMA
A governadora Blanco fala em uma coletiva de imprensa sobre o furacão Katrina, enquanto o então diretor da FEMA, Michael Brown, observa

Em última instância, nenhuma agência pode se eximir da culpa. Os cortes no orçamento federal deixaram a cidade de Nova Orleans vulnerável a uma tempestade que todos sabiam que poderia ocorrer um dia. Os responsáveis locais poderiam ter feito mais para ajudar a evacuar as pessoas que não conseguiram se deslocar sozinhas, como as pessoas idosas, doentes e pobres. A FEMA poderia ter sido mais rápida na resposta. Contatado na noite em que ocorreu o furacão pela governadora Blanco, o presidente Bush não respondeu com um auxílio imediato. De acordo com a Newsweek: "há uma série de providências que Bush poderia ter tomado, assumindo o controle federal em grande escala, como determinar que o exército assumisse o sistema de comunicações de emergência deplorável e (agora) interrompido na região. Mas o presidente, que estava em San Diego se preparando para fazer um pronunciamento no dia seguinte sobre a guerra no Iraque, foi dormir".

A FEMA poderia ter permitido que as agências externas fornecessem ajuda mais rápido. Há vários casos de funcionários públicos, departamentos de polícia e grupos de voluntários que estavam preparados e aguardando para ir à Nova Orleans e fornecer auxílio imediato, mas foram recusados pelos responsáveis da FEMA devido a motivos burocráticos. Realmente, não há um culpado: os esforços para minimizar o desastre parecem ter falhado em todas as esferas, começando de cima.

Teorias da conspiração
Para algumas pessoas, a incompetência da FEMA é o menor dos crimes da agência. Esses teóricos acreditam que a FEMA faz parte de uma conspiração do governo para assumir o controle militar do país e escravizar os norte-americanos. Eles alegam que a criação da FEMA foi inconstitucional e que a agência tem o poder de controlar todos os estados com uma simples declaração de desastre. O orçamento da FEMA supostamente inclui bilhões de dólares direcionados em sigilo para projetos e propósitos desconhecidos. Afirmações mais contundentes incluem um bunker secreto no Monte Weather, em West Virginia, onde um governo inteiro foi estabelecido para assumir o controle do país. Alguns teóricos alegam que bases militares próximas serão usadas como prisões para os norte-americanos que representarem uma ameaça ao novo governo.

As alegações são verdadeiras? Não há prova definitiva e é difícil imaginar o que este governo sombrio faria para assumir o controle de todos os aspectos do país e aprisionar milhões de cidadãos. Entretanto, até mesmo as teorias de conspiração mais absurdas começam com uma certa legitimidade. Talvez a FEMA possa receber muito facilmente um controle excessivo em situações pouco definidas.

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