Depoimento de quem já esteve lá
Hoje ele tem 20 anos, trabalha como balconista em uma farmácia na Zona Oeste de São Paulo e, à noite, vai para a escola. Não usa mais drogas, namora uma garota um ano mais velha do que ele e faz planos: “quero me casar daqui há quatro anos, quando terminar o colegial”. Paulinho, como vamos chamá-lo aqui, nem sempre viveu esta vida normal a muitos adolescentes.
Aos 15 anos, usava e traficava drogas (levava as encomendas para os clientes a mando do traficante dono da boca no bairro em que ele morava) e foi preso. Levado para a Febem ficou lá quase dois anos. Uma história que ele garante, nunca mais vai esquecer, e que conta com
exclusividade para o HSW. “Eu fazia as coisas erradas, mas nunca tinha ido para cadeia. A Febem é igual a uma cadeia, prisão. Eu sei porque meu pai ficou preso e me contou como era na prisão e não tem diferença. Não tem nada pra fazer. Nós só jogávamos bola e fumávamos maconha. Tinha um curso de vez em quando de fazer bichinhos com papel, aquelas coisas de japonês,
uma palhaçada! E era só isso.
Lá só aprendi a ser mais malandro e a saber como “enquadrar” alguém, como seqüestrar roubar e outros crimes. Entrei lá por causa de passar “bagulho” e de fumar também e lá aprendi de tudo quanto é coisa de crime. Os mais experientes e mais velhos ensinam tudo. Teve duas rebelião enquanto eu estava lá e tive que participar. Uma aconteceu porque a comida estava uma droga e a outra nem lembro. Uma pá de cara também fugiu um dia, mas eu não quis ir porque estava quase perto de sair em liberdade. Vou te falar: se eu não tivesse cabeça tinha saído de lá pior do que entrei, vinha no veneno aqui prá fora e olha que sabia como fazer! Mas minha mãe sempre me deu uma força e me aconselhou para eu sair e não voltar. Não é fácil voltar para o inferno, né? Lá não piso mais! Quero viver em paz, casar, ter filhos e ensinar o bom caminho pra eles”.
Outro jovem ao sair da Febem, fez um “poema” que
publicou na Internet:
“Maus tratos, injúrias
chamam isso de educar
sujeitos a tortura
caixão é o seu lugar!
brigas, rebeliões,
passado eternizado...
Se sair chance não terá
prá sempre está condenado
um dia na Febem
e prá sempre levará
tristeza dentro do peito
e o ódio no olhar
pancadas, humilhações,
por todos abandonados
angústia e privações
o monstro está criado! “