Outras questões relacionadas à fazenda de corpos

Deixar cadáveres expostos ao tempo não é uma atividade para qualquer um. Crenças e tradições relacionadas ao sepultamento de mortos variam muito dependendo da cultura, religião e região geográfica. Os antigos egípcios promoviam cerimônias e preparativos funerários como o embalsamento, prática comum até hoje. Budistas tibetanos tendem a optar pelo funeral a céu aberto, no qual o corpo é deixado exposto para ser comido pelos urubus (em inglês). Algumas pessoas planejam ser cremadas quando morrerem, enquanto outras podem achar a idéia de destruir o corpo por meio do fogo perturbadora.

Ritual de morte Zulu, em Johannesburgo, na África do Sul
Cliff Parnell © iStockphoto.com
Ritual de morte Zulu, em Johannesburgo, na África do Sul

Alguns cidadões de San Marcos, Texas (em inglês), reclamaram quando descobriram que a Universidade do Estado do Texas planejava construir uma fazenda de corpos na proximidade. As preocupações diziam respeito ao cheiro, possível desvalorização estética e até mesmo a chance de coiotes (em inglês) deixarem partes de corpos em decomposição na cidade. Quando um novo local foi sugerido, um problema típico do estado interrompeu a construção - falcões (em inglês). Os moradores temiam que a instalação atraísse esse animais e outras aves predadoras, o que representaria um risco para os aviões que passam na região em baixa altitude devido a um aeroporto próximo. A instituição de ensino tranquilizou a população, anunciando que a fazenda de corpos seria instalada em uma propriedade de 12 quilômetros quadrados e que ficaria, no mínimo, a 1.600 metros de qualquer propriedade vizinha. O isolamento e a privacidade do local, final acalmou os moradores.

Um outro medo comum diz respeito à contaminação e proliferação de doenças. A faculdade encarregada de cuidar destes centros de decomposição faz tudo o que é possível para amenizar tais preocupações. As fazendas de corpos não aceitam cadáveres com doenças infecciosas. Além disto, todos que trabalham próximos aos mortos precisam tomar uma série de vacinas para prevenir hepatite, tétano e outras doenças. Na verdade, os próprios corpos evitam a difusão de doenças. Quando entram em processo de putrefação, os organismos causadores da doença também se decompõem, tornando os restos mortais inofensivos.

É preciso construir mais fazendas de corpos nos Estados Unidos, pois as pesquisas feitas nos corpos em um determinado local oferecem dados aplicáveis a outros encontrados nas mesmas condições ambientais. Embora isto não represente um problema para corpos encontrados em estados como a Geórgia (em inglês) ou Virgínia (em inglês), os efeitos da decomposição variam muito em clima desértico, como o Arizona (em inglês) ou o Novo México (em inglês). Este problema específico estimulou a criação de um centro de estudos no Texas. O ideal seria que cada estado americano tivesse ao menos uma fazenda de corpos em operação, mas isto deve levar mais alguns anos para acontecer.

Para que ela exista, é necessário que haja corpos - e o seu poderá ser um deles. Se você deseja ser um doador para um centro de antropologia forense, você deve realizar os trâmites antes de morrer. E também deve informar os membros da família ou um advogado sobre sua decisão para que a fazenda de corpos possa ser informada de sua morte. Geralmente, a universidade coleta o corpo doado depois do final do funeral. No entanto, dependendo da distância entre o local em que o cadáver está e a universidade, pode ser preciso pagar para encaminhar o corpo.

Na próxima página, vamos analisar alguns mistérios solucionados por meio de habilidades e conhecimentos adquiridos nas fazendas de corpos.