Foto cortesia U.S. NARA
O líder fascista italiano Benito Mussolini (esquerda) e Adolph Hitler, 1940

Após os ataques terroristas, o governo Bush encontrou um novo termo para caracterizar os fundamentalistas islâmicos: fascistas. A "guerra contra o terrorismo" silenciosamente se tornou a "guerra contra o fascismo islâmico", e o termo "islamofascismo" ganhou verbete próprio na Wikipédia. Aliás, o termo "fascismo cristão" também tem seu verbete. Hoje em dia a palavra fascismo é usada de maneira ampla, muitas vezes para descrever filosofias aparentemente contraditórias. Assim, o que o termo quer dizer, exatamente?

A palavras "fascistas" (ou fascisti), tal qual empregada nos anos 30 por Benito Mussolini, o líder do primeiro movimento fascista e ditador fascista da Itália antes e durante a Segunda Guerra Mundial, provavelmente vem da palavra italiana fascis e da palavra latina fasces. Fascis quer dizer algo como "feixe" ou "unidade". O fasces era um símbolo de poder na Roma antiga - um machado cercado por hastes de madeira. As duas raízes oferecem um bom vislumbre quanto aos preceitos básicos do fascismo: unidade e poder.

A lista de Schindler

A lista dos 801 judeus salvos do Holocausto pelo alemão Oskar Schindler foi localizada por funcionários da biblioteca estadual de New South Wales, na capital australiana, Sydney.

Leia mais em VEJA.com

Parte do motivo para que o termo fascismo pareça aplicável a tantos pontos de vista políticos e sociais diferentes é o fato de que seja notoriamente difícil de ser definido. A variedade de fascismo promovida por Mussolini não era exatamente igual ao fascismo de Francisco Franco (na Espanha), nem se assemelha aos movimentos neofascistas (posteriores à Segunda Guerra), caracterizados por grupos como os skinheads. Ainda assim, existem determinados princípios que ajudam a identificar um movimento fascista:

  • poder absoluto do Estado: o Estado fascista é uma entidade viva e gloriosa que é mais importante do que qualquer indivíduo, que precisam deixar de lado suas necessidades pessoais e se dedicarem a atender às necessidades do Estado. Não existe lei ou outro poder que possa limitar a autoridade do Estado;
  • sobrevivência dos mais aptos: um Estado fascista só se mantém poderoso e glorioso com base em sua capacidade de travar guerras e vencê-las. A paz é vista como fraqueza, a agressão como força. A força representa o bem, e garante a sobrevivência do Estado;
  • ordem social estrita: as classes sociais são respeitadas de forma estrita a fim de evitar o "domínio da turba" ou qualquer indício de caos. O caos é uma ameaça ao Estado. O poder absoluto e a grandeza do Estado dependem da manutenção de um sistema de classes no qual cada indivíduo tem um lugar específico, não podendo ser alterado;
  • liderança autoritária: manter o poder e a grandeza do Estado requer um líder único e carismático, dotado de autoridade absoluta. Esse líder poderoso e heróico mantém a unidade e a submissão inquestionável requeridas pelo Estado fascista. O líder autoritário é muitas vezes visto como símbolo principal do Estado.

Algumas pessoas usam o termo "fascista" para descrever qualquer indivíduo ou governo autoritário. Mas, como disposto acima, o autoritarismo é apenas uma parte da filosofia fascista. O comunismo, sob o regime de Stálin, também era uma filosofia política autoritária; mas o fascismo se opõe diretamente ao comunismo (bem como à democracia, liberalismo, humanismo e racionalismo). Além dos princípios acima, um Estado fascista também promove, tipicamente, uma economia privada submissa à regulamentação governamental; submissão imediata (e freqüentemente violenta) de quaisquer opiniões opostas; e o domínio étnico de um povo, com uma posição inferior para as pessoas de origens externas.

Embora os políticos e os analistas conservadores pareçam mais que dispostos a estabelecer uma conexão entre uma filosofia social e política com o fascismo e uma filosofia de base religiosa como o fundamentalismo islâmico, os estudiosos hesitam bem mais antes de cruzar essa ponte. "Fascismo religioso", ocasionalmente conhecido como "fascismo clerical", é um tema debatido desde que a expressão foi criada para descrever o que alguns viam como relacionamento entre a Igreja Católica e o governo de Mussolini. Algumas pessoas viam a Igreja como favorável ao fascismo na Itália. Já que a religião pode ter fortes laços com a etnia, muitos estudiosos encontraram similaridades filosóficas entre o fascismo político e o fundamentalismo religioso. Por outro lado, a palavra não pode ser considerada moralmente neutra, em seu uso moderno. "Fascista" se tornou popular como termo de insulto - uma expressão genérica usada para designar "indivíduo de má índole". Fazer uma conexão entre uma determinada religião e o fascismo pode ser empreitada perigosa, se considerarmos a conotação corrente do termo "fascismo" e a dificuldade inerente em definir com precisão uma filosofia fascista específica.


Artigos relacionados

Mais links interessantes (em inglês)

  • Modern History Sourcebook: Benito Mussolini: What is Fascism, 1932
  • Economic Fascism, by Thomas J. DiLorenzo