Métodos de espionagem

Aldrich Ames

Aldrich Ames
Foto cedida Departmento de Justiça dos Estados Unidos
Aldrich Ames foi condenado sem direito à liberdade condicional em abril de 1994.

O oficial da CIA (em ingles) Aldrich Ames começou os serviços de espionagem para a Rússia nos anos 1980 por diversos motivos, mas principalmente porque ele tinha muitas dívidas e precisava de dinheiro. Ames era um "voluntário" - apareceu com um plano para vender os nomes dos russos que trabalhavam para a CIA e foi à embaixada da União Soviética em Nova York para fazer isso. Exigiu a quantia de US$ 50 mil e continuou a espionar por dinheiro por vários anos. Pelo menos três pessoas foram executadas pela Rússia devido à espionagem de Ames.

Os métodos para obtenção de informação são tão variados quanto às informações propriamente ditas. Os elementos mais importantes de uma operação de espionagem a longo prazo são o uso de uma cobertura e a criação de uma legenda. Uma cobertura é uma identidade secreta, e a legenda é a história de vida e os documentos que sustentam a cobertura. Por exemplo, um agente britânico cuja identidade é a de um contador russo precisaria falar russo e conhecer muito sobre finanças russas. Para fazer a cobertura parecer mais realista, a legenda deve ser muito convincente. O agente terá uma história de vida falsa que ele precisa memorizar. Onde ele estudou? Ele tem um diploma que prove isso? Onde ele nasceu? Quem é sua ex-mulher? Quais são seus hobbies? Se a legenda afirma que o agente gosta de pescar, é melhor ter um equipamento de pesca em casa - o fracasso ou o sucesso dos espiões depende desses mínimos detalhes.

Uma vez definida a cobertura, ele deve passar anos exercendo sua atividade e estabelecer confiança. O espião pode tentar ser promovido ou transferido para uma posição com acesso a informações vitais, ou ser amigo de alguém que tenha acesso a elas.

É possível para um espião memorizar a informação e passá-la para seu controlador. Entretanto, é mais confiável fotocopiar papéis e mapas, normalmente transferindo os dados para um pequeno pedaço de microfilme ou microponto. Roubar documentos originais poderia acabar com a cobertura do espião. Então, uma variedade de minicâmeras escondidas em objetos inofensivos são utilizados. Para mais detalhes desses apetrechos, veja em Como funcionam os objetos de espionagem.

Há inúmeras maneiras tecnológicas para os países espionarem um ao outro sem mesmo enviar um espião para coletar informações. Satélites equipados com câmeras revelam posições de unidades militares desde a década de 60. Primeiramente, o satélite lançaria no oceano uma lata com o filme dentro. Em 1970, a tecnologia do filme digital foi usada pela primeira vez, permitindo aos satélites transmitirem dados fotográficos via rádio. Hoje os satélites de espionagem podem tirar fotografias com alta resolução que podem sair na manchete de um jornal.

Mys Shmidta Air Field, USSR, one of the first images from the first U.S.spy satellite, CORONA, in 1960.
Foto cedida National Reconnaissance Office
Esta imagem da base Mys Shmidta, na antiga URSS, é uma das primeiras imagens tiradas pelo satélite norte-americano CORONA, em 1960.

Era mais difícil conseguir esses detalhes nas décadas de 60 e 70 - os aviões espiões como o U2, tinham de sobrevoar o território inimigo, expondo o piloto ao risco de ser atingido, e ameaçando a nação espiã com o risco de um constrangimento internacional.

Outras formas de Tech Int, ou inteligência tecnológica, incluem microfones super-sensitivos, telefones grampeados, equipamento sísmico para detectar testes nucleares e sensores submarinos para encontrar submarinos inimigos. Os espiões também podem escanear, gravar e analisar freqüências de rádio inimigas e ligações de telefones celulares.

Plano de espionagem do U-2 fracassa

Em 1960, o presidente dos EUA, Dwight Eisenhower, autorizou o vôo de um avião espião U-2 diretamente sobre a União Soviética. O avião foi atingido por um míssil russo e o piloto, Francis Gary Powers, salvou-se pulando de pára-quedas. Os russos recuperaram Powers e os pedaços de seu avião, ficando evidente que se tratava um vôo espião. Primeiro, Eisenhower alegou que era uma missão perdida de pesquisa sobre o clima, mas quando o líder soviético Nikita Krushchev revelou que Powers havia sido capturado e as câmeras salvas do acidente, os Estados Unidos tiveram que admitir que estavam espionando.