O desfile

Cada grupo de escolas de samba tem um regulamento para o seu desfile, mas pouca coisa muda entre um e outro. As principais diferenças são limites mínimos e máximos de integrantes em cada setor e o tempo de apresentação.

Basicamente, toda escola deve ter mestre-sala e porta-bandeira, comissão de frente, alas, alegorias e bateria, além, obviamente, de um samba-enredo. Todos esses elementos devem estar em harmonia com o tema escolhido. Nesta página, vamos entender o que são cada um desses elementos e como são julgados pela comissão do Carnaval.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Mestre-sala e porta-bandeira
Divulgação: Liesa
O mestre-sala e a porta-bandeira abrem o desfile

É o casal que puxa o desfile apresentando a escola de samba. Pode haver mais de um casal por escola. Suas fantasias, nas cores da agremiação, são inspiradas em trajes imperiais. A porta-bandeira, como o próprio nome diz, leva a bandeira com o nome e o símbolo da escola (pavilhão) e o mestra-sala acompanha-a, desempenhando o papel de guardião.

Uma das principais exigências do casal é uma postura elegante. Eles não podem, por exemplo, sambar. Devem apenas executar um bailado mais discreto que o samba. Ela gira em torno de seu próprio eixo de um lado para outro, fazendo rodar a saia. Ele tem mais liberdade, mas deve prestar atenção para que seus movimentos ajudem a chamar a atenção para o pavilhão e nunca para si.

Mestre-sala e porta-bandeira não podem se comunicar verbalmente durante as apresentações nem dar as costas um para o outro por muito tempo, sob pena de perder pontos. Também são penalizados se deixarem cair assessórios (como chapéus e sapatos) pela avenida, se o casal trombar ou se ela deixar o pavilhão bater no rosto do mestre-sala ou se enrolar no próprio corpo.

O casal tem origem nas figuras do baliza e da porta-estandarte dos ranchos, grupos carnavalescos populares do século 19. Nessa época, os ranchos tinham o costume de tentar roubar as bandeiras dos outros. O grupo que tivesse a sua roubada não poderia desfilar no ano seguinte, o que acabou criando a necessidade de ter um guardião.

Comissão de Frente

Comissão de frente
Divulgação: Liesa
A comissão de frente resume o tema do desfile


Logo depois do mestre sala e da porta bandeira, este é o primeiro setor a entrar na passarela. A função do grupo, que tem de 10 a 15 pessoas, é apresentar a escola e dar uma idéia geral do tema do desfile. Eles podem fazer coreografias diferenciadas, chegando em alguns casos a ter acrobacias. É muito importante também que os membros desse setor saúdem o público – isso é levado em conta pelos jurados na hora de dar a nota.

As fantasias do grupo podem ser relacionadas ao enredo ou tradicionais, composta de trajes masculinos sociais (terno, smoking, fraque etc.). Esse tipo de vestimenta é uma referência a um costume da época das primeiras escolas de samba. A comissão de frente naqueles tempos era composta pelos diretores, que, vestindo suas melhores roupas, saudavam a platéia com seus chapéus.

Bateria

Bateria
Divulgação: Liesa
A bateria é o coração da escola

É o coração da escola de samba. Composta por percussionistas, é o setor responsável por dar ritmo ao desfile. É seguindo a batida da bateria que os integrantes da escola avançam na avenida executando suas coreografias.

São obrigatórios os seguintes instrumentos: surdo (que produz sons graves); repique e caixa (que produzem os agudos); tamborim e chocalhos, produzindo os agudíssimos. A bateria pode complementar esse conjunto se quiser desde que não utilize quaisquer instrumentos mecânicos para marcar pulsação ou andamento. Instrumentos de sopro e cordas são vetados.

Os instrumentistas são comandados por mestres de bateria (ou diretores) e seus assistentes, que garantem a sincronia do batuque – a principal exigência do regulamento. Fica também na bateria os puxadores do samba-enredo, que cantam a letra da música.

Buscando a perfeição, as baterias ensaiam durante praticamente o ano todo – algumas começam a praticar uma semana após o Carnaval para a festa do ano seguinte.

Um costume das escolas, que opcional mas muito usado, é ter rainha e madrinha de bateria. São belas mulheres que desfilam junto com os instrumentistas. A diferença entre os dois títulos está na relação da musa com a escola: o posto de rainha é reservado a moças ligadas à comunidade enquanto o de madrinha fica para uma celebridade convidada.

Ala das baianas

Ala das baianas
Divulgalção: Liesa
As baianas são a mais tradicional das alas

Composta exclusivamente por mulheres, é ala obrigatória para todas as escolas. Com trajes típicos de baianas, com saias rodadas e turbantes, as integrantes passam o desfile rodando, o que cria uma das mais belas cenas do desfile.

A fantasia fica completa com colares coloridos e turbantes. O costume vem da década de 30, época em que nasceram as primeiras escolas de samba, quando a fantasia de baiana era a mais popular entre as cariocas.


Vigias de saias

Quando as escolas começaram a crescer e se organizar, formou-se uma ala diferente de baianas. Era homens vestidos com saias rodadas, que desfilavam nas laterais da escola com navalhas amarradas às pernas e protegiam o cortejo, segundo o historiador Hiram Araújo, diretor cultural da Liesa. Hoje, eles não existem mais.


Velha Guarda e ala das crianças

A maioria das escolas de samba reserva um espaço especial para os integrantes com mais tempo de casa: a Velha Guarda. A ala é uma espécie de reconhecimento pelo tempo de dedicação de anos a fio desses membros à agremiação. A animação dos participantes, entre os quais há muitos idosos, mostra que a idade não apagou a paixão pelo carnaval.

Os homens costumam vestir trajes sociais (ternos, fraques, smokings) em tons sóbrios ou nas cores da escola, e as mulheres desfilam com vestidos. Os chapéus também são marca registrada da ala. Com eles, a Velha Guarda cumprimenta a platéia ao longo do desfile, agradecendo o reconhecimento.

Algumas agremiações contam também com a participação de crianças. Elas têm uma ala especial e se suas fantasias podem seguir o tema do enredo ou ser inspiradas nas baianas para as meninas e nos homens da velha guarda para os meninos. A única exigência é que sejam leves para que os pequenos não tenham dificuldades de caminhar com elas. Ambas são opcionais.

Alegorias

Carro alegórico
Divulgação: Liesa
Carros alegóricos são uma
atração especial dos desfiles

São os carros alegóricos e outros elementos cenográficos com rodas. Sua principal função no desfile é ilustrar o enredo. Existe um limite máximo e mínimo para cada grupo.

Alguns participantes da escola de samba desfilam em cima das alegorias. Por conta da posição mais visível, são chamados de destaques. Mas esse espaço é reservado aos vips: o preço das fantasias chega a R$ 15 mil, as vagas são limitadas e têm preferência as pessoas que já ocupam o cargo. Os destaques e suas fantasias são considerados parte integrante da alegoria e são julgados como conjunto.

As escolas devem prestar atenção especial às suas alegorias antes de entrar na avenida. Elas podem perder pontos se caixas, escadas ou outros elementos usados na preparação acabarem sendo esquecidos.

Outras alas

Além das alas, já previstas no regulamento, as escolas criam várias outras, de acordo com o tema ou enredo escolhido.

Ala de escola de samba
Divulgação: Liesa
As alas podem ter coreografias independentes


­­Até as meias

A unidade entre o grupo é um dos principais quesitos analisados nos desfiles. As fantasias de cada setor, por exemplo, devem estar em completa harmonia da cabeça aos pés. Completa mesmo: no regulamento do carnaval carioca, a lista de adereços que devem ter uniformidade inclui até as meias dos participantes.


Samba-enredo

É a música que apresenta o enredo escolhido pela escola, cantada pelos integrantes e por intérpretes com microfones ao longo do desfile. Letra e melodia são julgadas como uma coisa só.

A escolha do samba-enredo é feita através de um concurso de composições de parcerias com pelo menos um associado da escola. Todos os participantes do concurso são convidados a desfilar no dia em uma ala especial de compositores.

Os temas

Os temas das escolas de samba são os mais variados possíveis. É possível ver uma homenagem a algum estado, região ou país nos desfiles, assim como homenagem a pessoas famosas e outros temas.

A dinâmica do desfile

O desfile das escolas sempre começa com o mestre-sala e a porta-bandeira, seguidos da comissão de frentes. As outras alas não têm uma ordem rígida. A bateria inicia o desfile numa área chamada armação da bateria, quando cerca de metade da escola já está na passarela, a bateria entra e depois para na área chamada recua. É a última ala a sair.