3 de janeiro de 2007

No mês de novembro de 2006, em Bagdá, o ex-ditador iraquiano Saddam Hussein foi julgado e condenado pelo assassinato de 148 pessoas em Dujail, Iraque, em 1982. No dia 30 de dezembro do mesmo ano, às 6 da manhã, a sentença foi consumada. 

Esse tipo de execução ainda é realizada em países como a Índia, a Malásia, a Cingapura, o Japão, o Irã e a Arábia Saudita. Em alguns casos, foi substituída por outros métodos de execução como a injeção letal, que alguns acreditam ser uma forma mais "humana" de execução. Muitas pessoas se surpreendem ao descobrir que o enforcamento, quando realizado seguindo as técnicas modernas, pode ser uma das formas mais rápidas e indolores para o condenado.

O método utilizado pelos oficiais iraquianos na execução de Sadam Hussein é denominado queda longa. Na queda longa, os que planejam a execução calculam a altura da queda necessária para quebrar o pescoço do indivíduo baseando-se no seu peso, altura e constituição física. A altura pode variar de 1,5 a 2,7 metros. Dessa maneira, o tamanho da corda, a pressão do nó, o peso do condenado e o impacto que o pescoço irá sofrer no momento da execução são calculados de modo que a morte ocorra pela quebra das vértebras da coluna cervical (conhecida como "fratura do enforcado") e da secção da medula espinhal, o que provoca parada respiratória.

Com o nó do laço colocado do lado esquerdo do pescoço do indivíduo, sob o maxilar, o tranco no pescoço ao fim da queda é suficiente para quebrar ou deslocar um osso do pescoço chamado áxis, o que, por sua vez, rompe a medula espinhal. 

Esta é a situação ideal em uma queda longa. Quando o pescoço se quebra e rompe a espinha, a pressão arterial cai a zero, em cerca de um segundo, e o indivíduo perde a consciência. A morte cerebral leva alguns minutos para acontecer e a morte completa pode levar mais de 15 minutos, mas o indivíduo, muito provavelmente, não pode sentir nada disso.

Em outra situação, se a altura for mal calculada ou se houve engano em algum outro fator, o indivíduo irá morrer por decapitação (se a queda for muito grande) ou por estrangulamento (se a queda for muito curta ou o nó do laço não estiver na posição correta). O estrangulamento pode levar vários minutos e essa é uma experiência muito mais torturante. As artérias carótidas no pescoço, que fornecem sangue para o cérebro, são comprimidas e o cérebro incha. O nervo vago é comprimido, levando a algo chamado de reflexo vago-vagal, que pára o coração. A falta de oxigênio, devido à compressão da traquéia, acaba por causar a perda da consciência por sufocamento. A morte segue o mesmo padrão que ocorre quando o pescoço se quebra, sendo que todo o processo termina em um intervalo de tempo que vai de cinco a 20 minutos.

Em se tratando de enforcamento judicial, a queda longa é a opção considerada mais "humana". Segundo acreditam os cientistas forenses, para a pessoa que estiver sendo executada, a experiência do enforcamento dura algo entre alguns segundos a poucos minutos.

Em alguns países onde as execuções ainda são feitas por enforcamento, outros métodos também são usados. Na queda curta, o indivíduo invariavelmente morre por estrangulamento e/ou compressão das artérias do pescoço. O mesmo tipo de morte ocorre pelo enforcamento por suspensão, onde o indivíduo é jogado no ar ao invés de cair. E em um enforcamento de queda padrão, o indivíduo cai por cerca de 1,5 metros. Dependendo do peso e constituição física da pessoa, esta queda vai quebrar o pescoço e a medula espinhal ou vai causar a morte por estrangulamento, compressão da artéria carótida, ou reflexo vago-vagal. 

O enforcamento é um método legal de execução judicial em 58 países, segundo a Anistia Internacional. Em 33 destes países, este é o único método de execução.

Para mais informações sobre o enforcamento do ex-presidente iraquiano, cheque o link:

Fontes

  • Childs, Dan. "Death By Hanging: What Saddam Faced". ABC News. 29 de dezembro de 2006.
    http://abcnews.go.com/Health/story?id=2759048&page=1&CMP=OTC-RSSFeeds0312
  • "The process of judicial hanging". Capital Punishment U.K.
    http://www.richard.clark32.btinternet.co.uk/hanging2.html
  • Stuttaford, Thomas. "Swift end rests with skill of the hangman". The Times Online. 1 de janeiro de 2007.
    http://www.timesonline.co.uk/article/0,,3-2526006,00.html