Para os elvismaníacos mais radicais que encontram sua cara metade, o sonho é ter sua cerimônia de casamento realizada em Graceland, o santuário dos fanáticos por Elvis. Superada a etapa do convencimento do parceiro ou da parceira, caso, é claro, ele ou ela não seja também um fanático por Elvis, restam as etapas de planejar e economizar para a viagem. Dentro das estratégias de realizar os sonhos dos fãs e maximizar os lucros da Elvis Presley Enterprises, a Capela do Bosque em Graceland é locada para casais interessados em realizarem lá suas núpcias com até 50 convidados. Para uma cerimônia de uma hora e meia, os noivos desembolsarão US$ 650, que inclui o uso das instalações da capela, o juiz e uma sessão de fotos em frente à mansão.
![]() Ingresso para entrada em Graceland, souvenir de elvismaníaco |
A realização do sonho do casamento no mais perfeito clima “Love Me Tender” e abençoado por Elvis começa a ser possível também longe de Graceland ou de suas réplicas em Las Vegas. Na pequena cidade de Parkes, que entrou para o Guinness com seus 147 Elvis covers cantando “Love Me Tender”, isso já acontece. No embalo de ser uma referência para os fanáticos pelo cantor na Austrália, o pároco local, Bean Vegas, realiza os casamentos no mais autêntico estilo Elvis.
Nas telas do cinema, os seguidores de Elvis já se uniram com intenções nada românticas. “3000 Milhas para o Inferno” (3000 miles to Graceland, direção de Demian Lichtenstein, 2001) é um road movie em que Kevin Costner faz o papel de um dos inúmeros “filhos não-reconhecidos” de Elvis. Ele lidera um grupo de bandidos, todos fantasiados de Rei do Rock, em um sanguinário assalto a um cassino em Las Vegas.
De todos os lugares do mundo que reúnem seguidores de Elvis, nenhum é tão pitoresco quanto Las Vegas. Na cidade em que o Rei do Rock renasceu, no final dos nos 60 e começo dos 70, num estilo considerado por muitos cafona, é onde se concentra o maior número de shows de Elvis covers do planeta. É lá também que o Cirque du Soleil, após um acordo com a Elvis Presley Enterprises, deve estrear em 2009 um espetáculo sobre o Rei do Rock.
Pode-se ser um maníaco por Elvis em diferentes graus. Os mais próximos à normalidade têm alguns discos originais, algumas coletâneas, uns DVDs e pelo menos um livro sobre a vida do cantor. E, é claro, são membros de algum dos fãs clubes espalhados pelo mundo e freqüentam um lugar temático sobre Elvis. Eventualmente, se trajam como o Rei para ir a alguma festa à fantasia. Há os elvismaníacos que fazem disso uma forma de ganhar a vida, como os Elvis covers. Os imitadores do Rei são atrações em shows em barzinhos e também em eventos corporativos. Em São Paulo, uma apresentação de uma hora do Rei do Rock rende um cachê de R$ 1,5 mil a R$ 5 mil, dependendo da estrutura do show. Já os totalmente fanáticos por Elvis dedicam boa parte de suas vidas a ele. Presidentes de fãs clubes do Rei do Rock são um bom exemplo. Walteir Terciani, que garante ser a pessoa que mais gosta de Elvis no mundo, fundou e preside o fã clube Gang’Elvis, que existe desde 1967. Até 2007, Terciani já havia visitado Graceland por 26 vezes e guarda com orgulho uma foto autografada pelo próprio Rei com os dizeres: “Para Walteir com os melhores desejos. De Elvis Presley”. O cinema soube retratar de forma sublime a Elvismania. Em “Um Estranho Chamado Elvis” (Finding Graceland, direção de David Winkler, 1998), Harvey Keitel faz um personagem que acredita ser Elvis Presley. Em sua jornada de volta ao lar, ou seja, a Graceland, ele consegue carona com um jovem e desiludido médico, que acabou de perder a esposa tragicamente. Este autêntico road movie sobre corações solitários é uma boa amostra do mundo e dos sentimentos que giram em torno do mito do Rei do Rock. Ponto alto do filme, a performance de Harvey Keitel, que convenhamos em nada se parece com Elvis, interpretando “Suspicious Mind” representa a verdadeira alma de todo elvismaníaco. |