Regras do duelo

Outros códigos do duelo
O Código do Duelo substituiu em muito os códigos anteriores, incluindo o Flos duellatorum (escrito em 1410) e Il duello (1550), ambos códigos de duelos italianos, bem como as regras dos duelos alemães definidos pela escola de duelos Fechtshulen (Holland, pág. 24).
Em 1777, um comitê de irlandeses escreveu um código de duelo que viria a ser muito usado em toda a Europa e América. O código irlandês de 1777 foi chamado de Código de Duelo. Você pode ler o completo conjunto de regras em PBS.org: código de duelo (em inglês). Esse código era tão popular que as pessoas do mundo todo o viam como as regras "oficiais" do duelo. Na verdade, a Marinha Americana incluiu o texto do Código de Duelo no manual do estudante de academia naval até que os duelos realizados pelos oficiais da marinha finalmente fossem banidos em 1862 (Holland, pág. 142).

Os destaques das regras incluem os passos de uma desculpa, que poderia cancelar o duelo, a etiqueta própria do duelo em termos de comportamento digno, o papel dos padrinhos e o que constituia o final de um duelo.

Desculpas
Uma desculpa da parte do desafiado poderia impedir um duelo sangrento se fosse pedida de forma apropriada. Lembre-se de que a maioria dos duelos era realizada quando um homem ofendia a honra de outro. Assim, as desculpas apropriadas logicamente ajudariam a resolver o problema, mesmo que um duelo já tivesse começado. O Código de Duelo dita um método complexo para decidir quem deve se desculpar primeiro:

    regra 1: A primeira ofensa pede a primeira desculpa, embora a réplica mordaz possa ter sido mais ofensiva do que o insulto. Exemplo: A diz a B que ele é impertinente, etc. B responde que ele está mentindo, porém A deve pedir a primeira desculpa porque ele fez a primeira ofensa e então, depois de um tiro, B pode dar satisfação com a réplica se desculpando subseqüentemente.
As regras também ditam quando uma desculpa pode ser aceita, evitando assim o duelo e quando nenhuma desculpa verbal será suficiente:
    regra 5: como um soco é extremamente proibido sob qualquer circunstância entre cavalheiros, nenhuma desculpa verbal pode ser recebida por tal insulto. As alternativas: o ofensor, empunhando uma arma para a parte ofendida, para ser usada em suas próprias costas, ao mesmo tempo implora perdão, começar o tiroteio até que um ou os dois estejam incapacitados ou trocar três tiros e, em seguida, pedir perdão sem oferecer a arma...

Etiqueta do duelo
Um duelo não é uma briga barulhenta. É uma batalha controlada entre cavalheiros de honra. Como tal, um certo nível de dignidade era esperado de todos os participantes. A regra 13 descreve o comportamento digno do duelista. Era freqüentemente quebrada, já que muitos duelistas realmente não queriam morrer, matar ou desfigurar. Eles queriam apenas defender sua honra. A regra 13 diz:

    nenhum tiro silencioso ou tiro para o ar é admissível em hipótese alguma. O desafiante não deve ter desafiado sem receber uma ofensa e o desafiado deve, caso tenha se ofendido, pedir desculpas antes que caia no chão. Portanto, uma bobagem deve ser desonrada de um lado ou de outro e é proibido de comum acordo.
Como manter o duelo geralmente seria o suficiente para satisfazer a honra, os duelistas podiam usar balas de festim ou declarar antecipadamente que eles atirariam para o ar ou em uma área não vital do corpo de seus adversários. O Código de Duelo desaprovava isso.

O Código também encorajava os duelistas a dormirem sobre seu orgulho ferido e então duelar sob uma conduta calma no dia seguinte: a regra 15 diz:

    os desafios nunca devem ser realizados à noite, a menos que a parte a ser desafiada planejasse deixar o local da ofensa antes do amanhecer. Deseja-se evitar que todos os procedimentos aconteçam com a cabeça quente.

Padrinhos
O papel dos padrinhos é explicado em detalhes em várias regras. (Observe a referência da regra 18 às armas de calibre leve ao contrário dos rifles).

  • Regra 18: os padrinhos carregavam as armas na presença um do outro, a menos que eles dessem sua palavra de honra de que haviam carregado um armamento leve e único, que devia ser suficiente.

  • Regra 21: os padrinhos devem se empenhar em tentar uma reconciliação antes do encontro acontecer ou depois de tiros ou golpes suficientes ser desferidos, conforme especificado.
O Código de Duelo reconhece que os próprios padrinhos devem se envolver na briga, como mencionado na seção anterior. O Código é extremamente específico quanto a como esse envolvimento deve ocorrer:
  • Regra 25: quando os próprios padrinhos discordam e resolvem trocar tiros, isso deve ocorrer ao mesmo tempo e em ângulos reto com relação ao oponente.

Quando um duelo acaba
Duelar "até a morte" não é considerado algo desejável no Código de Duelo, embora isso possa ter sido o final de muitos duelos. Lembre-se: duelar diz respeito a recuperar a honra, não matar. A regra 5 diz:

    ... se são usadas espadas, as partes empenham-se no combate até que um esteja sangrando muito, incapacitado ou desarmado, ou até que, depois de ser ferido e o sangue derramado, o agressor implore por perdão.
A regra 22 também fala dessa questão:
    qualquer ferida suficiente para agitar os nervos e necessariamente fazer a mão tremer, deve encerrar o embate.

Talvez uma das mais importantes regras do duelo não envolva a mecânica do próprio duelo, mas, ao contrário, quem tem permissão para duelar. Na Europa medieval, duelar era o esporte do homem nobre de berço. Embora os plebeus lutassem e certamente se enfrentassem em competições que podiam ser chamadas de duelos, um duelo de limite de honra verdadeiro tinha de ser realizado entre dois homens de posição nobre. A economia era das razões: as espadas eram armas caras e nem todos os camponeses tinham uma. Mas isso também significava a distinção das classes superior e inferior. Muitos países tinham leis proibindo os plebeus de lutar entre si, enquanto se esperava que os duques, príncipes e reis duelassem.

Qual a razão que os nobres tinham para lutarem constantemente um contra o outro até a morte? Leia a próxima seção para descobrir.