Princípios básicos do duelo

Desafiando
Um desafio podia ser feito no local jogando uma luva no chão diante do adversário.
Um duelo é  um tipo muito controlado de briga. Em um duelo, dois homens se enfrentam em termos iguais (somente em ocasiões muito raras as mulheres duelavam). Os duelos seguem um conjunto de regras acordadas, começa em um horário específico e em um determinado lugar. A palavra vem do termo em latim duellum, uma contração de duo (dois) e bellum (guerra).

Geralmente, os duelos não aconteciam espontaneamente. Um homem desafiaria o outro, que geralmente responderia direcionando outras questões para seu padrinho. Um padrinho era um amigo que se unia para ajudar a preparar suas armas, se certificava de que o outro duelista não iria fazer uma emboscada e de que as regras do duelo estavam sendo seguidas. Os padrinhos também deviam tentar acalmar a situação que levara ao duelo conseguindo uma desculpa de uma parte para a outra. Na verdade, os padrinhos acabavam brigando um com o outro ao lado dos duelistas principais. Às vezes, havia outros padrinhos na briga. Em todos os casos, depois de um homem fazer o desafio, os padrinhos arranjariam todos os detalhes. O processo poderia levar dias.

Quando um duelo era declarado, qualquer arma poderia ser usada, desde que o desafiante ou seu adversário fizessem a escolha dependendo de qual conjunto de regras estava em uso. O código de duelo de 1777 (que vamos comentar com mais detalhes na próxima seção) dizia que:

    O desafiado tinha o direito de escolher suas próprias armas, a menos que o desafiante desse sua palavra de honra de que ele não era um espadachim. Em seguida, entretanto, ele podia recusar qualquer outra espécie de arma proposta pelo desafiado.
Por muitos séculos, a escolha era limitada a vários tipos de espadas. Mais tarde, quando as armas eram usadas nos duelos, determinados conjuntos de regras indicavam que apenas espingardas de calibre leve eram aceitas, ao contrário dos rifles que faziam a bala girar dando grande precisão e alcance (Holland, pág. 84). Muitas das regras do duelo pareciam formuladas para evitar a morte e ferimento ou pelo menos para reduzir as probabilidades. Por exemplo, às vezes era pedido que os duelistas se enfrentassem a uma distância, apenas virando para atirar quando o sinal apropriado fosse dado. Isso não dava a eles tempo suficiente para mirar bem suas armas.

O perdedor de um duelo estava praticamente à mercê do vencedor, que poderia escolher, preservar a vida do adversário ou matá-lo. A etiqueta do duelo também dava ao vencedor o direito de profanar o corpo do rival da maneira que ele quisesse. Isso geralmente acontecia em forma de decaptação e colocação da cabeça em local público.

Duelo com um toque feminino
Geralmente, quando as mulheres participavam dos duelos, isso era visto como uma excentricidade, um espetáculo estranho que era mais um divertimento do que uma competição mortal. As armas que as mulheres usavam eram geralmente alteradas para que as duelistas não prejudicassem uma a outra ou a competição era interrompida antes que o sangue fosse derramado.

Entretanto, houve pelo menos uma duelista famosa, uma cantora francesa de ópera chamada La Maupin. Pelo que consta, seu pai a treinou para lutar com espada, enquanto alguns afirmam que ela tinha um caso com um mestre esgrimista que a ensinava. Para sustentar sua família, ela começou a fazer apresentações em hotéis e tavernas, cantando e esgrimando vestida de garoto, embora ela não parecesse esconder seu verdadeiro sexo. Era muito fácil lutar com espada sem saias com babados e vestidos para se preocupar.

Histórias lendárias contavam suas façanhas. Diziam que ela havia despachado uma sala inteira de jovens nobres que reclamavam que ela havia insultado uma senhora com quem eles estavam dançando. Suas aventuras também incluíram enterrar o corpo de uma freira morta, colocando-o em um quarto de hospedaria e ateando fogo no quarto para que ela pudesse fingir sua própria morte e escapar de um convento com sua amante [ref] (em inglês). Ela morreu em 1707 depois de se aposentar da ópera.