A quem interessa ser dono dos oceanos?

A Era da Exploração brevemente deu lugar a uma era de colonialismo. As nações europeias navegavam para terras novas e antigas e as reivindicavam como extensões de seus territórios. No processo, elas batalharam com outros países por território e cometeram genocídio contra povos nativos que já viviam nessas terras. As matérias-primas encontradas nesses novos territórios ofereciam riquezas aparentemente ilimitadas para as nações colonizadoras. Mas os milênios de aprendizado sobre como explorar matérias-primas haviam ensinado aos europeus que qualquer coisa encontrada em terra seria, em última análise, finita.

Demorou um pouco mais para essa percepção também incluir o mar. A humanidade circunavegou o globo apenas em 1522 d.C. [fonte: Universidade de Utah]. Devido ao imenso tamanho dos oceanos (em inglês) do mundo e a nossa incapacidade tecnológica de remover os recursos encontrados neles e abaixo deles, havia a ideia de que a humanidade seria incapaz de esgotar esses recursos. Essa mentalidade mudou na metade do século 20.

Fernão de Magalhães foi o primeiro a circunavegar a Terra, em 1522
© istockphoto.com / Linda & Colin McKie
Fernão de Magalhães foi o primeiro a circunavegar a Terra, em 1522

A exploração e produção de petróleo tornou-se cada vez mais sofisticada, e as nações trataram de garantir o máximo possível de petróleo, gás natural e minerais dos oceanos. Uma vez que não existiam acordos formais ou leis internacionais a respeito dos oceanos, havia pouca resistência que os governos pudessem oferecer de forma legítima contra nações invasoras. Os oceanos, que haviam sido a propriedade compartilhada de todos durante séculos, agora estavam sendo explorados sem seguir qualquer padrão coerente.

Ironicamente, o mesmo petróleo e o mesmo gás que foram removidos dos oceanos do mundo começaram a ser usados para poluí-los. Ocasionalmente, navios cargueiros carregados de petróleo e óleo derramam seus conteúdos nos oceanos. Aqueles que fazem um percurso do ponto A ao ponto B (com uma carga de petróleo ou qualquer outra coisa) ainda deixam um rastro de emissões de diesel.

Uma vez que a maior parte do oceano é considerada propriedade comum, os pesqueiros encontrados nessas áreas também são considerados comuns. As instalações de pesca comercial de qualquer país podem enviar embarcações a bons pontos de pescaria em águas internacionais. A atenção dividida esgota esses pesqueiros mais rapidamente, e o tráfego pesado nessas áreas causa um impacto desproporcional sobre os ecossistemas locais. A tecnologia para explorar recursos oceânicos desenvolveu-se a um ritmo acelerado. Em 1954, a produção de petróleo marítimo era de menos de um milhão de toneladas anuais. Por volta do fim da década de 60, quase 400 milhões de toneladas eram removidas anualmente [fonte: UN - em inglês].

O impacto econômico e o valor dos oceanos derivado de atividades comerciais como pescaria, navegação e mineração é enorme. Em 2004, apenas os Estados Unidos receberam 63 bilhões de dólares em taxas pagas por atividades oceânicas [fonte: NOEP]. O dinheiro obtido com os oceanos estava tendo também um efeito prejudicial. Tornou-se aparente que a humanidade estava envenenando a vida abaixo da superfície da água.

Em 1967, as Nações Unidas passaram a considerar a ideia de interferir e estabelecer um tratado internacional formal, o primeiro novo acordo a respeito dos oceanos em 300 anos.