Introdução


doação de órgãos

­Imagine que seu parente sofreu um acidente grave e os médicos diagnosticaram morte encefálica. Nesse momento de dor, muita gente só pensa em velar seu ente querido, mas nessa hora, em vez de lamentar, é possível ajudar outras pessoas. Muita gente tem problemas de saúde sérios, que poderiam ser resolvidos com o transplante de um órgão. Rins, pâncreas, córneas, coração, esclera (o branco do olho), pulmão, fígado e medula óssea são os órgãos ou tecidos possíveis de ser transplantados. Os avanços da medicina conseguiram tornar o transplante de órgãos vitais uma solução viável para doenças graves. Os primeiros transplantes de rins aconteceram nos anos 50 nos Estados Unidos. Hoje, graças aos avanços na tecnologia para cirurgia, no aprimoramento dos remédios pós-operatório, as possibilidades são maiores. Além disso, o Brasil aprimorou seu sistema de transplante durante os últimos 15 anos.


Campanha da ong Adote pela doação de órgãos


A doação de órgãos no Brasil é regulamentada pela lei 9.434, de 04 de fevereiro de 1997, e pela lei 10.211, de 23 de março de 2001, que reconhecem duas situações:
  • Doação de órgãos de doador vivo, familiar até 4º grau de parentesco, mais freqüentemente de rim, pois é um órgão duplo e não traz prejuízo para o doador.
  • Doação de órgãos ou tecidos de doador falecido, que é determinada pela vontade dos familiares até 2º grau de parentesco, mediante um termo de autorização da doação.

Além disso, o Brasil, por meio do Sistema Único de Saúde, conseguiu tornar mais eficiente a necessária sistemática para que o órgão de um doador chegasse na pessoa. Muito do que foi feito é baseada na experiência norte-americana. Cerca de 95% dos transplantes realizados no país são pagos pelo sistema público de saúde e 5% são de convênios privados. Não há, no Brasil, a prática do transplante pago por particulares diretamente à equipe médica.

Obviamente, não é o sistema perfeito, mas hoje o Brasil está na lista dos países com maior número de transplantados. É o segundo lugar em número com cerca de 11 mil transplantes ao ano, perdendo apenas para os Estados Unidos.

O quadro de transplantes no Brasil

O sistema de transplante no Brasil foi se sofisticando nos últimos dez anos. As estatísticas mostram um crescimento médio no número de transplantes de cerca de 25% ao ano a partir de 2003, fazendo com que o país seja o segundo lugar em número de transplantados no mundo. Hoje, 1.338 equipes médicas em 24 estados estão prontas para receber e implantar órgãos. Apesar dos números de sucesso, as filas continuam grandes. São cerca de 70 mil pessoas esperando na fila, segundo a Aliança Brasileira de Doação de Órgãos e Tecidos, Adote. Mesmo com o crescimento dos doadores, há uma demanda maior que a procura. Muito do sucesso atual se deve à melhoria no sistema de informação e também ao esforço pessoal e institucional de profissionais e hospitais e da própria sociedade.

Evolução das doações
Tipo de transplantes 2005 2006
Valva cardíaca 151 102
Coração 196 139
Córnea 8713 10124
Fígado 956 1025
Intestino 1 1
Medula óssea 1204 1356
Ossos 759 1997
Pâncreas 63 57
Pâncreas/Rins 123 116
Pulmão 45 49
Rim 3362 3281
Total 15573 18247
Fonte: Central de Transplantes

Uma das reivindicações das instituições que defendem a causa é que as equipes intra-hospitalares, ou seja, os profissionais que fazem a comunicação entre hospitais para a articulação do transplante exercem exclusivamente esse tipo de trabalho. Atualmente, essas pessoas acumulam as funções com outros. Além disso, nem sempre os preços pagos pelo serviço atraem os profissionais. No Rio de Janeiro, em 2007, segundo a Adote, o preço pago por um transplante de coração era de cerca de R$ 5 mil.

Como já foi dito, muito do que tem sido feito depende do empenho de toda a sociedade. Um bom exemplo é o hospital de Messejana, em Fortaleza (CE), que conseguiu a mobilização dos empresários do interior do Estado para disponibilizar, num esquema de escala, os seus aviões particulares para pegar e trazer órgãos de possíveis doadores em cidades do interior cearense.
Além disso, alguns E­stados têm trabalhado com mais afinco. Uma referência no Brasil é o Rio Grande do Sul, cujo tempo de espera em filas chega a ser de poucos meses.

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