Fim das ditaduras

Às vezes, os ditadores permitem eleições, mas elas não se parecem com as eleições que conhecemos de países democráticos. Sob extrema pressão de outros países, o rei da Arábia Saudita, Abdullah bin Abdul Aziz al-Saud, autorizou eleições municipais em 2005, as primeiras eleições desde a década de 60. Elas permitiram que os cidadãos escolhessem os conselhos locais. Entretanto, não foram democráticas, pois as mulheres sauditas não puderam votar. Embora a votação não tivesse sido declaradamente proibida, a maioria das mulheres não tinha a identificação necessária, nem havia quantidade suficiente de funcionárias para inscrevê-las, já que homens não podiam registrá-las para que votassem. No geral, a Arábia Saudita continua sendo governada por uma monarquia absoluta.

Líderes da oposição birmaneses
Sandro Tucci//Time Life Pictures/Getty Images
Líderes da oposição birmaneses U Nu (esquerda), Aung San Suu Kyi (centro) e o general Tin Oo (direita)

Em fevereiro de 2008, a junta militar que governava a Birmânia, chamada de SPDC (State Peace and Development Council, anunciou planos de realizar uma eleição em 2010. Um porta-voz afirmou que havia chegado a hora de mudar de governo militar para governo civil democrático [fonte: Washington Post]. Entretanto, a maioria dos cidadãos da Birmânia, como também outros governos, não levou a junta a sério. Em 1990, a Birmânia teve uma eleição geral em que a ativista Daw Aung San Suu Kyi, líder da Liga Nacional para a Democracia, venceu. O governo se recusou a reconhecer a vitória de Kyi e a manteve presa a maior parte do tempo desde a eleição.

Saddam Hussein
Exército dos Estados Unidos via Getty Images
Foto de Saddam Hussein após sua captura, em dezembro de 2003

As ditaduras, às vezes, chegam ao fim de forma tão caótica quanto começaram. Adolf Hitler cometeu suicídio depois que os Aliados venceram as Forças Armadas da Alemanha. O ditador italiano fascista Benito Mussolini foi fuzilado por guerrilheiros comunistas e seu corpo foi apedrejado pelos cidadãos. Manuel Noriega foi capturado em 1989 depois que os Estados Unidos invadiram o Panamá e está cumprindo pena 30 anos de prisão em uma penitenciária federal na Flórida. Saddam Hussein foi deposto depois que as forças de coalizão tomaram o controle do Iraque e as Forças Armadas dos Estados Unidos o localizaram em uma pequena trincheira próxima a sua terra natal, em Tikrit. Posteriormente, ele foi executado pelo governo provisório do Iraque.

Muitas ditaduras acabam quando o ditador fica muito fraco ou doente, ou quando morre repentinamente. Vladimir Lenin sofreu vários derrames (em inglês) e assumiu cargos inferiores no governo antes de morrer. Josef Stalin também teve um derrame e morreu logo depois. Em 2008, Fidel Castro se afastou do cargo de líder de Cuba (passando a presidência para seu irmão Raul) depois de vários anos de saúde debilitada.

Geralmente, os ditadores tendem a permanecer no poder por muito tempo ou são depostos apenas para serem substituídos por outro ditador. Leva-se muito tempo para mudar uma estrutura governamental inteira e, normalmente isso não acontece sem a intervenção das Nações Unidas, dos Estados Unidos ou de outra organização. Atualmente, mais de 70 países do mundo são governados por ditadores. Muitos deles são culpados pelas atrocidades cometidas contra seu próprio povo.

As organizações não-governamentais, como a Human Rights Watch, informam e divulgam as violações contra os direitos humanos. Elas também pressionam os governos e as organizações internacionais a fazerem reformas nas áreas onde ocorrem abusos em relação aos direitos humanos. Talvez as destituições recentes de ditadores indiquem uma tendência a governantes eleitos que permitam que os cidadãos tenham a liberdade básica que se espera que exista atualmente.

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Ditadores benevolentes?

Um ditador benevolente é aquele que exerce seu poder absoluto para o bem de seu povo e não para benefício próprio ou de seus amigos e companheiros. Esse termo é subjetivo, assim como a interpretação atual da palavra ditador. Os partidários de Napoleão o consideravam benevolente. O mesmo se pode dizer dos defensores de Fidel Castro e seu regime. Entretanto, as pessoas que sofreram com os governos desses e de outros ditadores, considerados "benevolentes" por alguns, discordariam.