Vestidas de camisetas amarelas e gritando “Diretas Já”, 1,7 milhão de pessoas lotaram o centro de São Paulo, no dia 16 de abril de 1984, na maior manifestação popular até então feita no Brasil. Eles pediam eleições diretas para presidente da República. A primeira manifestação havia acontecido em 31 de março de 1983, na cidade de Abreu e Lima, em Pernambuco, e cada vez foi tomando mais força. Poucos dias antes, dia 2 de março, o deputado Dante de Oliveira havia entrado com um projeto de lei pedindo eleições diretas para presidente.
O projeto acabou rejeitado pelo Congresso Nacional no dia 25 de abril de 1984. Foram 298 votos a favor, 65 contra e 3 abstenções. Cento e doze deputados da situação (PDS – antiga Arena) não compareceram, atrapalhando a votação. Faltaram, então, 22 votos para a aprovação da lei. Isso porque como o projeto era uma mudança na Constituição vigente precisa ter a aprovação de 2/3 dos parlamentares para se concretizar.
![]() Agência Estado Comício das Diretas em 1984 no centro de São Paulo |
Apenas em 1989, seis anos depois da primeira passeata por eleições diretas, aconteceram as primeiras eleições diretas para presidente. Elas foram norteadas pelas regras criadas pela Constituição de 1988, prevendo o voto obrigatório e dois turnos. Fernando Collor de Melo foi eleito em segundo turno, numa disputa com Luiz Inácio Lula da Silva. Sua permanência no poder, no entanto, foi curta, tendo seu mandato cassado no seu terceiro ano de poder, mas isso é outra história para ser contada em outro artigo.
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Mais links interessantes
- REIS, Palhares Moreira. Eleições diretas e indiretas no Brasil
- Cronologia da campanha das Diretas - Fundação Perseu Abramo
Fontes bibliográficas
- KOTSCHO, Ricardo. Explode um novo Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1984
- BITTENCOURT, Circe. Dicionário de Datas da História do Brasil. São Paulo: Editora Contexto, 2007




